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Ser mãe é treta sangue no zóio. Então a gente cola com a gangue pra se garantir no rolê, mano!

Outro dia postei um vídeo no YouTube : O rap da Maternidade Ostentação.

Muitas mães se identificaram e eu fiquei pensando: caraca! A gente faz parte de uma gangue, de um bonde, um rolezinho.

Depois que nos tornamos mães, parece que formamos uma tribo com as outras, trocando segredos, desabafando e rindo da desgraça própria e alheia. Deixamos algumas amigas de infância de lado porque o papo dessa turma é muito mais a pampa.

Somos uma gangue mesmo, dessas em que é preciso passar por um ritual para entrar. Chapado, só pra quem é do crime. Quer parada mais tensa que um parto? O bagulho é louco!

<<Você sabe que é mãe em tempo integral quando…>

E pra tá no rolê, as mães precisam mostrar suas cicatrizes, para provar que é sangue no zóio. A maternidade vida loka é osso, não perdoa ninguém, é episiotomia, corte de cesárea ou no mínimo uma estria.

Assim como nos rolezinhos, causamos grandes arruaças por aí. Levar os filhos ao shopping, ao mercado, ao banco… Mó guela! A galera vai te olhar, te julgar, e você nem dá ideia. É embaçado, maluco, sair da goma com a molecada.

E sabe aquele cumprimento exclusivo entre os parças, os códigos nos gestos? Sim, as mães também colam nas trutas e se comunicam nas ações: Alisamos a barriga, limpamos sujeiras com dedão e um pouco de cuspe, ajeitamos os seios no sutiã de amamentação sem amarelar. Só quem é vai saber, firmão?

Além disso, para fazer parte do bonde das mães, é preciso ter um objeto, um acessório que identifique o seu grupo. Paninho de boca pendurado no ombro ou na calça, um saquinho de biscoito na bolsa, uma bolsa gigante que caiba sete trocas de roupa, fralda e coberta. Cada grupo tem sua treta, dependendo da faixa etária da prole. Às vezes colamos com uma par de objetos, pra mostrar que pertencemos a mais de uma facção.

E as mães têm uma quebrada; se pá, se reunem em vários picos. Pode ser a pracinha do bairro, o buffet infantil ou a porta da escola. Pela ordem, só se trombam os neguinhos na função. Quem não é mãe, passa longe do rolê.

Mas experimente embaçar com alguém da gangue? Se você falar mal de uma de nós, os “mano-mãe” te caçam sem dó. Temos muita cumplicidade em nossos grupos. E ainda que uma de nós tenha dado o maior migué, a gente se põe no lugar dela e tenta entender as razões. Parceria, manja!?

<<20 conselhos que toda mãe precisa saber>>

E não vá pensando que somos o tipo de bando que não bebe, não se droga. Bebemos, e muito! Tem a gangue da água, a do café, depois a do chá-seca-barriga. Quanto às drogas, não tô falando de Fluoxetina, Rivotril. A parada é mais forte, mais ilegal: tipo um bombom de licor escondido no banheiro. Vida loka!

Como todo bando de arruaceiros, fazemos coisas que não prestam: damos doces antes do almoço, liberamos o smatphone no restaurante, deixamos a TV ligada no desenho favorito só para ficarmos de buenas na internet, a gente deixa eles porem a casa abaixo quando estamos só o pó. A gente não vale nada!

Para finalizar, tô ligada que a treta que mais pesa para colar nessa gangue é o simples fato de ser mãe: uma vez que se é mãe, você nunca mais abandona os trutas. Não importa a idade de seus filhos, se seus filhos não moram com você, se eles já se foram. Você sofreu a transformação mais mil grau que uma pessoa pode sofrer. Já é, tá na treta.

Maternidade vida loka: É nóis que tá!

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