mãe de segunda viagem: o que mudaMais rápidas e práticas, as mães de segunda viagem (ou mais) olham para trás e viam como a vida era tranquila com um filho só.

Uma das perguntas que mais me fazem é: o que muda na vida de uma mãe de segunda viagem – ou, no meu caso, de terceira, quarta viagem? Se um filho muda sua vida, posso garantir que dois muda para melhor. Com três, você passa a ter mais filhos do que braços ou olhos, então você meio que adquire habilidades ninja de sobrevivência.

Seu jeito de lidar com as coisas muda muito com mais de um filho. Veja abaixo em que a vida da mãe de segunda viagem muda.

Sua rotina nos cuidados com a casa vai mudar: No primeiro filho a gente fica meio paranoica com limpeza. Tudo deve estar limpo, desinfetado. A casa fica toda em ordem e você ensina seu filho a guardar os brinquedos. Com dois ou mais filhos, você vai aprender a fazer o que realmente importa e faz diferença, afinal, as crianças vão sujar tudo daqui 10 minutos mesmo. Enquanto você ensina um a guardar os brinquedos, o outro está espalhando mais. E você fica no meio do fogo cruzado. O jeito é ensinar seus filhos a ajudarem nas tarefas de casa e ainda premiá-los com minutos nos jogos eletrônicos.

Você vai ser mais prática no dia a dia: Na primeira gestação, a lista de enxoval mais parecia uma enciclopédia. A cada filho, percebi que a lista ia diminuindo. Hoje encontramos itens para bebês em qualquer esquina, não é preciso sair comprando tudo, de todos os tipos antes. Tem também o casa da bolsa de sair: com o primeiro filho, levamos uma casa nos pequenos passeios; com os próximos, diminuímos a quantidade de coisas – até porque tem mais uma criança dividindo a bolsa. Escolhemos lanchinhos que todos possam comer, levamos casacos mais finos. E se sujar a roupa a gente não troca, mas limpa com o lencinho umedecido que nunca pode faltar.

Você vai compreender o que é justiça: Tudo o que você fizer para um filho, sentirá uma necessidade louca de fazer fazer para o outro, mesmo que não faça o menor sentido – você tem um bebê e um filho de 8 anos, você a troca a fralda de um e como troca a fralda do mais velho? Enfim, você vai tentar fazer tudo igual para os dois, mesmo sabendo que são dois seres diferentes. E quando você não se cobrar isso, fique tranquila, seus filhos irão lembrá-la. A questão da justiça também aparece por causa dos atritos entre irmãos. E a mãe, mesmo não tendo a mínima noção de direito e leis, vai passar a assumir um papel de juíza de pequenas – estúpidas – causas, como quem riscou a parede ou quem começou a bagunça.

Você não vai mais esterilizar tudo: Não existe uma mãe que eu conheça que não enfiou a chupeta do bebê no bolso depois que ela caiu no chão e não tinha outra esterilizada. Com o segundo filho, você segura e lava na torneira ou num copinho de água. Com o terceiro, você chupa a chupeta e esfrega na calça para secar. E a premissa segue assim para muitas outras coisas: roupas, mamadeiras, babadores, talheres… Você até tenta desinfetar as coisas no segundo filho, até o dia em que o mais velho chupa a mamadeira do mais novo e devolve ao dono, ou quando as mãozinhas sujas do mais velho entram na boca do bebê. Desista de ser a louca do álcool gel.

Você não vai ser mais tão super protetora: Obviamente, nenhuma mãe quer que nada de mau aconteça com seu filho, mas as mães de primeira viagem são campeãs no estilo Marlin de educar seus filhos (“se você não quiser que nada aconteça com Nemo, então NADA vai acontecer com ele”, Dory). Aprender é correr riscos, mas a gente só aprende isso nas outras maternidades. Na primeira, a gente protege todas as tomadas, gavetas, quinas e escadas. É no segundo filho que a gente percebe que não pode criar as crianças num campo protegido de tudo, e no terceiro você compreende o significado da expressão “vida loka”.

Você vai deixar de registrar todo e qualquer marco do desenvolvimento do bebê: Eu garanto que o livro do bebê do seu primeiro filho está completo, cheio de ricos detalhes; do segundo, está na estante, mas incompleto; do terceiro, bem… Será que eu comprei mesmo um livro do bebê? Diga o mesmo para a quantidade de fotos e outras recordações. A cada filho, você aprende a registrar apenas aquilo que o pediatra e a escola vão pedir. Até porque, você já não tem mais tempo para sentar e fazer álbum de fotos.

Você abrir mão de coisas que não abriria em prol de sua sanidade: Imagine que você iria para a cama com a pia cheia de louça, imagine que você daria miojo para seu filho e até parece que seu filho iria brincar com o tablet por 2 horas seguidas. Você sabe o que é certo, você sabe o que é bom ou ruim, você tem noção dos prejuízos de cada uma dessas coisas, mas, simplesmente, há dias em que você precisa se manter sã. Então você vai ter que abrir mão de algumas coisas para poder dar contas de outras. Você sabe que as crianças voltam manhosas da casa da vó, mas não pode poupá-los desse momento maravilhoso. Você sabe que açúcar deixa as crianças agitadas, mas libera o pacote de bolacha porque não deu tempo de cortar uma fruta agora e você precisa entregar este relatório em 15 minutos. Não dá para bancar a mãe perfeita, até porque a única mãe perfeita que existe é essa aí, do outro lado da tela, lendo este texto. Não perfeita para meus filhos, mas perfeita para sua família.

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