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Comida, limpeza, um filme, uma rápida ligação telefônica: eu não consigo terminar nada com os filhos ao lado.

Ser mãe nos traz diversos benefícios, e um deles é o desenvolvimento mental. Alguns estudos indicam que já na gravidez, a mulher faz novas conexões neurais que auxiliam o aprendizado e a memória. A prova é que aprendemos a lidar com um bebezico com rapidez, e gravamos na memória coisas das quais nossos filhos jamais se recordarão.

Outro benefício é a habilidade de poder realizar diversas tarefas ao mesmo tempo. Mulheres, biologicamente, fazem isso com mais facilidade que os homens, mas depois da maternidade essa capacidade ganha um upgrade, já que é preciso cuidar da própria vida, da vida de um ou mais filhos, da casa…

Entretanto, a maternidade traz um prejuízo inestimável para qualquer ser humano: a dificuldade em terminar de executar tarefas.

Tal perda parece se agravar de acordo com o número de filhos. Repare. Com um filho, paramos de cozinhar para levar filho apertado ao banheiro, largamos o banho no meio para dar colo a filho que chora, largamos o prato de comida para dar de mamar a um bebê faminto.

Com a chegada de mais um filho, as interrupções aumentam: para apartas brigas, entreter um filho que quer atrapalhar a brincadeira do outro, limpar o suco de um que o outro derramou.

Eu não consigo terminar nada. Largo tudo no meio na esperança de retornar àquela atividade em breve, mas uma nova interrupção desvia meu foco para outra coisa. E assim sigo procrastinado as coisas compulsoriamente.

Largamos a panela no fogo porque tem um nariz escorrendo, e você não quer ver aquela meleca nos cabelos de seu filho ou nos móveis da casa.

Paramos de pendurar a roupa no varal porque a criança está empolgadíssima com um negócio e “você precisa ver isso, mãe. Olha! Olha!”.

A pessoa do outro lado do telefone fica sem retorno pois precisamos resgatar um filho escalando a estante ou puxando os 30 metros de papel higiênico do rolo.

Seus afazeres diários que demorariam apenas 30 minutos para serem executados com sucesso, acabam exigindo as 24 horas de seu dia para ficarem meia-boca depois de tanta interrupção.

<<Tempo para si mesma depois dos filhos>>

Então, você não consegue mais terminar nada!

Quase enlouquece porque a louça ficou na pia, a roupa foi esquecida de passar e o jantar vai ser pizza mesmo.

De todas as habilidades maternais desenvolvidas, sinto falta de uma: a de ignorar comentário de marido que chega do trabalho, dá uma olhada para o caos da casa e solta aquele “Mas você ficou em casa o dia todo”.

E a vontade de partir para um MMA com o marido no chão sujo da cozinha é interrompida pelo barulho de alguma coisa caindo lá no quarto das crianças.

Em tempo, Marisa Monte me representa: