lioness

Há algum tempo encontrei na internet um grupo de mulheres mães que, assim como eu, buscavam ajuda, companhia, ombros. Era uma época muito legal, em que o Twitter servia de janela para suas ideias, e nos blogues encontrávamos soluções para quase tudo. Amizades floresceram nesse terreno árido da hipertextualidade.

Sempre havia uma outra mãe insone buscando alento após uma crise de cólica do bebê pendurada no Twitter, sempre havia um post para a gente ler e sentir menos sozinha e mais “isso não acontece só comigo”.

Daí descobriram que isso podia dar algum lucro. As mães poderiam vender seus feitos-à-mão pela internet. Deu certo. As empresas encontraram um nicho e algumas mulheres começaram a cobrar por seus textos. Deu certo. Então resolveram divulgar produtos e serviços nesse meio. E deu certo!

A maternidade virou empreendimento. A mãe se profissionalizou. Achei legal, porque muitas de nós estávamos nos sentindo inúteis só cuidando da casa e dos filhos.

Mas como todo mercado de trabalho, os amigos viraram concorrentes. Começou uma história de o meu é melhor que o seu, eu fiz do jeito certo, ninguém faz mais bonito do que eu faço.

E como leoa que somos, atacamos para proteger nossas crias, nossos lares e nossas premissas. Mãe é um bicho brabo, gente!

Sinto falta da época em que escrevíamos por desabafo – e não por views.

Sinto falta da época em que o Twitter era um grande bate-papo – e não uma preview do seu post publieditorial.

Sinto falta da época em que discutíamos sobre o desfralde, os dentes, as cólicas, a adolescência, o casamento – e não se meu obstetra é mais humano que o seu.

Sinto falta do respeito e da criatividade.

Porque transformar a blog-twitsfera materna em nicho de mercado apagou o brilho dos nossos bate-papos e acendeu a chama da picuinha.

Acho que essas noites longas not de 4 horas de sono estão consumindo meu humor… Daqui uns dois anos essa ranzinzice passa, isso se eu não botar mais um rebento no mundo.