o que as mães falam X o que os filhos escutam

A comunicação é falha, e o que as mães falam parece ser o oposto do que os filhos ouvem.

Uma das funções da mãe é dar ordens. O.dia.todo. Queremos controlar tudo: horários, atividades, alimentação, comportamento, higiene… Ao mesmo tempo em que tentamos dar autonomia aos filhos, incentivando a independência. Levanta, vai logo, pega isso, guarda aquilo, senta, come, escova os dentes, limpa as mãos, não faça isso, não diga aquilo… Até cansa de tentar elencar o que pedimos num só dia para nossos filhos fazerem, e aprenderem a ser gente grande.

Quem não é mãe, possivelmente deve estar lendo essas linhas achando que sou louca, por falar uma coisa oposta a outra. Mas é assim: vida de mãe é uma grande antítese (pô, usei meu diploma em Letras agora). A gente dá ordens, esperando que eles façam, um dia, naturalmente. A gente dá bronca, torcendo para que nossos filhos percebam o bem que estamos fazendo.

Acredito que toda mãe passe por momentos (fases, anos, décadas, uma vida) tendo a impressão de que ninguém a escuta. Lembro-me claramente de ouvir isso de minha mãe. As frases “você é surda?” e “presta atenção” estão gravadas no meu inconsciente, no sub e no consciente, de tanto que eu as escutava. Agora, estou pagando a praga de mãe de que um dia teria filhos. E, de fato, eles não me escutam.

<< Leia: Mães querem controlar tudo! >>

Nessas de ter que dar ordens o tempo todo, creio que 95% da demanda passa batido pelos ouvidos das crianças. Os 5% se referem às ordens de vamos ao parquinho ou de vamos logo para a casa da vovó. De resto, é como se eu falasse um dialeto de algum povo chinês que vive nas entranhas daquele país. A mãe fala, e ninguém escuta.
Então a gente tenta a técnica da supernanny, de olho no olho. O olho está lá, te fitando, a cabeça balançando, mas ouvidos certamente estão em Marte. A sensação que tenho muitas vezes e de encarnar a professora do Charlie Brown.

É nessa hora que a gente fala um pouco mais alto, enfatizando as expressões de cortesia com uma certa ironia: “Filho, POR FAVOR, vá escovar seus dentes AGORA. Estou PEDINDO.”

A criança vai? Não, senhores. A criança se senta no sofá e assiste qualquer desenho que estiver passando, como se fosse o último episódio da sua série favorita.

Então é a hora do grito, da voz bem entoada, da pronúncia pausada, acompanhada da dedada no botão da televisão, no melhor estilo “tranquei a supernanny no quartinho”.

Depois de tanto repetir as mesmas coisas, compilei uma lista de coisas que as mães falam acompanhadas da tradução que nossos filhos fazem. Pois não é possível falarmos o mesmo idioma.

A gente pede A, eles fazem B. Como se a vontade deles fosse mais forte do que nosso pulso ( e é!).

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A mãe fala “Vá escovar os dentes”, e os filhos escutam “Vá espalhar pasta de dente na pia, molhar o banheiro todo e deixar a toalha enxarcada”.

A mãe fala “Lave as mãos”, e os filhos escutam “Ensope a toalha, finja que está num chafariz e espirre água pelo banheiro todo!”.

A mãe fala “Tire os sapatos”, e os filhos escutam “Tire os sapatos e as meias conforme você for andando e faça um trilha pela casa”.

A mãe fala “Vem jantar”, e os filhos escutam “Vá assistir este episódio de desenho pela 58745ª vez”.

A mãe fala ” O almoço está na mesa”, e os filhos escutam “Corram e vão encontram o brinquedo mais estranho no fundo da caixa”.

A mãe fala “hora do banho!”, e os filhos escutam “Vamos brincar de esconde-esconde!”.

A mãe fala “Vá arrumar seu quarto”, e os filhos escutam “Vá brincar com objetos esquisitos que você encontrar debaixo da sua cama.”

A mãe fala “Vamos logo!”, e os filhos escutam “Vá ao banheiro!”.

A mãe fala “Vá para cama”, e os filhos escutam “Gastem toda energia que ainda resta em seu corpo de uma maneira alucinada”.

A mãe fala “Silêncio, pois estou no telefone”, e os filhos escutam “Gritem, briguem e me mostrem a coisa mais ridícula que sabem fazer”.

A mãe fala “Vou ao banheiro”, e os filhos escutam “Vou embora para o Marrocos, enquanto isso façam xixi e cocô”.

Se alguém está falando, e ninguém está ouvindo, pode apostar, este alguém é a mãe!

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