filho caçula

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A gente acha que estará mais experiente com o filho caçula, mas ele prega uma peça: Não é fácil saber que ele será seu último bebê.

Não tem sido muito fácil criar meu caçula.

Você deve estar pensando que é pelo fato do meu filho caçula ser muito arteiro. Sim, ele é um menino traquinas. Ter dois irmãos mais velhos, que fazem as mais divertidas brincadeiras ao seu lado é um baita estímulo. Logo, ele quer se comportar como uma criança de 4 ou 7 anos, e acaba se metendo nas maiores enrascadas. Talvez por isso esteja sempre com um hematoma. Mas não é por isso.

Também não é pelo fato de ele ser o mais agitado dos três. Nem meu menino mais velho, nem a menina do meio deram trabalho para dormir. O caçula, por querer desbravar e descobrir o tempo todo, acha que é besteira esse negócio de dormir. Não quer perder tempo. E se esquece de que o sono é essencial para seu desenvolvimento e seu aprendizado. Há tempos não sei o que é uma noite inteira de sono.

Nem é pelo fato de ele ser bem apegado a mim. Sempre disse que não amo meus filhos da mesma maneira (leia aqui) e parece que o vínculo com o caçula é mais intenso – não no sentido de amor, mas de posse mesmo. Desmamá-lo com quase 1 ano e meio foi difícil. E continua sendo, já que eu sou o seu objeto de transição. Não é o certo. Mas foi a mão dentro da blusa, agora são os carinhos na barriga. E não posso nem pensar em ir ao banheiro sem ele, que o berreiro se instala.

Como disse, tem sido difícil.

E a culpa é minha!

Saber que ele – tecnicamente – é meu último bebê enche meus olhos d’água. Cada rito de passagem de fase me marca profundamente, mais do que a ele. Para ele, é o desenvolvimento, são aprendizados. Para mim, são ciclos que se fecham e aprendizados também.

Às vezes, a sensação é de que minha árvore não dará mais frutos. Embora tenha 3 mudinhas da minha espécie crescendo ao meu redor.

É misto de conclusão de uma etapa da vida, com o sentimento de infertilidade.

Isso mexe muito comigo.

Leia também: Será que estou pronta para mais outro filho?

Quando desmontei seu berço, para que ele passasse a dormir no chão, um pedaço das minhas memórias foram naquelas grades: 3 filhos que se aninharam ali! Tantas noites, tantos cochilos, tantas brincadeiras… Tanta coisa que minha cabeça não foi capaz de registrar, mas que se passou ali.

Às vezes, a sensação é que minha árvore não dará mais frutos.

Quando meu filho caçula passou a andar, percebi que não havia mais um bebezinho em casa. Era um menino pequeno, querendo sua autonomia. Cada vez mais pedindo para que eu o ensinasse a fazer sozinho. E já não precisava carregá-lo no colo o tempo todo. Já não preciso mais.

Quando ele parou de mamar, doeu mais em mim no que nele, na verdade. Sei que outros laços de afeto se construíram, como foi com os outros dois filhos. Mas nas vezes anteriores, eu tinha a certeza de que experimentaria aquela sensação novamente (nem pagarei mais micos). Agora, sei que meu peito não alimentará mais ninguém.

Aos poucos eu deixo de ser a atriz principal na vida deles… Há muitos papéis na vida desses protagonistas!

Não tem sido fácil…

Quando a gente passa a se dedicar inteiramente à vida da família e vê as crianças crescendo, temos a impressão de estar perdendo nossa função. Sei que ainda tenho muito – muito – a fazer, mas aproveito cada momento com meu caçula como se fosse o último.

Aproveito cada momento, tentando guardar tudo na minha memória. Aproveito tentando fazer que ele guarde também essas memórias.