casadevo

 

É difícil criar um filho sem a ajuda delas, mas lidar com os pequenos após poucas horas na casa da vó é como ligar um liquidificador sem a tampa.

“Mãe, você pode ficar com eles amanhã?”

“Sogra, as crianças podem dormir hoje na sua casa?”

Basta ouvir uma dessas frases para as crianças irem à loucura. É como se o som da palavra acionasse nas crianças o botão “despirocar modo turbo”. Eles ficam alucinados antes, durante, e voltam para casa como pequenos monstrinhos birrentos e manhosos. Um tarde na casa da vó equivale a 3 dias de trabalho de imposição de limites pelas mães. Por isso, criei o Código de Conduta da Vó, para que essas mocinhas (e mocinhos, no caso dos avôs) saibam o que pode e o que não pode na vida das crianças. Será que na casa de vó pode tudo?

1. As roupas das crianças devem obedecer ao ano e ao clima. As camisetas agora ficam para fora da calça, não para dentro como nos anos 80. E não há necessidade de se encapuzar tanto uma criança quando está 25 graus lá fora.

2. Não é preciso atender a todos os pedidos das crianças. Seja brinquedo, guloseima, tablet na hora das refeições, sobremesa sem ter comido direito. A desculpa “mas ele quer…” não colava comigo quando eu era criança.

3. Sonia Abrão e Datena não fazem parte da programação infantil da TV. Cuidado com o que passa na TV. Os pequenos podem não estar assistindo, mas eles estão prestando atenção.

4. Cadeirinha do carro é lei. Entendo que na sua época não havia a necessidade disso, mas também não havia a mesma quantidade de carros na rua, nem motoristas tão estressados quantos os de hoje em dia. Se temos cadeirinha, ela deve ser utilizada.

5. Você não é médica. Os avós têm a incrível capacidade de diagnosticar doenças com apenas um sintoma. Tossiu, é bronquite. Febre, é garganta. Coçou a orelha, tá com o ouvido inflamado. Se fosse assim, os hospitais estariam contratando avós em vez de especialistas em saúde infantil que estudam anos, e sabem das mais avançadas pesquisas.

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6. Doces e guloseimas não fazem parte do cardápio do dia. Tudo bem querer liberar uma besteirinha aqui, outra ali. Mas bolacha recheada, bala, achocolatado, pão de mel e salgadinho não são boas opções para lanchinho da tarde. O bom e velho bolo de laranja da vovó existe para isso.

7. Sua época passou, agora nós fazemos assim. Antigamente se enrolava a criança, dava-se suco com 2 meses, colocava-se mel na chupeta para a criança pegar. Hoje sabemos que as coisas são diferentes: o bebê pode ficar soltinho, para se movimentar, o aleitamento materno exclusivo vai até os 6 meses, e mel só é permitido depois de 1 ano de idade. As coisas mudam, a pediatria e a puericultura evoluem – ainda que algumas dicas da vovó sejam preciosas, como a maisena. Se não, estaríamos lavando fraldas de cocô na beira do riacho até hoje. 

8. O cochilo da tarde tem hora para acabar. Da próxima vez em que o netinho for dormir na casa da vó, vou deixá-lo cochilar até às 20h para que a vovó entenda a real consequência disso.

9. Chega de presentes. Salvo no aniversário, Natal e Dia das Crianças. Minha casa já tem bugiganga suficiente para montar 3 lojas de 1,99.

E por fim:

10. Casa de Vó NÃO pode tudo: Desautorizar as regras combinadas entre mães/pais e filhos na sua casa não é bacana. A gente espera apoio de nossos pais ao educar nossos filhos, não pessoas que ensinem que palavra de pai e mãe não vale nada. Vocês já foram pais, e deveriam saber da dificuldade que é educar uma criança. Porque estragar o trabalho de seus filhos bem agora? Se papai e mamãe falarem “não”, não vale ficar de segredinho com neto, acobertando as puladas de combinado, né?

PS: As vovós por aqui são muito amadas e queridas… Mas tenho vontade de fazer um quadro com esse código e pendurar na casa delas de vez em quando.