E o que é ser dona de casa? Acho que toda pessoa que mora numa casa e cuida dela merece ser chamada de dona de casa. Trabalhe ou não, tenha empregada ou não. Dona de casa e ponto!

Se você cozinha, limpa, lava, passa, faz compras, organiza, você é dona de casa. Se você não faz nada disso, mas tem alguém que faça isso por você, você também é dona de casa. É você quem manda e desmanda. É a dona de casa quem decide.

Diria mais: devia ser dona DA casa. Ou muitas vezes donos DA casa. É a pessoa responsável pelo dia-a-dia, pela alimentação, pelas contas, pelas compras, pelo bem-estar. E não adianta você me dizer que não, que o companheiro faz metade, que a empregada faz tudo, por que não é assim. Alguém dá as ordens, alguém coordena. E esse alguém é você: diretora de multi-nacional, fluente em 5 idiomas, pós-doutorada em Harvard e DONA DE CASA!

E vem você dizer que vida de dona de casa não é estressante. É sim! Uma mancha que não sai da roupa, um risco no móvel novo, a conta de luz que veio mais alta, a chuva que não passa e as roupas para lavar… Mas o pior, o desafio mais angustiante desse ofício é a escolha do prato do dia. Não há o que incomode mais uma dona de casa do que o dilema diário de “o que fazer no jantar?”.

Não há nada demais em cozinhar, lavar, guardar, ir no mercado, pedir comida pelo telefone, que seja. O que mata a dona de casa é a decisão de o que levar à mesa todos os dias. Faço sopa, faço torta, faço bife ou macarrão? Compro pronto, encaro a pia, asso, frito ou no cozinho no vapor?

Ai, que dúvida! Vou perguntar para o marido, para os filhos: “o que vocês querem para o jantar?”. Eis que surge a mais temida das respostas: “Qualquer coisa serve!”. Pô, pede panqueca, bife bourgoin, feijoada, costela de sambaqui com molho de couve de bruxelas, alho negro e manteiga trufada. Qualquer coisa, menos deixar esta decisão na minha mão.

Todo santo dia, dia sim, dia também… a mesma ladainha. O que fazer? O que fazer? É isso o que mata!

Então, num momento súbito de resignação, decido: não vou cozinhar hoje. Chega! Já que ninguém decide, eu também não vou decidir.

Vou recorrer ao delivery. Abro a gaveta, pego a agenda recheada de cardápios.

Mas o que pedir?