Adaptação escolar: erros que cometemos

adaptacao

Se seu filho e você estão passando pela adaptação escolar, confira essas dicas bem-humoradas para encarar esse processo.

Adaptação escolar. Eta coisa mais moderna. Nos anos 80 não era assim, a criança tinha que ir para a escola e, se enrolasse para entrar, tomava chinelada ali mesmo, no meio dos coleguinhas. Deve ser por isso que existe tanto psicólogo bem de vida. Aliás o que seriam dos psicólogos sem mães? Enfim…

O post de hoje é quase um checklist das cagadas que a gente faz na adaptação escolar, e que geralmente causam mais trauma na gente do que nos nossos filhos. Veja aí se você está fazendo tudo errado:

Sentir culpa por deixar seu filho na escola: Se a mãe trabalha, e seu período de licença-maternidade expirou, ela acha que deveria estar em casa, se dedicando exclusivamente ao filho. Se a mãe é dona de casa, acha que não deveria ter essa janela, que deveria estar o tempo todo com a criança, e pensa se homeschooling não é a coisa certa. Não é preciso sentir culpa. Seu filho precisa adquirir autonomia e independência, e isso ele só vai conseguir se aprender a se distanciar da mãe. Troque a culpa por um banho longo, um passeio no shopping, uma cerveja antes do almoço, um encontro com as amigas…

Chorar na porta da escola: Seu filho entra, chorando, esperneando. E seus olhos se enchem de lágrimas. No outro dia, ele entra, feliz da vida, que até se esquece de te dar tchau. E rolam as lágrimas novamente. Porta de escola é um ambiente em que nós, mães, devemos posar de fortes, bem sucedidas, felizes e realizadas. Não pelas outras mães que estão ali (até porque a gente sabe que nenhuma mãe é tão perfeita), mas pelos nossos filhos. Eles precisam sentir segurança. Se virem a mãe chorando, vão achar que algo está errado. Vamos deixar esta parte para as crianças, e desabafar só no carro, ouvindo Adelle, ok?

Ligar a cada 5 minutos: Durante período de adaptação escolar, tudo bem ligar uma ou duas vezes para saber se está tudo bem, se é preciso buscar o filho mais cedo. A não ser que você queira bancar a louca e atrapalhar toda a rotina escolar, ligue desesperadamente. Se seu filho precisar, a escola vai te ligar. Ou você acha que as prôs adoram cuidar de outras crianças enquanto uma chora escandalosamente pedindo pela mãe?

Achar que seu filho passou o dia chorando: Imaginação de mãe é uma coisa absurda. Já falei sobre nossa capacidade de imaginar tragédias quando estamos longe dos filhos, mas vale reforçar. Na escola tem estímulos diferentes, amiguinhos, outros cheiros, outros sabores, outros brinquedos e pessoas acostumadas a lidar com crianças que sentem a falta da mãe em algum momento do dia. Você escolheu a escola por gostar e acreditar no trabalho, não? Ou você matriculou seu filho num lugar em que as tias vão deixar seu filho chorando, porque elas são maquiavélicas, e vão torturá-lo e, ao devolvê-lo a você, ele estará enfeitiçado a ponto de dar um beijo na prô bruxa? Não, né?! Pense em coisas boas, em como seu filho deve estar se divertindo, em como a escolinha é um lugar bacana. E abra aquele chocolate fazendo muito barulho, apreciando lentamente o seu derreter, sem nenhum filho pedindo um teco.

Leia: Mentiras do primeiro dia de aula

Atrasar para buscar: Você prometeu buscar seu filho tal hora, certo? Esteja lá então. Nada mais triste para uma criança do que achar que foi esquecida. Uma coisa é você se atrasar vez ou outra por um motivo qualquer, mas se atrasar na época da adaptação escolar pode atrapalhar tudo. Pense em você, numa sala estranha, com pessoas estranhas e objetos legais, mas estranhos. Você vai se acostumando, tals, mas dá um certo frio na barriga. Nada como encontrar alguém conhecido – a mãe! – para aliviar aquela tensão do novo. E pá! A mãe não chega. Cagaço da “preula” em nunca mais ver sua mãe, achar que ela te trocou por uma balada com as amigas num buffet infantil…

Oferecer recompensa para a criança ficar na escola: Balas, tablet, McDonald’s, sorvete, casa da vó… Guarde essas armas para um outro combate. A escola deve ser algo legal, deve ser a própria recompensa. “Se você não comer tudo, amanhã não te deixo ir para a escola!”. Imagine: se você tiver que comprar a criança ainda na adaptação escolar do ensino infantil, ao ir para a faculdade, à noite, do outro lado da cidade, passar por trote, sua moeda de compra vai ficar cara. Se usar desta técnica, melhor já ir fazendo a poupança para a adaptação escolar da fase seguinte.

Demorar na hora de dar tchau: Mãe, miga, sua loka! Menos. Seu filho só está indo para a escola. Daqui 8 horas, no máximo vocês se veem de novo. Não é um intercâmbio numa região longínqua do Camboja. É um período de aula nos arredores da cidade. Um beijo, um abraço e tchau. Aproveita e já coloca a criança no chão assim que sai do carro (se ela já andar, óbvio. Vai seguir meus conselhos e deixar o bebê rolando pela calçada…). Dessa forma, o risco dela se agarrar a você é menor. E se ela espernear, aponte algo dentro da escola e peça para uma tia mostrar para ela. Funcionava superbem comigo. “Nossa, o que é aquilo ali, um rinoceronte dançando funk?”

Não conversar sobre como foi a escola: Daí a criança volta da escola e… Você estava estressada demais e se esqueceu de perguntar como foi a aula. A volta para a casa é um excelente momento para bater um papo sobre o dia. E se seu filho for daqueles que não conta nada da escola, tente essas perguntas. Tenho certeza de que alguma coisa ele vai te contar.

Achar que a criança está adaptada porque não chorou para entrar: “Meu filho nem precisou da adaptação escolar, nunca chorou para entrar”. Sua vontade é jogar água quente na progressiva da bruxa, mas relaxa. Mande um sorriso amarelo, pois a adaptação escolar é um prato que se come frio. Não é porque seu filho não chora, que ele já está adaptado. Muitas vezes ele se manifesta de outras formas – sendo apático, deixando de comer, fazendo xixi nas calças. É normal. Cada criança reage de um jeito e num tempo. E estar adaptado é se modificar para se encaixar. É um processo lento. Aquela semana de adaptação escolar é mais para acalmar os pais do que qualquer coisa. Às vezes demora meses para a criança entender que aquela será sua nova rotina. Mas quando ela se encaixa, a escola vira uma festa. Será o dia em que ela vai chorar para sair. E você vai se sentir assim:cococavalobandido

 

Não saber quem é a professora de seu filho: Você deixaria seu filho com um estranho? Então… Se a reunião for em breve, converse pela agenda, pergunte à diretora ou à coordenadora, mostre sua cara. O sucesso da educação do seu filho vai depender da sua relação com a escola. Não dá simplesmente para largar a criança na porta da escola, verificar tudo pela câmera, exigir mundos e fundos, e não se mostrar envolvida com o processo. Educação não é prestação de serviço, que dá para terceirizar. Tá todo mundo envolvido. (E agora sai, sai psicopedagoga deste corpo que já não te pertence mais. Agora sou blogueira!)

Usar a escola como castigo: Ameace mandar a criança para escola num dia de feriado, simplesmente porque ela te desobedeceu, e pague um psicopedagogo para o resto da vida. Tudo bem que você tem lembranças péssimas da inspetora, da professora de Edução Moral e Cívica, mas vamos combinar, seu filho está em adaptação escolar, entendendo o que é vida acadêmica. Deixe essas ameaças para a adolescência que devem ser mais úteis.

Trabalhar de olho na câmera da escola: Faça um favor a si mesma: não acesse as câmeras da escola! Você vai ter ataques de angústia cada vez que seu filho chorar ou quando ele sair do ângulo. A câmera serve para matar sua saudade, te dar certa segurança, mas não é Netflix! Aliás, eu mesma sou contra esse tipo de Big Brother. Como a criança vai construir autonomia e independência, se a mãe passa o dia de olho no que a criança faz ou deixa de fazer? Mas isso é assunto para outro post. Enquanto isso, reflita com este texto bárbaro da diva Rosely Sayão.

Leia: Comprar material escolar: o incrível guia de sobrevivência

Sair de fininho: Você vai de mãozinha dada com seu filho até a salinha dele, conversa, brinca um pouquinho, seu filho se distrai e aí, pah!

SbxbQcD0

A mãe sai de fininho, some, sem dar tchau. Mano, deve ser desesperador! Tipo você naquela festa. Foi com sua amiga, tá legal, tem gente bonita, mas você não conhece uma viva alma. E daí sua miga some. Imagine com filho! Sacanagem. Seja franca, diga que volta depois que ele jantar, que ele vai conhecer amigos, que há muitas atividades bacanas, que ele vai poder brincar o dia todo, dê tchau, e pronto. Pode ser que seu filho chore. Pode ser que ele chore muito no começo. Mas as professoras estudaram, se prepararam e estão acostumadas a lidar com este tipo de situação.

Pensar em tirar a criança da escola: Não queira voltar atrás e tirar seu filho da escola – isso vai transmitir mais angústia a ele. Encontre forças nos momentos bons, nas suas memórias de escola. Divida com seu filho suas memórias. Dói saber que nosso bebê está crescendo, mas dói mais saber que ele é dependente de nós, sem autonomia. Ajude-o a se tornar uma pessoa resolvida, que goste do ambiente escolar, que saiba se virar. Afinal, ser mãe não é cuidar do filho para sempre. Ser mãe é ensinar esse filho como se cuidar para o resto da vida.

E você, sofreu muito durante a adaptação escolar? Conte para a gente!

9 comments

  1. Sobre recompensas, aqui fazemos assim mesmo: se não comer, amanhã não tem escola; se não tomar banho, vai dormir de tênis ou vamos cortar o cabelo (o Ben odeia cortar os cabelos), enfim, sempre umas coisas bizarras. Rsrs

    E nem preciso dizer que qd vc me indicou as perguntas para saber como foi o dia na escola, o papo aqui deu uma melhorada. Rs

    🙂

  2. Diirce, muito bom! Divertido. O gift é sensacional. Ser o parasita do cocô do cavalo do bandido! Hahahahahaha.

  3. Esse post caiu como uma luva para mim, que mesmo depois de já ter dois filhos na escola estou com o coração partido por conta da terceirinha que foi hoje aos cinco anos pela primeira vez! Obrigada!

  4. Nossa amei! Esse post com certeza me ajudou muito!

  5. Preciso já ir preparando o post da ida para a escola sozinho. Tem adaptação p isso p as main?

  6. kkkkkk, ri demais desse post. Fui abaixando na cadeira cada vez que me identificava. Pensei em tirar da escola, fiquei pendurada na câmera assistindo (confesso que coloquei um laço enorme na cabeça de cada uma para identificar melhor nas imagens), dentre outras bizarrices (como mandar quatro opções de biscoito diferente para garantir que as meninas não iam passar fome). Hoje (um mês depois do início das aulas delas) estou menos neurótica. Tenho duas meninas (uma de quatro e uma de dois anos) que nunca tinham saído dos meus cuidados, e que quando não estavam comigo estavam com um anjo de babá, e esse ano me vi obrigada a colocá-las na escola. Graças a Deus é só meio período porque sou professora e consigo trabalhar por 30 horas, mas acho que esse turno passa mais rápido para elas que para mim! Muito legal ler tudo isso e desanuviar das neuras maternas! Adoro seu blog.

    • Laila
      Não é fácil cortar o cordão umbilical e deixar nossas crias aos cuidados de uma pessoa com quem não temos intimidade. Mas, como profe, vc deve saber que o relacionamento da família com a escola no geral é o que traz mais tranquilidade p ambos os lados, né?
      Bjs e obrigada pelos elogios! Meu dia fica mais lindão qdo leio essas coisas boas. 😉

Deixe uma resposta