parabéns antigamente

Um simples aniversário de criança se tornou um espetáculo.

Precisamos de efeitos especiais, tapete vermelho, luzes, gritos de guerra.

Antes de eu descobrir as dores e as delícias de se fazer um aniversário em casa, eu acreditava na praticidade das festas em buffet. Decoração, comes e bebes, tudo arrumado, sem que eu tenha que fazer o mínimo esforço (exceto o esforço já feito no trabalho para poder pagar a conta salgada).

Eu achava que tudo isso valia a pena… Até que chega a hora de cantar parabéns, quando começa o meu estresse.

POR QUE DIABOS NÃO SE CANTA PARABÉNS NORMALMENTE EM BUFFETS?

Para quê aquele tanto de “heis” no meio da música? Aquela gritaria de adolescentes hiperativos, a coreografia forçada, as luzes?

A hora dos parabéns já é algo assustador por natureza: a festa toda te olhando, você, constrangido, não sabe se canta, se bate palma, se faz graça. Tudo escuro. Só uma velinha iluminando o coro e desfigurando o rosto das pessoas. Algo meio ritualesco, macabro. Dizem até que o tal do rá-tim-bum é coisa do tinhoso.

Não basta tudo isso, tem que ter escândalo!!!

Diga-me o que tem de tão ruim em deixar a família e os amigos entoarem a canção mais cantada do planeta? Daí que ficam todos com aquela cara de tacho, oprimidos pela sobre-empolgação da equipe do buffet. Quem disse que isso é legal?

É luz, é pirotecnia, poppers… e a criança? Bem, a criança se assusta, fica envergonhada, não muito diferente de como ficam seus pais, ali, na berlinda.

Acho que nessas festinhas de aniversário de criança deveria se perguntar “escuta, sua família é animada para cantar os parabéns ou vai precisar de uma ajuda?”. Simples.

Isso que eu avisei que queria um parabéns simples, sem entrada triunfal. Porque no esquema do buffet, tinha passarela, luzes, desfile do aniversariante, tapete vermelho. Mandei cortar a palhaçada toda, assim como aquelas brincadeiras entre adultos e a retrospectiva – que nada mais são, para mim, do que quase uma hora de economia para o buffet, já que o serviço é interrompido nesse meio tempo.

Fica aqui meu manifesto contra os parabéns esquizofrênicos de buffet. Mas já tô pensando num abaixo-assinado nacional a ser enviado aos organizadores de festas.

Porque se é para fazer estripulia nos parabéns, vou exigir cheerleaders, fogos de artifício, mágicos, pombinhas, tigres, elefantes e girafas! Se é para ser circo, que seja.

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Agora se é só para gritar e assustar os convidados, vamos fazer um negócio meio Thriller. Profissional! Se é para assustar, que seja com sangue e monstros.

Mas se é só para cantar os parabéns, põe a vela no bolo e deixem os convidados cantarem. No máximo ajudem no “E pro fulano nada!” – que sempre alguém acha que o outro vai fazer, e fica aquele silêncio, dando ao aniversariante um sentimento melancólico e de desprezo.

Vai fazer, faz direito, pô!

É pique é pique é pique… É coação!