142368A Jo-Jo é minha mestra, e as tiazinhas da SOS Babás também sempre dão boas dicas. Sou formada em psicopedagogia e tenho muito interesse em estudar comportamento infantil. Ainda não cursei Psicologia, porque tenho medo de conhecer a mim mesma, mas um dia, muito em breve, eu encaro este desafio.

Depois da apresentação de meu breve currículo, quero dizer que aqui em casa disciplina é tudo. Desde que o pequeno nasceu, esse negócio de livre demanda não impera. Tracy Hoggs não me açoite, já vou me explicar!

Quando o pequeno nasceu, eu aprendi que ele estava chegando à nossa família e deveria se ajustar à ela, e não o contrário. Claro que nos primeiros meses tudo é adaptação: a gente cede um pouco, e tudo se encaixa. Aos 2 meses, o filho já dormia sozinho em seu berço, às vezes por 6 horas seguidas. Se acordava de madrugada, era para mamar, trocar a fralda e só. Claro que, vez ou outra, o negócio escapava do controle, mas sempre estabelecia uma rotina e um esquema de ações para que ele soubesse o que iria acontecer e quando era hora do quê.

E aqui tudo tem hora: hora de comer, de dormir, de banho, de bolacha… Se vou negar algo, a melhor explicação é “agora não é hora disso”. Tem vezes que ele mesmo fala “agóia num é hóia?”. A rotina e a sequência de ações dão segurança aos pequenos, tanto é que, mesmo sem saber ver horas, quase todos os dias o filhote já vai subindo as escadas por volta das 19:00 avisando que vai tomar banho.

Mas se o mau comportamento dá o ar da graça é cantinho pensamento ou brinquedos no castigo: “Se você continuar fazendo isso, vai ficar sem carrinhos até amanhã”. E fica mesmo. Pode chorar godê (como diz minha mãe), mas não devolvo. Outro dia o pai não sabia o que um cavalo fazia na garagem e foi devolvê-lo ao menino: “Não, o pototó tá de sastido”.

O cantinho do pensamento é o último recurso, pois é torturante para a criança – e para a mãe – deixar uma figura de 2 anos sentadinha no cantinho, pensando na próxima arte. Mas às vezes é a melhor opção. Para sair, só com um pedido de desculpas sincero.

E como ensiná-lo a pedir desculpas? Simples, pedindo. Se estou nervosa e perco o jeito com ele, paro, me acalmo e peço desculpas: “a mamãe tava nervosa, você me desculpa?”. Não tenho vergonha, nem acho que isso tira minha autoridade. É questão de exemplo, de reciprocidade de sentimento.

Mas por que nem sempre isso funciona? Porque filho com fome, sede, sono ou vontade de ir no banheiro fica sem controle, doidão. E por que isso não funciona nas festinhas? Por causa do ambiente desconhecido, da insegurança que as outras crianças provocam, da euforia.

E, cá entre nós, as crianças precisam mesmo pintar o sete de vez em quando. Sair da rotina é o melhor remédio para a monotonia. Deixo a criança aprontar de vez em quando, deixo fazer uma arte. Deixo ela ter história para contar para os meus netinhos.