biriba

 

Não é nenhuma novidade saber que, primeiro, comemos com os olhos. Daí, se apetecer a visão, o olfato se aguça e, só depois, é que a comida, de fato vai para o paladar. Então que lendo um texto da Nina Horta, me dei conta de como não sirvo para gastrônoma.

Vejo muitas donas e donos de casa fazendo curso de gastronomia para servir melhor. E não vou muito com a cara disso não. As pessoas estão achando o trivial brega…

Sou diiirce, e decoro a maionese com gema de ovo cozida passada no coador e salsinha, frito o ovo do jeito que cada um gosta (gema mole, gema dura), faço flor de casca de tomate.

Não tenho vergonha de dizer que gosto de biriba, de estrogonofe, de farofa e cuscuz. Faço pavê em dia de festa! Eu corto o melão em ziguezague! Faço lanchinho de atum nas festinhas! Eu faço cajuzinho!

Eu sou diiirce!

Nada de jus de redução de vinho, pato confitado ou risoto de chalotas com alho negro.

Esse negócio de Nouvelle Cousine não pegou aqui, não. Nada de Le Creuset, aqui é panela de teflon, pirex!!! Aqui é Curíntia, véi!

Admiro essa tal de alta gastronomia, mas meu dia a dia é bem mais ordinário, nem por isso menos saboroso.

Porque cozinhar, para mim, mais que uma arte, é um ritual: um culto à transformação dos alimentos, ao prazer de se comer bem, aos cuidados de quem se quer bem.