mestre

 

Você sabe muito bem o quer da sua vida até ter filhos.

O poder de decisão está todinho em suas mãos até chegar o rebento.

Depois, são eles que inconscientemente ditam suas predileções: só se sai para onde exista fraldário, só se fica mais de 3 horas fora de casa se houver água quente e sinal de celular, se não tem parquinho não se aceita o convite, se o barulho é alto deixa para outro dia.

Não se come mais aquele chocolate na hora em que se quer, não se escuta o noticiário, não se leem mais livros que não sejam contos de fadas e fábulas.

Às mães só resta o direito de querer. E queremos. E ficamos na vontade. Com um sorriso no rosto!

Vai entender…

Como dá para botar fé numa mulher que tem TPM, gera um filho no seu ventre, além de todas as outras alterações humorormonais (neologismo próprio) típicas do gênero?

Sinceramente, nem eu me entendo.

Outro dia, aquele de caos (veja aqui 15 maneiras de arrumar a casa com as crianças), em que as crianças choram ao mesmo tempo, bem na hora em que a campainha toca, o arroz gruda na panela e alguém te chama pelo celular. Naquele dia eu desejei sumir. Desejei que um portal se abrisse em minha frente, exalando cheiro de incenso e chocolate, luminoso como aquele túnel pré-morte, e me tragasse a um mundo novo, com paisagem de Teletubbies, apenas alguns piados de pássaros e o som de uma harpa, manicures e esteticistas à disposição, um garçom-gato de calça branca e sem camisa viesse me servir um Big Apple geladinho… Acordei com o cheiro de arroz queimado.

Só ali me dei conta que minha vontade não era bem desaparecer: os problemas iriam continuar ali. Para resolvê-los, era preciso se multiplicar. E desejei que pudesse ter inúmeras cópias de mim mesma, num processo de mitose voluntária. E ia poder fazer tudo, sem tem que escolher e ordenar as prioridades. Uma mãe para cada filho, uma mulher para cada panela, uma para cada rede social, e uma gata para quando o marido chegar.

Como dá para botar fé num ser que quer desaparecer e depois acha que é melhor se multiplicar?

Até nisso sou indecisa.

Mais salutar deixar os filhos ditando as escolhas dessa casa.