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Essa obsessão pelo perfeccionismo maternal é uma coisa de outro mundo.

Nós, mães, buscamos sempre ser as melhores, dar conta de tudo, fazer tudo ao mesmo tempo, mesmo sem ter superpoderes. E, ainda assim, sabemos que não vai sair perfeito. Porque somos humanas, e não máquinas. Mas bem que queríamos que tudo fosse redondinho: filho colocando o uniforme sozinho na hora certa, sentando-se para comer civilizadamente sem precisar chamá-lo para voltar à Terra e mandar ver o arroz com feijão, bife, salada e legume, todos orgânicos, que você cuidadosamente preparou enquanto ele pintava um desenho – no papel, e não nas paredes. Filho dormindo sozinho no berço, sem que você tenha que niná-lo por horas e só conseguir fazê-lo ficar no lugar dele lá pela quarta tentativa. Não existe filho perfeito, por isso as mães não podem ser perfeitas, e vice-versa.

Nessas, procuramos o pelo no ovo.

Porque mãe que é mãe, além de saber que não há perfeição, ainda procura algo errado, invarialvelmente, sempre.

– O que essa criança tem??? Ela NÃO dorme! É o dia inteiro mamando, ninando… Põe no berço, desperta. No carrinho, desperta. Dia e noite, noite e dia. Tem alguma coisa errada. É cólica, é frio, é fome?

Dias depois, a mesma mãe (no caso eu a irmã da prima da filha do vizinho do padrinho da minha amiga) se questiona, ensandecidamente:

– O que essa criança tem??? Ela SÓ dorme! Tem que acordar para mamar, acordar para trocar. Tem alguma coisa errada. É cólica, é frio, é fome?

Para as mães, nunca está bom! Se faz birra, é porque faz birra. Se não faz birra, é porque deve ter algo errado.

É esse estresse na busca incessante por um potencial problema que faz da gente um ser com olheiras.

E aí de você se não impingir um conflito aqui, outro ali. Ganhas o atestado de mãe negligente do ano na mesma hora.

Qual vai ser a encanação do dia?