Sempre crucifiquei pais ao ver uma criança fazendo manha em local público. Achava sempre falta de pulso e de conquista de autoridade. Desfiava o discurso psicopedagógico com minhas caraminholas ou com quem me fizesse companhia.

Aquela cena da criança berrando, se jogando no chão, esperneando, batendo nos pais, para mim, era abominável. A pura prova da incapacidade dos pais em lidar com as emoções de seus filhos.1558071_f496

Eis que fui posta à prova! E tive uma decepção… Na fila da farmácia, cheia de gente, meu filho de 1 ano e 8 meses quis pegar os objetos da prateleira, enquanto eu friamente contestava seu desejo e buscava a carteira no fundo da bolsa. Ele fez uma força danada para se soltar, e eu, na ânsia de alcançar logo a carteira e conter o rapazinho, puxei-o e disse que não.

Abriram-se, então, as cortinas do espetáculo: ele se jogou no chão e reinou! Na mesma hora, esqueci-me do que estava caçando na bolsa, agachei-me à sua altura e expliquei-lhe e motivo: “não pode mexer nas coisas da farmácia, porque não são suas e podem se quebrar”. Sem ouvir um foneminha do que eu havia falado, o filhote não hesitou e meteu um tapa no meu rosto (coisa que ele fez pouquíssimas vezes em casa e sempre veementemente punido).

Meu mundo veio abaixo: ou eu sempre estive enganada a respeito dos pais ou poderia me considerar uma mãe incapaz.

E o que fazer nessa hora? A vontade era largar ele lá, sentar na calçada e chorar feito uma criança mimada. Mas era exatamente isso o que eu estava tentando evitar: a mimalhice.

Larguei as compras, perdi o lugar na fila. Peguei meu filho pela mão, levei-o para fora da farmácia, agachei mais uma vez e falei-lhe em poucas e curtas palavras o quanto aquele comportamento me deixara desapontada e triste. No fim, fui surpreendida com um beijo. Desmanchei…

Voltei séria à farmácia, cederam-me o velho lugar na fila. O olhar dos outros clientes não pareciam me fuzilar. Brincaram com meu filho, e ele, educadamente, respondeu aos gracejos sem tocar em mais nada.

Acho que aprendi a lição: todos os pais têm sua prova. Se você fez o dever de casa certinho e estudou, você acaba se dando bem.