Outro dia, papeando com as amigas do Test Drive Mami, a Ranne me falou de uma mãe que também perdeu seu filho e, para não desmoronar, se deu o direito de enlouquecer.

Parece que estou indo pelo mesmo caminho…

Às vezes me acho insensível. Tenho a impressão que devia estar depressiva, chorando dia e noite a perda da minha menina. Revirando fotos e objetos, remoendo a dor. Ou então deveria estar me revoltando contra os médicos, o hospital, contra Deus, contra mim mesma. Ou me afastando das pessoas, ficando sozinha em casa, me protegendo dentro da minha casca.

Fui ler um pouco sobre o luto e suas fases, mas, em meu leigo conhecimento, não pareço me enquadrar em nenhuma delas. Primeiro sinal de que devo estar enlouquecendo mesmo. Além disso, parece que o luto pela perda de um filho é o único que não se enquadra em padrões, pois é considerado o maior gerador de ansiedade. A maior dor que alguém pode ter. Segundo sinal.

jacketE para não perder a razão, estou enlouquecendo. Encontrei uma fuga aqui, no computador. Acordo e já ligo a net: confiro e-mails, me distraio no twitter, atualizo minhas coisas, leio e escrevo. Escrevo muito. Vou colocando tudo para fora. Algumas coisas eu publico, outras, não. Deixo para depois. E assim o tempo passa que eu nem percebo.

Tenho certeza de que tem muita gente me acha doida por ficar o dia todo falando sobre amenidades no twitter e no FB. Mas é isso que tem me dado força. Falar sobre outras coisas, receber o apoio de outras mães e amigos. Comentar o casamento do príncipe, falar do almoço, comentar fotos, curtir, deixar recados nos blogs, …

Se você acha que eu deveria estar reclusa, deprimida em meus pensamentos, pode me amarrar na camisa. Eu não ligo. Tenho um filho de 2 anos, que ainda é um bebê, tenho marido, tenho família que precisam de mim disposta e forte. Ficar para baixo só vai trazer mais tristeza e melancolia. E eu tenho certeza que minha princesinha, onde quer que ela esteja, não iria gostar de saber que ela está deixando as pessoas queridas assim.

Penso nela, em como ela gostaria de ver sua mãe, seu pai, seu irmão, seus avós, seus tios, primos e primas. Daí me recomponho e ponho a cabeça e os dedinhos para trabalhar. Solto os cachorros, faço piada.

E vou levando a vida, na minha camisa de força.