Todos os dias a gente se assusta com os depoimentos, mas não há nada melhor do que a informação para proteger seu filho da pedofilia. Todos os dias a gente fica arrepiada de ver a notícias e saber de operações que prenderam centenas de pedófilos ou de saber de casos horrendos em que alguém bem íntimo ou até da família era o abusador. Mas eu não vim aqui trazer tensão para nossas vidas, mas maneiras bem simples que vão ajudar nossas crianças a crescerem em segurança e com afeto.

Como proteger seu filho da pedofilia.

1) Monitore o que seu filho faz online

Nesses tempos em que nossos filhos ficam mais tempo do que desejamos em frente às telas por uma séries de motivos, ficar de olho no que eles fazem online é essencial. Não precisa arrancar os cabelos! Você não vai ter que deixar de trabalhar nem fazer suas coisas para proteger seu filho da pedofilia. A questão não é ficar em cima 24 horas, mas, pelo menos uma vez por semana, pegar o equipamento que seu filho usa e ver os apps que ele usa, as mensagens que ele troca, as coisas que ele posta (saiba aqui qual a idade certa para cada rede). Ou então sente-se ao lado dele e mexa no seu celular enquanto ele mexe no dele e vá observando o que ele faz. Além disso, há inúmeras ferramentas de controle parental, que permitem monitorar os apps, o tempo, a localização e fazer diversos bloqueios. A que eu uso é gratuita, bem amigável e eu já ensinei como eu uso aqui neste post.

2) Tenha cuidado com o que você posta

Boa parte do material que circula na rede de pedófilos é postado pelas próprias famílias em suas redes sociais. Crianças nuas ou em trajes mínimos, crianças dançando de modo adulto ou fazendo caras e bocas como influencers adultos. Aquela imagem engraçadinha ou aquele vídeo do tipo “minha menininha cresceu” pode valer algumas cifras no mercado negro da pedofilia. É nojento, mas é o que acontece. Eu já falei sobre as fotos que a gente nunca deve postar das crianças, mas nunca é demais relembrar: perfis de crianças devem ser fechados e controlados pelos responsáveis.

3) Fique atento a mudanças de comportamento

Um dos sinais  de que algo não vai bem com a criança é a mudança de comportamento: fome demais ou de menos, quieta demais ou agitada demais, melancolia, choro, crises de insegurança, medos repentinos. Esses sinais indicam fragilidade psicológica da criança em lidar com algo. Esteja sempre atento para poder auxiliar a criança se ela estiver precisando. Pode ser apenas um ocorrido que a chateou, mas pode ser sinal de algo mais grave. E se o apoio da família não estiver dando conta, não deixe de buscar a ajuda de um psicólogo ou psiquiatra: tratar a saúde mental é uma nova necessidade da nossa sociedade.

4) Ensine as partes do corpo desde cedo

Aproveite a hora do banho para ensinar o nome de cada parte do corpo, não só com eufemismo (como pipi, periquita, peitinho), mas também com os nomes corretos (pênis, vagina, seios). A criança precisa ser educada sobre seu corpo. E esse autoconhecimento lhe garante confiança e a construção de limites vai proteger seu filho da pedofilia.

5) Ensine sobre privacidade

Sempre mostre as partes que podem ou não ser tocadas, principalmente se ele já souber nomear todas elas. Tem um material muito legal e gratuito sobre isso: Pipo e Fifi. Aos poucos seu filho vai criar a noção de privacidade e, inclusive, vai sentir vergonha de você limpá-lo ou lavá-lo no banho. Daí é hora do próximo item de como proteger seu filho da pedofilia.

6) Mostre quem faz parte do círculo de confiança

Escolha até 5 pessoas para fazer parte do círculo de confiança da criança, ou seja, pessoas com quem ela pode dividir segredos. Pode ser mãe, pai, avó, professora… Quanto menos pessoas, melhor. Tendo esse círculo, ela sabe que tem com quem contar. Mas vale deixar bem claro que não é para ninguém desse círculo sair espalhando os segredos com o resto da família porque “eram fofinhos demais”. Vai ter hora que seu filho vai dividir que chorou por causa de uma formiguinha. E vocês estão no círculo de confiança. É sigilo e ponto final. Não conte para ninguém, muito menos divida a fofura nas redes sociais.

7) Ensine a criança a se defender

Calma lá, não estamos falando de nenhuma arte marcial (se bem que toda arte marcial ensina valores incríveis), mas não é o caso de defesa física. Ensine a criança a pedir ajuda, a gritar, a decorar o telefone dos pais, a pedir ajuda. Se defender é saber dizer não para qualquer coisa,

8) Não force a criança a cumprimentar pessoas

Pode parecer falta de educação, mas quando a gente força a criança a beijar e abraçar pessoas, ela entende que adultos podem beijar e abraçar as crianças, mesmo contra a vontade delas. E olha aí outra maneira simples de proteger seu filho da pedofilia. Ensine a dar um oi de longe, explique a importância de cumprimentar e despedir, diga o quanto as pessoas esperam esse contato, mas não force. Deixe que venha dela.

9) Não cuidem só das meninas

Só porque temos filhos meninos, achamos que eles estarão menos vulneráveis à pedofilia, e é aí que mora o perigo. Precisamos cuidar das crianças independentemente do gênero. A Nana Queiroz abordou o assunto de uma forma muito clara e relevante. Vale a pena ver como os homens são silenciados em seus abusos porque precisam ser machos.

10) Criem laços fortes

Essa é a melhor forma de se criar crianças saudáveis: tendo laços fortes com a família. E como a gente faz isso, dona diiirce? No dia a dia, com pequenas ações, brincando, ajudando em casa, observando a natureza, lendo ou apenas conversando (veja aqui perguntas para incentivar a conversa nas famílias). O melhor jeito é a gente liberar a criança que existe na gente para brincar com seu filho, para desfrutar momentos que a gente tem vontade de guardar num potinho. São esses laços que vão permitir a gente enxergar mudanças de comportamento, que a criança vai permitir ser monitorada sem ter a privacidade invadida ou que vai se sentir segura para dividir segredos.