sentimento de culpa

Sem saber se o que estamos fazendo está certo ou errado, bate aquele sentimento de culpa na gente.

Era uma vez uma mãe com um bebê de 2 meses que foi trabalhar. Mas a busca por ser a mãe perfeita não permitiu que ela deixasse seu pequeno filhote aos cuidados de um berçário ou de algum parente. Nem mesmo da sogra, vizinha de seu trabalho. Onde já se viu, uma mãe não cuidar de seu filho? E essa mãe trabalhou por 15 dias com um carrinho ali ao lado. Desistiu! Bateu um sentimento de culpa.

Do trabalho, sim, não do filho.

Chega de ficar atrás da terceira pessoa, porque estamos falando de mim. É hora de assumir a dificuldade que tive em cortar o cordão umbilical psicológico e dar um tempo no trabalho. Foi uma decisão não difícil, mas pesada. Afinal de contas, foram anos estudando, fazendo pós, cursos, seminários, treinamentos, congressos… Mas meu filho em primeiro lugar.

Principalmente porque, como psicopedagoga, vi muitos casos em que a dificuldade de aprender vinha da falta de dedicação dos pais. Gente que terceiriza a educação dos filhos, achando que está suprindos todas as necessidades, que não demonstra ter o sentimento de culpa – mas tem..

Achei que se me dedicasse totalmente à maternidade estaria livre do peso de não poder acompanhar o desenvolvimento da prole 100% do tempo.

Hoje sou dona de casa CEO em atividades materno-domésticas, cuido da casa, faço uns biquinhos freela de vez em nunca. Mas a culpa ainda me assola. Desta vez, é o inverso: culpo-me por ter parado de trabalhar. E às vezes sinto-me frustrada por não ter seguido em frente na carreira, seja como psicopedagoga, seja como revisora/tradutora (um jeitinho de estar na área de publicidade, uma de minhas paixões). Talvez retorne às atividades algum dia. Talvez consiga uma oportunidade fixa que me permita trabalhar em casa (sonho de todas as mães). Talvez desista de vez da minha carreira. Talvez eu volte a estudar. Talvez eu escreva um livro. Talvez eu continue aqui, dividindo minhas angústias com gente conhecida e desconhecida.

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Daí cheguei à conclusão de que ser mãe é sentir culpa, é estar em constante conflito. É ter a dúvida de estarmos ou não fazendo a melhor escolha, para nós e para nossos filhos. É não saber quem tem prioridade: os filhos ou nós mesmas.

Mais confuso ainda é ouvir da mãe da gente que a escolha que fizemos – a de ser mãe em tempo integral – não foi a que ela esperava. Talvez porque ela mesma colocou-me como prioridade e se arrependeu de alguma forma.

A Revista Veja, há um tempo, trouxe uma entrevista com a filósofa Francesa Elizabeth Badinter, que fala sobre esse mito da mãe perfeita, sobre o sentimento de culpa. Lendo a matéria, senti-me menos sozinha. Senti-me mais normal. 

Fico com o remorso de quem se sentiria culpada de qualquer modo… whatsoever.

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