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Um brinde às donas de casa – com o avental sujo?

Um brinde às donas de casa – com o avental sujo?

dona

 

Hoje é nosso dia!

Há três anos e tralalá, decidi, por iniciativa própria, que abandonaria minha recém carreira de psicopedagoga para cuidar da minha família. Contei isso aqui, uma vez.

Jamais imaginei que a vida de uma mãe em tempo integral seria tão puxada,mas também em nenhum momento desejei ter vida de dondoca que é bancada pelo marido.

Já pararam para pensar que “nunca antes na história desse país”, mulheres que optaram por ficar em casa sofreram tamanho preconceito da sociedade.

Tem muita gente achando ainda que ser dona de casa é permancer descabelada, com avental sujo, de bobs no cabelo e unhas mal feitas. Outro tanto acredita que ser dona de casa hoje em dia é ser fútil, torradora de dinheiro do marido, que passa os dias entre shopping e academia.

Quem dera…

Elas queimaram os sutiãs e foram pedir direitos iguais.

Iguais uma ova! Somos mulheres e queremos o direito de permanecer em casa cuidando da família, bem old-style, bem retrô, se isso for do nosso agrado.

Cuidar da família não significa emburrecer. Pelo contrário, temos mais tempo de nos dedicar, nos aperfeiçoar e nos informar sobre. Digo que sou uma mãe profissionalizada.

Cuidar da casa não significa estar feia. Enquanto o feijão fica pronto, colocamos uma máscara no rosto e fazemos as unhas. Somos multifuncionais também.

A diferença é que as mulheres que trabalham ou se sobrecarregam ou dependem de uma empregada. Ah! Vai me dizer que é miragem aqueles traseiros gordos cheios de celulites nos escritórios da vida, as unhas descascadas, as caras emburradas desejando estar em casa com os filhotes?

Nem tanto a bruaca, nem tanto a diva, nem tanto a periguete.

Assim como mães que trabalham nem sempre são aquelas secretárias de corpão bonito, antenadas, que falam 5647 idiomas, as donas de casa não são aquelas mocreias sedentárias!

E há quem diga que é um retrocesso a mulher ficar em casa, cuidando dos filhos. Dizem até que isso motivo para traição e separação. Oi? Acredito mesmo é que é preciso muita determinação para tomar esta decisão de ficar em casa. E se eu posso escolher entre trabalhar e cuidar da família é porque atingi um certo grau de maturidade.

O mote é: faça sua escolha e seja feliz com ela!

Eu fiz a minha e digo: Feliz dia da dona de casa a todas as colegas!

E não deixem de ler a matéria no Uol Mulher sobre dona de casa e preconceito (estou por lá, com minha gatinha e meu pequeno Wolverine).

Crônica exaurida – ou mais do mesmo

Crônica exaurida – ou mais do mesmo

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Semana de 32º em pleno inverno. As moléculas corporais já ficam mais exaltadas.

Era dia de pediatra. Só quem tem filho sabe como dia de pediatra é emocionante: mala, carteirinhas do convênio, de vacinação, ficha de peso, pacote de bolacha (esqueci), suco (esqueci), brinquedo (tinha um esquecido na bolsa) e saco, bem grande. Porque deve ter uma matéria na faculdade de Medicina chamada Técnicas e Fundamentos de Atraso.

Meio dia perdido, pedidos de exames, recomendações e algumas pulgas atrás da orelha.

Aproveita a saída e já atualiza a carteirinha de vacinação da mais nova: uma agulhada, um grito, uma facada no bolso e um colo – para a bebê, claro!

Já é hora de mamar, a pequena vai dar escândalo no caminho. Antes de sair, amamenta, no carro, com o ar ligado.

Faz almoço, brinca, faz dormir, não dorme, faz dormir, não dorme, faz dormir, não dorme. Então brinca!

E o calor… Derreteu a fome.

A mãe brinca, chacoalha e resolve meia dúzia de coisas pelo smartphone. Sem ele, precisaria ainda ter ido ao banco e à livraria.

Banho de um, distrai a outra. Tem que ser rápido, senão a chave cai. Cheiro de queimado… Tá pegando fogo? Não? Então segue o barco.

Hoje é dia de futebol do marido. Não tenho assistente. É dia da Mulher-Maravilha-Elástica-Mística-Polvo entrar em ação. Podia ser também a Tempestade – tá precisando chover!

Um dorme no prato, a outra chora, eu choro junto. É o caos.

Pede arrego pro marido. Não atende o celular.

Mais quarenta minutos de bravura materno-doméstica, e aqui estou eu, saboreando um insosso macarrão com azeite – a fome passou por cima da gastronomia –, parando de escrever este post no meio para checar se o choro foi de algum filho, se o quarto está menos abafado…

Provavelmente dormirei babando em cima do livro: de fadiga e de fome de poder comer algo saboroso, me deleitar, aos poucos, sem ser interrompida, presença e mentalmente. Fome de um tempinho para mim.


 

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A propósito, segue minha sugestão de leitura:

Não é sopa – Nina Horta | Um livro de crônicas culinárias, acompanhado de receitas bem variadas – das mais familiares às mais requintadas. Leitura deliciosa!

Da faxina à imperfeição

Da faxina à imperfeição

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Imagem: Maid Perfct LLC

Quem não sonha com a auxiliar perfeita que atire o primeiro pano de chão!

A saga da faxineUra continua por aqui. Depois do episódio da moça de que me deu um preju e ainda pediu as contas, da ajuda da senhorinha das pérolas e da curta passagem da moça boa de faxina, mas lerda que só ela e que abandonou por um “rezistro”, achei que estaria no fundo do balde, minguada ao restinho de alvejante.

Eis que antes de sair do carro na garagem de casa, vejo uma moça bem apessoada deixar um papel na caixa de correio e penso: “Podia ser uma faxineira pedindo emprego…”. E era!!!

Um cartão de visita de faxineira. Moça empreendedora deve cobrar uma nota, mas vou ligar pa saber. Setenta dilmas. Tá no preço! Vem, moça!

Anoto os dados, puxo os antecedentes… tá limpa! Visualizo a casa no Google Streetview… nada estranho. Tem referências? Tem, mas eu não ligo, porque acho esse negócio de referências uma enganação. Daí que ela dá o telefone da cunhada, da prima, e eu me acho a esperta. Pulei esta parte.

Coloquei uma estranha para dentro de casa, confiei na intuição de que era boa moça. A faxina foi a meu gosto, a moça é eficiente (leia-se faz o que eu peço sem ter que repetir dez milhões de vezes) e é rápida também. Aprovei!

Mas… (todo episódio de faxineUra tem um “mas”), ninguém é perfeito. Nenhuma faxineira e nenhuma dona da casa são. As auxiliares do lar podem ter inúmeras qualidades, mas invariavelmente seus defeitos culminarão em uma ou mais imperfeições abaixo, listadas segundo eu mesma o renomadíssimo British Institute of Applied Research on Domestic Chores :

  • Não faz o que se pede
  • Faz mais do que se pede, e causa
  • Cobra caro
  • É lenta ou enrolada
  • Fala mais no celular do que limpa
  • Rouba
  • É rápida e faz o serviço pela metade
  • Tem a ficha suja ou não tem boas referências
  • Não tem dia livre
  • Ataca a despensa/geladeira
  • É vulgar ou não tem boa aparência
  • Quebra coisas
  • Falta muito

Já faz um mês que a moça (sim, moça, por que ela é quase 6 meses mais nova do que eu) tem me ajudado. Eu tenho ficado contente, exceto pelo gasto que estou tendo com SuperBonder. Minha nova ajudante é meio bastante desastrada.

É o que se tem para o momento, e, por enquanto, ela só se encaixou no penúltimo item da lista, ou seja, tô no lucro.

Pedi para ser mais cuidadosa, e vamos ver no que dá. Afinal, até os 90 primeiros dias, é período de experiência.

Porque pior do que ter faxineira desastrada só não tê-la!

 

Servindo garapa em cristais Bohemia

Servindo garapa em cristais Bohemia

biriba

 

Não é nenhuma novidade saber que, primeiro, comemos com os olhos. Daí, se apetecer a visão, o olfato se aguça e, só depois, é que a comida, de fato vai para o paladar. Então que lendo um texto da Nina Horta, me dei conta de como não sirvo para gastrônoma.

Vejo muitas donas e donos de casa fazendo curso de gastronomia para servir melhor. E não vou muito com a cara disso não. As pessoas estão achando o trivial brega…

Sou diiirce, e decoro a maionese com gema de ovo cozida passada no coador e salsinha, frito o ovo do jeito que cada um gosta (gema mole, gema dura), faço flor de casca de tomate.

Não tenho vergonha de dizer que gosto de biriba, de estrogonofe, de farofa e cuscuz. Faço pavê em dia de festa! Eu corto o melão em ziguezague! Faço lanchinho de atum nas festinhas! Eu faço cajuzinho!

Eu sou diiirce!

Nada de jus de redução de vinho, pato confitado ou risoto de chalotas com alho negro.

Esse negócio de Nouvelle Cousine não pegou aqui, não. Nada de Le Creuset, aqui é panela de teflon, pirex!!! Aqui é Curíntia, véi!

Admiro essa tal de alta gastronomia, mas meu dia a dia é bem mais ordinário, nem por isso menos saboroso.

Porque cozinhar, para mim, mais que uma arte, é um ritual: um culto à transformação dos alimentos, ao prazer de se comer bem, aos cuidados de quem se quer bem.

Vem de carona?

Vem de carona?

Imagem: we S2 it

 

Que história é essa de travessuras ou gostosuras? Da criançada fantasiada? Qual a razão das comemorações de Halloween Brasil afora?

Brasileiro no máximo entende de Halloween porque vai no cemitério dois dias depois, no dia de Finados. E olhe lá!

O negócio é vender fantasia, máscara e doce. E a fantasia ainda é de Jack-lanterna (oi?), bruxa, fantasma. Se ainda homenageassem nosso saci, o curupira, o boitatá. Que nada! E nem é época de moranga por aqui…

Mas pior, muito pior – eu diria pioríssimo, se a palavra existisse – é o fato da categoria ter um dia, e ele ser sumariamente substituído por uma celebração totalmente comercial:

HOJE É DIA DA DONA DE CASA!!!

Você não sabia! Pois é, e eu descobri há pouco tempo que tenho um dia especial (embora eu ainda não tenha assumido essa ocupação oficialmente).

Então eu vou fazer assim: para não dar uma de dona-enxaqueca e ficar resmungando da festinha mostrenga alheia, vou ali montar no meu aspirador portátil na minha vassoura e comemorar! Porque, de qualquer forma, hoje é dia de festa!

 

PS: Comemoro o Natal, com direito a decoração de neve, rena e papai noel. Hipocrisia – a gente vê por aqui!


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