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Sentada aqui, na espera do pronto-socorro pediátrico, fico refletindo se o pediatra que acompanha meus filhos é o cara mais bacana. Se os médicos aqui do ambulatório vão examinar com propriedade as crianças que aqui estão. Se os pais vão acatar cada diagnóstico dado.

Por um lado, é difícil encontrar um pediatra parceiro, daqueles em que confiamos, daqueles que confiam na gente a ponto de dividir um número de celular para as horas punk. Principalmente se utilizamos nosso plano de saúde. Nas primeiras consultas, tudo é muito legal. Depois, elas ficam rápidas, e as perguntas são respondidas a seco. Fico com a sensação de estar levando corpinhos para um exame, não crianças para um acompanhamento.

Por outro, acho que os pais estão cada vez mais exigentes e mais informados. Ficam questionando toda e qualquer fala do pediatra, como se o Google desse conta de toda uma carreira em medicina. Os pais não conseguem mais dizer “o pediatra orientou”. Os conhecidos, o fóruns de discussão, a vizinha têm mais credibilidade. Vai de acordo com a conveniência daquilo que os pais querem ouvir – mesmo que não seja o diagnóstico mais acertado.

Pois não é que eu achei uma solução? A cortina se levanta e começa um projeção holográfica, porque data-show tá ultrapassado!

 A Convenção Pediátrica das Mães

Cada hospital deveria ter um grupo de meia dúzia de mães, um computador e pronto. Chegam os pais com a criança e um problema. A convenção analisa todos os sintomas, dá um Google e se reúne numa rápida discussão. Como num tribunal, dá veredito final: É virose, é gripe, é manha.

Para os casos de divergência ou os que requerem dados mais clínicos, aí, sim, o pediatra plantonista é solicitado.

Muito mais credibilidade e conveniência. Mães felizes e realizadas dando pitacos e palpites como profissão. Pediatras menos sobrecarregados. Pais contentes e satisfeitos com o tratamento.

Não ia ser o máximo? Tirando que além do diagnóstico, as crianças iriam utilizar muito menos antibióticos, e bem mais chazinhos e mandingas. As avós iriam recuperar seu valor!

 

Brincadeiras à parte, acredito que o que falta é um pouco mais de atenção, de ambas as partes: os médicos precisam ouvir mais as queixas dos pais, escutar o que as crianças têm a dizer, discutir com os pais numa conversa, num bate-papo. Os pais também precisam refletir, questionar, mas sem querer testar os conhecimentos do médico, ou não aceitar um diagnóstico porque não é exatamente aquilo que se espera ouvir.

O ideal seriam consultórios sem aquela mesa/muralha que divide o espaço pais-pediatra. Os médicos não estão na sala de cirurgia, estão no consultório: lugar onde paciente busca informação, opinião mais experiente. Não um diagnóstico fechado e pronto, como receita de bolo.

E, a propósito, nunca encontrei um pediatra que me desse o número do seu celular, e acredito que esse não seja algo relevante. As gerações anteriores criaram filhos sem esse advento, e nem por isso o número de mortalidade infantil se alterou.

Dica: O pessoal do Mamatraca está com uma discussão ótima sobre o assunto. Passem lá!