Category Archives: Desabafos de mãe

Não tem cabimento

Não tem cabimento

menina1

365 noites mal dormidas

1500 fraldas trocadas

1800 mamadas

360 papinhas

4 dentes

8,5 quilos

74 centímetros

420 banhos

Nenhuma chupeta

8 apelidos

40 semanas te gerando.

277 dias te aguardando, num misto de medo, alegria, realização e tensão.

Enfim, você chegou. Tão frágil, tão delicada.

E por um instante eu pisquei, só para molhar meus olhos. E você já estava dando seus passinhos pela casa.

Outro dia, só eu te bastava. E eu queria aprisionar nosso momento de amamentar numa garrafa, e fechar e deixar lá para eu contemplar quando eu quisesse.

Agora o mundo é o tapete do seu lar.

A mim, só cabe educá-la, servir de exemplo, te dar a mão, te dar o colo.

A mim só cabe te deixar voar.

A mim só cabe apreciar a beleza da vida te transformando.

A mim só cabe buscar palavras para exprimir o amor sem tamanho que não cabe em mim, nem em canto nenhum.

E a você, só cabe viver!

 

Post especial para minha menina, que completa hoje seu primeiro aninho de vida.

 

 

Guarde seu ciúme num pote!

Guarde seu ciúme num pote!

A chegada de um irmão sempre gera um estresse nas crianças. Eu sempre soube. Mas achava que uma vez passada a fase, era passado pretérito perfeito.

Ledo engano.

Então escuto de amigas com filhos mais velhos, que o tal do ciúme – falando baixinho, que é para o menino não escutar –, vai e volta a vida toda, passa de um irmão para o outro, e a mãe que se vire para lidar com isso.

Vejo meu marido e minha cunhada de mimimi um com o outro, minhas sobrinhas também. Mas eu e minha irmã, não! Ela deve ter tido muito ciúme, porque eu sou a filha mais nova, a caçula mimada. Minha mãe e ela são mais apegadas, mas é para ela não ficar triste que eu sou a filha preferida, sabe. Mas ciúmes, mesmo, a gente não sente uma da outra. Ãhã, senta lá!

Voltando à vaca fria, eis que chega um presente de uma empresa. Peço para meu filho abrir, e ele fica felizão. Quem nunca deu presente para a cria se acalmar que atire a primeira fralda de pano de algodão orgânico tecida pelos índios Taraucás!

Criança adora presente, mas eles logo vão para fundo da caixa se não vêm acompanhados de presença. E é exatamente isso que gera a abominável crise de ciúmes da montanha.

fc2

 

 

- O que vamos fazer com todos esses lápis?

- Uma pista!

A mãe encarna o Mister Maker e põe criança para ajudar na confecção.

 

 

fc1

 

 

 

Não precisa gastar dilmas e dilmas em pistas da marca famosa, você pode fazer outra quando ela enjoar do trajeto, ela ajuda a confeccionar e bota a imaginação para funcionar.

Fica a dica para as mães de crias que amam carrinhos: uma cartolina ou papel cartão e lápis de cor. Esses que ganhei são bem legais: são mais grossos, ergonômicos e têm espaço para escrever o nome. Não precisa colar etiqueta ou descascar a outra ponta.

 

 

 

 

 

 

Então, estávamos tão empolgados na nossa cidade, nos parques, na praia, na churrasqueira, nos lagos…

- Mãe, hahahahahahaha… Olha onde a Bubli (sim, meus filhos atendem por diversos nomes estranhos que eu dou a eles) se enfiou!

fc3

Corre, pega a máquina, tira uma foto, dá risada e quase tem um infarto quando volta em si e vê que a menina poderia ter caído.

Mais uma vez, a pequena rouba a cena, ofício inato a todos os irmãos caçulas.

 

Ela é top, capa de revista: mãe blogueira

Ela é top, capa de revista: mãe blogueira

top

 

Já não bastam as noites mal dormidas por filho que te acorda querendo mamar, ou ser ninado. Já não bastam os estresses comuns à maternidade. Agora as mães precisam ter blog.

E é esse tipo de blogagem que tem deixado o fardo da maternidade cada dia mais pesado.

Já não basta apenas ser mãe.

É preciso entrar em trabalho de parto, parir em casa, amamentar exclusivamente até o sexto mês, entrar com papinhas orgânicas, recusar qualquer inserção de adoçante, corante, conservante, qualquer ante que vá modificar o alimento da criança. É preciso amamentar até o dia do vestibular.

Não pode chupeta, não pode mamadeira, não pode compartilhar cama, não pode mandar para a casa da vó, não pode creche.

A mãe precisa trabalhar de casa (e ganhar um bom dinheiro com isso para ser independente), precisa deixar a casa um brinco, com seu detergente e seus produtos de limpeza feitos em casa, biodegradáveis, naturais. Não pode ter empregada, tem que dar conta de tudo. E não pode reclamar.

É preciso ter paciência com as crianças, brincar com brinquedos feitos com sucatas, estimulá-las com bolas, fios e giz-de-cera caseiros. Nada de brinquedinho da moda, nada de TV, nada de aplicativos.

Mãe boa não manda criança para a creche ou para a casa da vó. É preciso estudar em casa. Ser bilíngue, ser musicalizado, socializado, disciplinado. Não pode fazer birra, não pode ser agressivo, e tem que ter senso crítico e de estética aos 3 anos de idade.

Para ser exemplar, a mãe precisa tirar fotos profissionais de suas crianças, no seu quintal todo arborizado, enquanto elas plantam as sementes de chicória que comerão disciplinadamente na hora do almoço em família. E não bastam fotos tratadas dignas de capa de revista. Tem que compartilhar nas redes sociais. Tem que receber 1429 coraçõezinhos.

É preciso exibir sua barriga chapada e seu corpo delgado 15 dias depois do parto. É preciso compartilhar seu prato de salada, seguido de um chocolate belga caríssimo.Tem que ser linda, de cabelo feito, maquiada às 6 da manhã, bem vestida. E as unhas nunca descascadas, pois o esmalte é gringo. Assim como seus demais produtos de beleza.

Não basta ser mãe, não basta ter filhos, não basta ter blog, não basta exibir sua vida perfeita de comercial de margarina. É preciso saber programar, ter noções de SEO, ter views, seguidores, fãs. Uns dois mil no mínimo. Tem que publicar lista de enxoval, guia de desfralde, dicas de amamentação. É preciso profissionalizar o blog, ganhar amostras, ir a eventos, sair em fotos.´

É preciso compartilhar uma vida magistral, sem máculas.

Afinal de contas, quem é que gosta de expor seus defeitos?

E não estou falando pelos outros. Basta ler meu blog para ver isso tudo refletido aqui mesmo.

Convenhamos.

A beleza da maternidade está na imperfeição.

Na falta de saco para amamentar, na falta de tempo para brincar, na pia cheia de louça, na pilha de roupa que você não vai passar, na falta de grana, no esporro que você deu porque seu filho derrubou o suco no chão limpinho. Na falta de vontade de cozinhar e o almoço vai ser fast-food mesmo, com direito a brinquedinho, para você se sentir menos culpada. E vai ter suco de caixinha!

Ninguém publica isso. Ninguém tira foto do filho brincando no tablet. Ninguém compartilha sua foto de pijama, com cabelo desgrenhado, desabafando pelo blog, enquanto tem filho chorando pedindo colo.

A maternidade é assim: imperfeita, inacabada. Ainda que bela e divina, exatamente por isso.

Não postamos sobre nossas falhas, mas buscamos no Google a fórmula mágica para lidar com elas.

Talvez se fôssemos mais verdadeiras, mais sinceras em nossos blogs, não teríamos tantos sorteios, tantos anunciantes. Mas levaríamos a vida mais leve, teríamos mais disposição para aquela dedicação maternal. Teríamos mais amigas, em vez de fãs. Teríamos mais companheiras, em vez de seguidoras.

 

Mentiras sobre alimentação

Mentiras sobre alimentação

picky

Semana passada concedi uma entrevista à Folha de S. Paulo sobre minha dificuldade ao alimentar o pequeno seletivo. Para ilustrar a matéria, um fotógrafo passou a tarde clicando meu filho se recusando a comer coisas saudáveis.

Ele ficou todo apreensivo para saber quando sua foto sairia no jornal e o porquê daquilo tudo.

Então me vi numa saia justa: Não estaria eu reforçando seu comportamento negativo de se recusar a experimentar novos alimentos ao dizer que esse era o motivo das fotos?

Por um momento me arrependi de ter autorizado fazer as fotos.

Além disso, a entrevista me fez refletir sobre alguns pontos:

  • De como eu, desinformada, bati papinha no mixer, e atrapalhei o desenvolvimento do paladar do meu filho.
  • De como eu, enlouquecida por alimentar meu menino, corria fazer outra papinha na primeira negativa. Hoje, com mais “cabeça”, guardo a papinha da pequena e ofereço mais tarde, quando ela se recusa a comer.
  • Será que realmente meu filho come tão mal assim?
  • A genética fala mais alto (marido não come milho, ervilha, palmito, brócolis, abobrinha, couve-flor, verduras em geral, poucas frutas… affão!) ou é possível reedeucar pai e filho?
  • Os pediatras que atenderam meu filho nunca deram muita atenção a essa seletividade. Estariam esses profissionais anestesiados pelas constantes queixas de “meu filho não come” a ponto de generalizarem os casos?

Acaso ou não, a matéria atrasou. E eu matutei como poderia virar o jogo a meu favor.

Daí bateu os cinco minutos da mãe AND psicopedagoga, e inventei de desenhar alimentos saudáveis que meu menino aceita e dar para ele pintar. Então fiz um quadro de incentivo bem simples, e lhe disse que era um álbum de figurinha. Cada dia era preciso comer um legume e duas frutas para completar o álbum de sete dias. Quando ele estivesse completo, meu filho iria até a feira-livre e poderia comprar algo de seu gosto (nas palavras dele, “uma bolacha, uma bala, um pastel, uma cebola…”).

A ideia deu supercerto! Ele comprou um chiclete com uma tatuagem. Pediu um novo “álbum”. E eu, como provedora de alimento que é toda mãe, pude visualizar que meu filho não come tão mal assim. Ele é monótono, mas com incentivo, pode mudar. É preciso respeitar os limites da seletividade dele e focar nas coisas boas que ele topa comer.

quadro

Ontem a matéria foi publicada. E a explicação, para o menino, foi que ele saiu no jornal porque aprendeu a comer diretinho. Sorte ele ainda não saber ler, e eu poder contar essa mentirinha sem culpa. E ele saiu orgulhoso contando para a família que ele come cenoura, espinafre, maçã, cebola…

Missão cumprida? Que nada!

Foi só um passo. Mudar hábitos alimentares não é coisa de quinze dias. São meses de trabalho árduo. Anos… Esperando pela fase da curiosidade.

Escolhas e o lanche não-escolhido

Escolhas e o lanche não-escolhido

Meu filho não precisa levar lancheira, pois a escola oferece o lanchinho (geralmente suco e bolacha sem recheio). Mas vez ou outra há atividades em que eles levam a merenda de casa. Daí eu pego um crânio e saio divagando pela casa: ser ou não ser, eis a questão encher a lancheira de coisas que ele gosta ou mandar frutas, suco natural e pãozinho orgânico, numa tentativa desesperada de dizer que eu me preocupo com a alimentação deste pequeno picky-eater?

A grande dificuldade ao se preparar uma lancheira ou mesmo o lanchinho da tarde em casa é aliar alimentos práticos, saudáveis, que não estraguem na lancheira e que sejam do gosto da criança. E ainda variar o cardápio.

Muita gente acha desnecessário, mas os lanches entre as refeições principais (café da manhã, almoço e jantar) são fundamentais para manter o organismo funcionando bem, já que evitam que a criança passe muito tempo em jejum e auxiliam na obtenção diária de todos os nutrientes.

Em casa ou ao preparar a lancheira, é uma oportunidade de a criança aprender mais sobre nutrição e escolhas saudáveis, já que é preciso juntar variedade e equilíbrio para se oferecer um lanchinho nutritivo e atraente para as crianças.

Além disso, o pediatra e nutrólogo Dr. Mauro Fisberg (CRM 28119) afirma que não existe alimento ruim; o que existem são hábitos alimentares saudáveis ou não. Tudo bem se a criança querer levar uma bolacha recheada no lanche, mas ela deve saber que sua cota de doces para o dia foi aquela. Ou mesmo se ela quiser um chocolate – tudo bem oferecer um bombom, não precisa ser uma barra inteira. O que vale é o bom senso e o equilíbrio.

O mesmo serve para os industrializados tãããão práticos: uma dica é alternar, por exemplo, o suco de caixinha e o in natura. Ou um dia uma bolacha, no outro um bolo caseiro.

E eis uma tarefa difícil: as crianças querem levar podritos todo santo dia porque o colega leva. Ou vai me dizer que você acorda às 5h da matina todo dia para fazer suco, pão caseiro e colher as frutas do seu pomar?

Oferecer um lanche de qualidade, então, envolve variedade (para se ter diferentes nutrientes e a criança não enjoar), moderação (se a criança quiser comer um salgadinho, tudo bem, contanto que isso não seja um hábito e ela saiba que aquilo não é saudável) e equilíbrio (o que há de errado em mandar um suco de caixinha, se em casa tem in natura e o pãozinho é integral?).

* pausa*

lanche

Que linda toda essa teoria, né? Lindo – e gostoso – foi o Sanduíche Rolinho que eu fiz para o lanche da tarde. Fiz com diferentes recheios para garantir o sucesso entre meus meninos seletivos, vulgo filho e marido.

Ia fazendo e comendo porque estava bom. O resultado: marido disse que aquilo não era comida e o filho não provou porque não gosta (mesmo tendo sido o ajudante no preparo).

Me abraça Dr. Mauro! Shora comigo!!!

Mas aqui é perseverança, e vou continuar insistindo. Afinal de contas educação alimentar se aprende com bons hábitos e escolhas saudáveis.

Acredito que proibir determinado alimento não faz parte do meu perfil, porque eu como besteira também, não sou vegan. O que quero ensinar a meus filhos é: tudo bem chupar um pirulito depois do almoço, desde que você tenha limpado o prato e comido uma fruta de sobremesa.

A vida e o prato da gente são feitos de escolhas.

Mais ideias para a lancheira: aqui.


Post inspirado no encontro #lancheirasaudável promovido pela Nestlé.

O que estou aprendendo com meu filho

O que estou aprendendo com meu filho

hand

Quando estava grávida, achava que tinha que ler de tudo para poder entender um pouquinho a vida deste novo serzinho a caminho. Ledo engano! Por mais que eu lesse o equivalente a todo o legado do Mindlin, ainda assim, não estaria preparada para esta aventura que é ser mãe.

Descobri que cada momento é uma descoberta, cada dia gera um novo aprendizado. Os livros ajudaram, e ajudam bastante, assim como os conselhos da mãe, da sogra, da irmã, das amigas. A internet também ajuda, mas por vezes acaba por confundir mais a cabeça atolada de uma mãe de primeira viagem.

Todos os dias descubro que meu limite de paciência pode sempre ser estendido. Que uma risada ou um beijo paga qualquer arte malcriada. E que um beijo ou soprinho de mãe cura muitos dodóis.

Agora entendo melhor meus pais. E sei que um abraço sem razão é gostoso demais. E compreendi que minha sogra deve ser minha melhor amiga.

Com meu filho, agora dou mais valor ao meu tempo e procuro administrá-lo da melhor maneira. Além disso, como mais frutas, legumes e verduras. Não só para dar o exemplo, mas porque preciso de mais energia para aguentar o tranco que é cuidar de uma criança.

Aprendi que meu marido é meu melhor companheiro e amigo. Mas ele não está nem perto de entender as agruras e as doçuras de ser mãe.

Aprendi que todo dia posso ensinar algo a meu filho. Aprendi que aprendo mais com ele , do que ele comigo!

Texto publicado originalmente em 27/4/2010, quando o blog ainda se chamava Cafofo da Mimi

Amar é imperativo

Amar é imperativo

sign

Acorda, filho. Anda, vai logo que já estamos atrasados. Já fez xixi? Tem que fazer xixi. Vai fazer xixi. Vem fazer xixi agora! Desce para tomar café. Toma o leite todo. Come com a boca na mesa e toma o leite. Não grita que sua irmã ainda está dormindo. Vai lá fora brincar de bicicleta. Entra que está chovendo. Não corre. Cuidado. Não mexe aí. Não pula. Já falei para não mexer aí. Se eu falar de novo… Não fica em cima da sua irmã. Para. Vem cá me dar um abraço. Vem comer. Para de brincar com a comida. Corre, vem ver. Não fala assim com seu pai. Não faz isso. Vai devagar. Vem tomar banho. Levanta. Abaixa. Vira. Não foge. Agora não. Depois. Mais tarde. Outro dia. Não. Porque sim. Desce daí. Vem. Agora. A-go-ra! Sobe. Não sobe na sua irmã. Não mexe na sua irmã. Brinca com sua irmã. Dá o brinquedo para ela. Não chora. Vem cá. Deixa eu te dar um beijo. Me dá um beijo. Assim não. Chega. Vamos trocar de roupa. Essa não. Vem por o pijama. Vem deitar. Não faz barulho. Vem me dar um beijo de boa noite. Vem deitar. Deita aqui no colo. Dorme.

 

Imperativo é para se dar ordens, exibir sua vontade. A vontade de quem fala, de quem pede, não de quem ouve.

Pego-me pensando em quantas ordens dou durante o dia. Em como quero ter o controle de tudo – mesmo não tendo.

Pode ser autoritarismo da minha parte. Pode ser apenas uma forma de implantar a rotina, a educação e os limites.

Mas pode ser algo maior, e muito menos notável.

O vínculo entre eu e meu filho ainda é muito forte, muito instintivo, muito passional -  e assim o quero para sempre. Coisa de bicho. Mas sei que o desenvolvimento dele depende da sua aquisição de liberdade e autonomia. É preciso soltar aos poucos as amarras, conforme ele aprende seus limites.

Mas enquanto eu sentir que somos ainda uma coisa só, como se ele ainda fosse uma parte de mim, vou querer que meu imperativo prevaleça. E só quando ele for capaz de se libertar das garras que é um colo de mãe, vou deixá-lo caminhar por si, lançar seus imperativos, sem que eu interfira em suas vontades, ainda que eu não seja quem irá realizar seus desejos.

imagem: weheartit

Porque meus filhos não usaram andador

Porque meus filhos não usaram andador

andandor

Os primeiros passos do bebê: algo emocionante. É a conquista da independência. Motivo de orgulho para a família. E, sei lá porque, bebê-modelo é bebê que faz tudo adiantado. “Meu filho engatinhou com 6 meses!”, “Meu bebê falou com essa idade”, “Quando meu filho era desse tamanho, ele já andava”. Temos pressa.

E a vontade de ver o bebê crescendo cega as pessoas a um ponto em que elas se esquecem que existem etapas de aprendizado. Colocar a criança no andador achando que isso estimulará a marcha é a mesma coisa que colocar uma criança de 2 anos para aprender a ler e escrever: a criança pode até aprender algo, mas vai deixar para trás estágios de desenvolvimento cruciais para sua maturação.

Há quem utilize o andador para estimular (?) o bebê a andar, há quem o use apenas para entreter a criança enquanto se dá conta da vida e há quem o utilize para a criança gastar suas energias, o que a torna mais calma (ou cansada?).

Na minha opinião, e na de muitos especialistas em desenvolvimento infantil, é que nenhuma das razões acima justifica o potencial risco de uma lesão, visto que o “brinquedinho” é o equipamento para bebês que mais causa acidentes, podendo ser queda, choque contra um móvel derrubando algo sobre si, ou algo mais grave, como cair de escadas ou numa piscina.

Além do risco de queda, o andador parece atrasar o desenvolvimento das crianças depois que elas aprendem a andar, até mesmo atrasando seu desenvolvimento mental, já que essa jornada rumo à marcha trabalha habilidades perceptuais e cognitivas.

O que as pessoas deveriam saber é que os andandores na realidade podem atrasar, eu disse ATRASAR, o desenvolvimento motor dos bebês, o que, consequentemente, pode atrasar o desenvolvimento mental deles.

Isso acontece porque o equipamento permite uma mobilidade ao bebê maior do que sua capacidade natural. Ao engatinhar, a criança aprende sobre desníveis, limites e dimensões de objetos. Ficando muito tempo no andador, ela não assimila bem essas noções: é o aparato que toca os objetos, e não o corpo da criança em si; o andandor atinge uma velocidade que naturalmente a criança não conseguiria atingir.

Depois dos 6 meses de idade, os bebês sentem a necessidade de se locomover pelo chão. Por isso mexem pernas e braços vigorosamente, rolam, rastejam, e se enchem de alegria quando conseguem alcançar um brinquedo que estava longe. O próximo passo, então, passa a ser conseguir se manter em pé. Bebês que fazem uso do andador pulam toda essa jornada. Os pés podem adquirir um posicionamento não natural, já que andam pelo chão antes mesmo da criança ser capaz de suportar seu peso sobre as pernas.

Antes de estar pronto para andar, o bebê precisa fortalecer seus músculos, desenvolver a lateralidade, melhorar coordenação motora, desenvolver sua percepção espaço-visual, diminuir a sensibilidade tátil, entre outros aspectos. Pular qualquer uma dessas etapas pode ocasionar dificuldades escolares, já que a aquisição da leitura e da escrita dependem desses fatores.

Numa aula de Aspectos do desenvolvimento neuromotor infantil, um neuropediatra e professor da Faculdade de Medicina do ABC, respondeu sobre a idade ideal para se utilizar o andador: “Lá pelos quinze anos!”. Mais apropriado impossível.

Hoje em dia os andadores são (falsamente) mais seguros, mas ainda não promovem nenhum benefício ao bebê. Vale mais a pena investir numa mesa ou tapete de atividade para entreter a criança: aprendizado mais significativo e sem riscos. Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria inicia esta semana uma campanha contra o uso do andador. E terá meu completo e integral apoio!

Meus filhos rolaram pelo chão, se sujaram sim, se arrastaram, aliás, tem um ser rastejante aqui do lado. Nem em pensamento cogito a possibilidade de um andandor: se preciso fazer minhas coisas, um tapete no chão com brinquedos basta; se preciso estimular a criança, brinco com ela; se quero acalmá-la, uma massagem, banho e colo são ideiais.

Taí um treco que merece ir para a lista de invenções que nunca deveriam ter sido inventadas.

Mercado com crianças – cadê o carrinho?

Mercado com crianças – cadê o carrinho?

 

mercado

Perdi as contas de quantas vezes cheguei a um supermercado, com criança no colo, e não encontrei um carrinho disponível, seja um daqueles com bebê-conforto, seja os que possuem aquele assento interno.

Minha vontade, na maioria das vezes, é dar meia volta e nunca mais aparecer. Então me lembro da trabalheira que é por e tirar a criança do carro, ir a um outro mercado e correr o risco de não encontrar um carrinho também. Sigo a compra, com o que couber em um só braço, porque no outro carrego criança e sacola. Se o rebento já sabe sentar, coloco-o dentro do carrinho e atribuo-lhe a função de organizador das compras – e corro o risco de algum ovo quebrar, um pão amassar. E mentalmente vou desfiando o terço para que nenhum ataque de birra ocorra no percurso até a volta para o carro.

Isso porque ainda não enfrentei uma falta de carrinho com dois filhos e zero ajuda. Se isso ocorrer, dou uma girada, a mãe-leoa incorpora, e quero ver o coro comer!

Já reclamei em SAC, com gerente. A resposta é sempre aquela cara de “eu não posso fazer nada, desculpe-me, senhora, não gostou, vai no concorrente e vê se lá é melhor”.

E a culpa é de quem então?

1) do mercado, que disponibiliza poucos carrinhos com assento para crianças. Quando existem, estão em péssimas condições – sem cinto, amassados, sujos – e raramente se encontra protetor de bebê-conforto (aquele forrinho de TNT) no atendimento ao cliente.

2) dos clientes, que colocam crianças acima do peso e acabam destruindo os assentos e as cadeirinhas. Muitas vezes, é pela falta de opção de um carrinho adequado ao tamanho da criança. Outras vezes, é por pura safadeza. E ainda deixam os carrinhos sujos, com restos de comidas e outras cracas infantis, que vão desde uma babinha translúcida a uma meleca cocozenta que vazou da fralda. Há também os que colocam suas lindas bolsas (Hermès ou não) no assento para as crianças. Meu filho vai a tira colo, enquanto eu faço a performance da mãe-polvo, tentando segurar também as compras e distrair a criança que tenta agarrar as formas coloridas da prateleira, enquanto a bolsa da madame fica descansada na cadeirinha.

3) SUA, que não reclama disso no mercado. Então a empresa acha que está tudo em ordem e não faz as devidas manutenções.

 

Por isso, colega de trabalho (mãe e pai que encara mercado com crianças), proponho nossa união!

Sempre que vivenciarmos uma falta de carrinho em boas condições para nossos filhos, precisamos reclamar com o SAC do mercado, formalizar nossa indignação.

Ligue, mande e-mail, poste foto e reclamação com a tag #cadeocarrinho. Mas se você é daqueles que não tem muita paciência para reclamções, tire uma foto e me encaminhe. Proponho-me a puxar a orelha dos mercados Brasil afora.

É preciso que as grandes redes varejistas saibam que a gente quer fazer compras com tranquilidade com nossos pequenos. Porque na hora de vender e apelar para nossas crias, o mercado sabe bem expor os produtos!

 

Segue uma lista com os links para o SAC de alguns hipermercados:

30 coisas para se fazer nas férias de verão

30 coisas para se fazer nas férias de verão

vera

 

Já pintou o verão!

Há duas semanas, tenho sido “mãe de dois em tempo integral e dane-se a casa”, já que as férias chegaram.

E com elas, chega a curiosidade do filho:

- Já é verão?

- Quando é verão?

- Amanhã é verão?

 

Papai Noel está com o Ibope fraco. O negócio aqui é o tal do verão.

 

E hoje ele acordou 7 da manhã, com um sorrisão:

- Acorda, mãe, é verão!

 

E como o armagedão não deu as caras, levantei da cama, né?

 

E no primeiro café da manhã veranístico, ajudei o menino a fazer uma lista de coisas que ele quer fazer nos dias de férias:

  1. plantar uma semente
  2. ir ao cinema
  3. brincar com bexiga de água
  4. brincar com a mangueira
  5. brincar de carrinho
  6. pegar borboleta
  7. fazer um bolo de cenoura e chocolate
  8. comprar um tênis
  9. fazer goiabinha
  10. ir na vó Nim
  11. fazer sorvete
  12. ir na vó Jane
  13. montar a piscina
  14. fazer gelinho
  15. ir num trepa-trepa
  16. andar de skate
  17. jogar bola no parquinho
  18. comer banana na árvore com um macaco (auge da criatividade… Help!)
  19. ir na praia
  20. ir na fazendinha
  21. andar de bicicleta
  22. tomar banho de chuva
  23. ir numa festa
  24. ir ao teatro
  25. fazer churrasquinho
  26. fazer piquenique
  27. pintar um bicho (não me denunciem à sociedade protetora dos animais)
  28. brincar de massinha
  29. brincar de computador
  30. ir no shopping

Acompanhem a saga no instagram com a tag #30coisasdeverão.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...