desfralde

Desgaste e recompensa são palavras que definem bem o desfralde.

Há 2 anos e 1 mês, exatamente, eu escrevia o último post da série do desfralde do menino. Depois de declarada a guerra às fraldas (post bonitinho que eu escrevi para a Nestlé), posso afirmar que essa é uma das fases mais desgastantes, porém mais recompensadoras da primeira infância. Desgastante porque precisamos verificar de cinco em cinco minutos a cada meia hora a vontade da criança fazer xixi, e identificar seus remeleixos e suas caretas pré-evacuação, a fim de se evitar acidentes limpísticos na roupa e na casa. Recompensador, porque além da economia com fraldas, nada melhor do que ter a certeza de que nossos bebês já não são mais tão bebês assim.

E cá estou eu de volta a esta etapa. Com 1 ano e 9 meses, decidi que era hora da pequena largar as fraldas. Decidi naquelas, né? Ela briga para colocar a fralda, acorda com a fralda seca, faz xixi sempre que entra no banho… Sinais de que já dá para encarar a briga.

Já dá para encarar o desfralde se a criança…
          avisa que fez xixi ou cocô
          fica incomodada ao colocar a fralda
          já sabe o nome de algumas partes do corpo
          imita os adultos
          sabe andar
          sabe esperar
          acorda com a fralda seca
          tem as fezes mais sólidas

Daí vem a pergunta dazinimiga: “Mas você não acha muito cedo?” Não! Antigamente o desfralde se dava por volta de um ano de idade. Pergunte aí à sua mãe, à sua avó. Era o maior saco lavar, secar e passar aquela pilha de fraldas. Por isso, logo nos primeiros sinais as mães encaravam o desafio do desfralde. Hoje, com a praticidade das fraldas descartáveis, a gente acaba se acomodando um pouco, protelando o desfralde para quando a criança passar no vestibular não suportar mais usar fraldas.

Agora que encarei o desafio, avisei a escola e as avós para que todo mundo entre na dança do penico. É importante que todas as pessoas que fazem parte da rotina da criança falem a mesma língua e comemorem a cada xixi no penico. Sim, nós fazemos aquela festinha básica, coisas ridículas que só mães de criança em processo de desfralde sabem fazer.

Temos calcinhas e bermudinhas espalhadas pela casa, caso ocorra um acidente, bem como spray de desinfetante, jornal (que absorve bem e vai direto pro lixo) e um pano de chão sempre à mão. Aviso aos pais de primeira viagem: desapeguem-se da limpeza nesse primeiro mês que o sucesso é mais garantido. Se os pais demonstrarem nojo ou raiva a cada não acerto, a criança pode se sentir frustrada e incapaz, e daí volta-se à estaca zero.

E sabe a banheirinha que já não está mais sendo usada? Encha-a com água e um pouquinho de sabão, e cada acidente vá jogando tudo lá, tipo uma pré-lavagem. Mas se o acidente for de número 2, jogue-o no vaso ou faça o esquema MacGyver de limpeza de calcinha/cueca caprichada: coloque-a na beirada do vaso e vá dando descarga até sair boa parte da sujeira. Você pode até ficar com nojinho, mas a privada da sua casa tem menos bactérias que o pano de prato da sua cozinha, segundo o Doutor Bactéria. E vai com fé, que é mais barato do que jogar a roupa no lixo.

Bom desfralde aos envolvidos na causa. Logo menos eu venho contar sobre os mais de 100 reais mensais economizados nesta casa. Nojento, tchããããm!

nojento-tchan-o