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Mães de meninos possuem um desafio, além de tantos outros, como se acostumar a lidar com um órgão que não possuímos, providenciar um corte de cabelo todo mês, suportar chulé. Acredito que as dificuldades são compensadas pela facilidade que temos em combinar roupas (tudo combina com tudo, e mesmo se não combinar, está ok, homens nunca combinam nada mesmo), comprar sapato (um tênis resolve quase todos os seus problemas), separar brinquedos (meninos se contentam com uma bola, já as meninas precisam de uma boneca, sua roupinha e, no mínimo, uma mamadeira) e fazer xixi (toda mulher já teve o desejo de poder fazer xixi em qualquer canto, ainda que sua educação moral não permitisse tal façanha).

Ser mãe de menina é algo mais automático. Entendemos suas necessidades, seu corpinho, sua linguagem. Ser mãe de menino exige um pouco mais de reflexão, já que não pensamos como seres masculinos. Embora digam que até os seis anos as crianças são as mesmas, sem evidenciar suas características relativas ao gênero, eu acredito que a influência dos pais acaba refletindo no comportamento dos pequenos. Criamos meninas com mais meiguice, criamos meninos no estilo “caiu? levanta e vai de novo”. É natural, é do nosso comportamento instintivo.

Ultimamente vejo um movimento lutando pela liberação sexual dos brinquedos: carrinhos para meninas, panelinhas para meninos, lutas para meninas e bebezinhos para os meninos. A verdade é que nunca foi tabu ver uma menina brincar entre os meninos. Agora o brio fala mais alto quando vemos nosso varãozinho brincando de boneca no meio das garotas.

Ah! É preciso valorizar este lado nos garotos, embutir em suas pequenas mentes que o homem pode e deve realizar os trabalhos de casa e da paternidade sem ferir sua virilidade. Deixem o judô para lá, matriculemos nossos filhos no ballet, se for da vontade deles! Mas não antes de passar semanas mostrando que judô é bacana, que os amigos fazem judô, que todos os heróis fazem judô, que não existe homem que faz ballet, que para fazer ballet tem que usar vestido e meninos não usam vestido.

Criamos nossos meninos num misto de ser másculo e sentimental. Criamos’ pequenos gentlemen, que sejam doces e protetores num futuro que esperamos ser muito distante. Nós, mulheres, criando meninos… Exigiremos deles a brutalidade para revidar o soco no coleguinha, mas a doçura para beijar a menininha, sem parecer afeminado.

E será que nossos meninos compreendem essas inconstâncias femininas: nem frio, nem quente, nem doce nem salgado?

Acho que a maior batalha das mães é fazer brotar nos corações dos homenzinhos a afetividade, fazer que eles exponham e exprimam seus sentimentos, como fazem as garotas (ora até demais!). Creio que oferecemo-lhes panelas e vassouras, bonecas e casinhas com o intuito de apresentar-lhes ferramentas para se expressarem. Os homens são tão fechados… Não abrem o coração por medo, mas pela dificuldade em falar o que sentem.

Assim, buscamos criar indivíduos que saibam colocar para fora suas aflições, sem amargar sentimentos dentro de si.

Até que conseguimos!

Geramos garotos chorões, que por qualquer motivo botam a boca no mundo. E num ímpeto para conter aquela manha que nos tira foco, soltamos uma mentira sexista que acaba por contradizer todo o trabalho de educação sentimental que acabamos de fazer: “Para com isso que menino não chora!”.

E então crescem os guris, que acabam por não entender essa volubilidade feminina…

 

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