migalha

Você acha que está na praia, com o pé na areia, mas são apenas migalhas que seus filhos deixaram por aí. E no fim do dia, quem acaba em migalhas é você.

Assim que nossos filhos passam a comer, eles começam a produzir uma coisinha pequena, minúscula, mas que pode levar uma mãe à loucura. Estou falando das migalhas e da incrível capacidade deste restinhozinho de comida me deixar de cabelo em pé.
Meio que seguindo a lei de Murphy, é você acabar de limpar o chão para ele já estar com uma migalha, até mesmo sem nenhuma criança ter comido nas últimas duas horas. Por isso, tenho quase certeza de que, assim que as crianças passam a comer, abre-se um portal para uma terra cheia de pães, bolachas, bolos, tortas e outros alimentos que fazem migalhas. Não é possível haver tanta migalha em tão pouco tempo!

Aqui em casa fazemos 4 refeições oficiais: café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar. E depois de cada uma delas é preciso dar uma geral no chão, seja com pano, vassoura, aspirador, seja com a mão mesmo. Às vezes acho que a melhor forma é prender o aspirador como se fosse uma mochila, e ir limpando. É porque assim que eu acabo de limpar, alguém vai e suja. O fato é que uma das frases mais repetidas por mim é “Mas eu acabei de limpar!”.

Depois das refeições com pão, então, tenho a impressão de estar à beira mar, com meus pés afundados na areia. Só falta mesmo o mar e a cervejinha gelada.

E acho que essas migalhas se proliferam porque as crianças são 8 ou 80: ou elas levam a comida até a boca, em vez de levar a boca ao prato. Deste jeito, as migalhas devem ser magneticamente atraídas pelo chão e vão caindo, e a comida vai se desintegrando no trajeto. Ou então os pequenos (e nem tão pequenos assim) levam a ferro e fogo o “bico no prato” e a comida cai para dentro da blusa deles. Conclusão: assim que se levantam, cai migalha de tudo o quanto é lugar, e conforme andam, as migalhas que estavam dentro da roupa começam a sair.

E a cada migalha que cai, é um fio de cabelo meu que se vai. É mais sujeira no chão. E lá vou eu com o aspirador de novo!

Solução para isso eu pensei em várias:

  • Ensinar as crianças a comer sugando as migalhas, mas elas podem se engasgar. Eu já tentei algumas vezes, e engasguei na maioria delas. Com cream cracker é pior, porque aquela migalha gruda na garganta e nunca mais sai.
  • Arrumar um prato gigante, fazer um furo no meio do tamanho da cintura da criança e colocá-la no meio, de forma que o prato segure as migalhas 360 graus. Mas eu tenho certeza de que as crianças vão se divertir com o apetrecho, e girar, e espalhar migalhas a distâncias nunca antes alcançadas.
  • Arrumar um robô que limpa é uma das minhas metas de vida. Mas o treco é caro que só. Vocês teriam que ver muito publieditorial aqui para eu dar conta de comprar um.
  • Arrumar um cachorro está fora de cogitação. Com três filhos e uma gata, ter um cachorro seria bastante trabalhoso. Com certeza o cachorro lamberia as migalhas, mas em troca eu teria cocô para limpar. Não acho muita vantagem.
  • Criar pombos também não é uma saída de mestre. Eles são sujos, cagam por tudo, e seriam facilmente mortos pela gata ou por alguma criança tentando brincar.
  • Brincar de massinha de modelar embaixo da mesa após cada refeição seria extremamente divertido para as crianças, mas as massinhas ficaram empestiadas de bactérias na primeira semana. Trocaria migalhas por viroses. Nada vantajoso.
  • Criar pratos que levem migalhas como ingrediente. Mas além das migalhas, teria que levar pó, sujeira, cabelos e pelos. Blargh!
  • Fazer as crianças limparem foi a saída mais próxima da solução do problema. Não fica perfeito, mas elas entendem que fazem a maior sujeira e que limpar dá trabalho. No fim, eu sempre acabo tendo que dar o toque final.

De migalha em migalha, vou catando as sujeiras pela casa, e no fim do dia quem acaba em migalhas sou eu.

E se você também tem a impressão de que há mais comida no chão do que na barriga de seus filhos, clique ali embaixo e compartilhe este texto! Por um mundo desmigalhado!!!