memoria

Eu tinha uma excelente memória, até o dia em que troquei o nome dos meus filhos!

Recordo-me claramente em como era engraçado ver minha avó trocar os nomes de filhos e netos. Chamava uns 3 nomes antes de acertar. Ela ria. E eu achava aquilo insano. Como pode errar o nome que ela mesmo escolheu? Não fazia o menor sentido.

Então, anos depois, me tornei mãe. Dizem que já na gravidez, os sentidos ficam mais aguçados, como da mãe na selva que precisa estar atenta para defender a cria.

Foi grávida do primeiro filho que descobri que precisava usar os óculos com mais frequência. Mesma época em que passei a deixá-los nos mais improváveis lugares. Até o dia em que os esqueci na minha própria cabeça.

Com o segundo filho, nosso cérebro trabalha mais. E dizem que ele é como um músculo: quanto mais trabalha, melhor fica. Tenho minhas dúvidas.

Percebi que a memória das mulheres fica mais prática depois dos filhos: você passa a se recordar de coisas que realmente importam e fazem sentido. Não precisa mais decorar o endereço da Xuxa (Rua Saturnino de Brito, 74), nem tabuada, nem os presidentes do Brasil. Apenas memorizar o horário da medicação já exige bastante da sua mufa.

Eu não consigo terminar mais nada!

Depois dos filhos, percebi que minha memória é muito mais importante do que achava. É preciso cuidar dos seus compromissos e dos seus filhos. Arrumar mala da escola, pensar nas datas festivas, elaborar listas e mais listas. Baita exercício para o cérebro.

Até o dia em que chamei minha sobrinha pelo nome da minha filha, com direito a uma gaguejada na primeira sílaba.

E o fundo do poço da memória foi o dia em que chamei minha filha de Nicole.

Eu achei que era o fundo do poço.

Porque eu tive mais um filho. E gaguejei muitas outras vezes. E agora gaguejo e chamo marido, filho, filha e gata antes de acertar um nome.

E quase perdi a rematrícula da minha filha.

E quase perdi festinha.

E esqueço datas.

E esqueço nomes.

E esqueço o nome das coisas. Coisa, treco, negócio, bagulho são as palavras que mais tenho utilizado.

Você viu o… a… aquele negócio de por em cima da… do… do treco que você levou aquele dia na casa do… da… do marido da menina?

Minha memória que era um Schwarzenegger, agora mais se parece com as tetinhas flácidas de uma cãzinha que teve 4 ninhadas seguidas. A maternidade faz isso com a gente.

E o que minha vó, que só trocava os nomes, iria achar do dia em que eu gritei pelo filho, achando que ele estava fazendo arte por aí, enquanto ele estava sendo tranquilamente amamentado por mim mesma?

Quando meus netos chegarem, certamente irei abraçá-los trocando nomes, procurando os óculos pendurados na cordinha, contando a mesma história pelo 14ª vez… no dia.

Falta memória, sobra amor.

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a memória da mulher antes e depois de ter filhos