EU não sei amar meus filhos igualmente

Um bebê está a caminho, e a dúvida que surge é: será que vou amar meus filhos igualmente?

O primeiro filho nasce, e a gente enfim descobre o que é o amor. Antes disso a gente achava que sabia o que era esse sentimento. Mas só depois dos primeiros olhares e toques com nosso bebê, a gente passa a perceber que o amor pelos pais, pelos irmãos, pelo marido, pelos amigos é amor, mas o amor que a gente sente por um filho é coisa louca, coisa rara, coisa pura. Aliás, quando é que a gente vira mãe? Eu já falei sobre isso aqui.

É um negócio que nasce de mansinho, durante os nove meses da gestação. Parece semente germinando embaixo da terra, que um dia, de repente, explode para fora. Escutamos o choro, sentimos o cheiro, tocamos a pele, amamentamos. E o amor vai se intensificando, ficando mais vivo, como plantinha crescendo. A cada mamada, cada cafungada no cangote, cada choro acalmado apenas com o som da nossa voz é uma folhinha que vai brotando nessa árvore gigante que é o amor.

Tudo muito lindo, florido e colorido maternalmente. Até que você descobre que terá mais um filho. Daí então surgem as mais loucas dúvidas na sua cabeça: Será que eu vou amar o outro filho tanto como eu amo este primeiro? Será possível haver mais amor para outro filho?

A insegurança comigo foi tanta que, durante a gestação, eu cheguei a ter a sensação de que eu estava traindo meu filho. Não seria possível haver mais amor. Para mim, aquele sentimento era um recorde emocional. Aquele negócio de “sempre cabe mais um” era estranho para mim.

Até que minha filha nasceu e mostrou que, sim, é possível amar mais. Ela veio me mostrar que o amor de mãe não se divide: ele se multiplica pelo número de filhos. Não dá para explicar, mas o sentimento de insegurança de não haver amor para dois some, desaparece magicamente no primeiro contato. E uma nova explosão de amor te consome.

Nessa última gestação, eu tive medo também. Eu sabia que amaria aquela criança, mas tinha receio de amar diferente. De mais ou de menos. Minha angústia era se conseguiria me dividir entre as crianças. Se elas se sentiriam amadas da mesma forma.

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Um mês depois venho aqui dizer que meu medo tinha fundamento. Eu não amo os três da mesma forma. Até porque cada um tem sua personalidade, suas manhas, suas carências. Amá-los da mesma forma seria hipocrisia da minha parte. Amo cada um à sua maneira. Há dias em que estou mais apegada a um do que ao outro. Há dias em que me vejo mais em um do que no outro; há fases em que vejo meu fracasso nas dificuldades de um filho, e sinto que faltou uma pitada de amor ali.

Não se pode ser perfeita. A maternidade não tem fundamento assim. A maternidade é um laço, belo em suas curvas e nós. Ela não é uma reta, indefectível e chata.

Ser mãe nos dá uma única certeza: amamos nossos filhos. Sem “se”, “senão”, sem contradição. E ponto.

Mas passamos o resto de nossas vidas com uma incerteza sobre esse amor. Dúvida que guiará nossos passos na educação de nossas crianças: será que meu filho me ama?

E você, tem os mesmos receios que eu? Também teve (ou tem) medo de não amar os filhos igualmente? Aguardo sua respostas nos comentários. 😉