nana

 

Atire a primeira naninha a mãe que não desejou que seus filhos dormissem para ela poder comer um chocolate em paz!

Desde que me conheço por gente grande, a vida passou a ficar corrida: trabalha, estuda, cuida da casa, vida social, repete, repete, repete. Então tive filhos e pude comprovar que a vida pode ser ainda mais corrida. Afazeres, coisarada, apontamentos, não dá tempo de nada. O jeito foi parar de trabalhar e ficar em casa com as crianças para ver se o tempo dava uma trégua. Eu queria vê-los crescer, bem devargarzinho, diante dos meus olhos, sem que eu perdesse um só capítulo da história de vida deles.

Doce ilusão achar que ficando em casa eu teria uma vida menos corrida. Muito pelo contrário: o “lava, passa, arruma, cozinha” infindável consome nossas horas. Se você achava que precisava de disposição e habilidade só para dançar o créu, é porque você não é dona de casa. Haja vigor e criatividade para fazer o que deve ser feito enquanto as crianças fazem exatamente o oposto de você.

E isso cansa, fisicamente e mentalmente. Tudo o que uma mãe em tempo integral deseja depois de um dia de trabalho é tomar um banho morno à meia luz, internet e um chocolate. Mas antes é preciso fazer seu filho dormir.

Veja: 10 dicas para sobreviver sendo mãe e dona de casa.

Existe a época em que precisamos niná-los, chacoalhamos aquele pacote de 7 quilos por horas, mas nos esquecemos de tirar os espinhos, os pregos e os dispositivos de choque do berço, então a criança chora logo que se encosta no colchão. Mas meia hora de balanço, cantoria, lombar que foi para o brejo, nenê no berço e… Tragam um serra para que a mãe possa sair dali e deixar o braço debaixo da criança!

Depois vem a fase do acordar de madrugada, quando nós tomamos o maior susto do mundo ao abrir os olhos na madrugada e ver uma figurinha de pé, ao seu lado, te fitando, esperando você abrir os olhos para ela te pedir aconchego na cama. Hitchcock e Kubrick se pelariam de medo. Ou então quando nosso sono é interrompido por choro de filho. Não há alarme mais eficiente. No primeiro buá, já estamos de pé.

Daí vem a fase do medo do escuro, dos monstros, do bicho-papão. Ficamos na dúvida em dizer que nada daquilo existe ou alimentar a imaginação como forma de coação. Quando o coração da mãe rege, dizemos que monstros não existem, deixamos a luz do banheiro acessa, ficamos ali até o sno chegar. Mas quando o sono da mãe chega antes e o cansaço faz a razão materna se sobressair, cantarolamos para que o neném nane senão a Cuca vem pegar. Na mais pura necessidade de um descanço, dizemos que o bicho-papão está ali, na beirinha do telhado, esperando para pegar as crianças que não dormem (não, eu nunca fiz isso, mas a filha da tia da prima da vizinha da minha cunhada fez, acredita?).

Pois criança acordada com sono fica pior que o diabo-da-tasmânia sob efeito de fluoxetina! Parece que quanto mais cansadas, mais enérgicas elas ficam. E as mães se desdobram para fazer filho dormir, tentar acalmar, fazer brotar o sono onde só existe atividade. Aos poucos baixamos a luz, falamos mais baixo, aninhamos filhote na cama e serenamente cantamos “Boi, boi, boi, boi da cara preta, pega essa criança que tem medo de careta.” E no desespero daquele cenário macabro, a criança fecha os olhos, e nessas acaba dormindo.

No dia seguinte, prevendo o desespero pré-sono, filho já se adianta que está com medo de monstro. E obviamente, sua cabeça dá um nó quando a mãe diz:

“É mentira! Monstros não existem”, tentando acalmar aquele coraçãozinho apavorado.

 

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