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Como as mães fazem para aliviar a dor dos machucados de seus filhos

A dor é nosso sinal de alerta, um aviso de nosso corpo sobre algo que não vai bem e coloca nossa vida em risco. São excitações das terminações nervosas de nosso organismo que produzem uma sensação que pode variar da frequência, na intensidade, no lugar. Pode ser em ondas, pode ser pontada, pode ser ardida, pode só incomodar. A dor é algo extremamente pessoal, só você sente e mais ninguém pode avaliar. Não dá para se medir e cada um tem sua tolerância a ela.

Essa sensação ruim é indesejada, entretanto ela é vital para nossa sobrevivência. Sem ela, nossos bebês dilacerariam suas línguas na época da dentição, não teriam noção do perigo, não sobreviveriam à época das descobertas. A vida sem dor pode ser muito mais dramática, garanto. Nosso trabalho como mãe seria muito mais exaustivo se nossos filhos não sentissem dor.

Mas é justamente a mãe, que deveria agradecer por essa funcionalidade do organismo, a que mais sofre ao ver um filho sentir dor. Por vezes desejamos ela para nós, para livrar nossos pequenos dela.

Nem vou entrar no mérito de dores e enfermidades que acometem as crianças, coisa séria e que merece outro tipo de atenção. O negócio aqui é sobre aquelas dores do dia a dia. Daquelas que te fazem questionar a utilidade dos artelhos (os dedos dos pés não são dedos, são artelhos, sabia?) ao bater o dedinho do pé na quina de um móvel. Daquelas que fazem você soltar um sonoro palavrão na frente dos filhos. Só quem escorregou no quintal molhado e bateu a bunda no chão sabe o que é dor no curanchim!

E a dor faz parte da infância. São as cicatrizes das traquinagens que vão escrevendo nosso livro de histórias para contar para os netos. É o joelho esfolado que guarda os causos da rua, é a mão que arde com o atrito de se estabacar no chão de areia do parquinho, a aflição do corte de papel na ponta do dedo que abre cada vez que você tenta manusear algo.

As dores e as crônicas de criança andam juntas. Assim como o sopro de mãe.

É a mãe quem trata o ferimento, dá colo, assopra e diz as maiores mentiras na melhor das intenções, a de fazer aquela dor desaparecer num piscar de olhos:

– “Não foi nada!”

Como assim não foi nada?

Já sentiu a dor de um braço quebrado, de arrancar uma unha na topada na calçada? Poxa, mãe! Dói pra burro e você já sentiu isso.

Mas mesmo assim mentimos. Na vã esperança de fazer o psicológico dominar o físico e aquela dor ser controlada pela força do pensamento “não foi nada, não foi nada, não foi nada!”. Ou talvez seja só um autocalmante, para reforçar aos pensamentos catastróficos de mãe de que aquele pequeno acidente faz parte da infância: “não foi nada!” Ou então é o poder da dupla negativa fazendo ecoar a programação neurolinguística: NÃO foi NADA, quer dizer, lá no seu inconsciente, que foi algo.

Pela nobre tentativa de acalmar a dor de um filho vale tudo, até mentir.

 

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