Eu achava que cozinhava bem, até ter um filho.

Imaginei que ele adoraria comer panqueca, bolo de chocolate, gelatina, purê de mandioquinha, lasanha… Não tô falando de brócolis, chicória, quiabo, nem peixe ensopado. Tô falando de coisa que criança gosta: bisnaquinha com manteiga, pão com requeijão, melancia, morango com açúcar.

Vejo mil receitinhas, posts de pratos de criança, e quase entro em depressão.

Já deixei passar fome, já deixei comer o que quisesse, já comi na mesa, no quintal, no restaurante, já pedi ajuda pra cozinhar, já levei para fazer compras, já comprei livro de receitas, já fiz escultura com comida, já escondi ingrediente, já briguei, já chorei… Mas, mesmo assim, meu filho não come.

Acontece que meu filhote come basicamente produtos industrializados (bolacha, suco, achocolatado, papinha…). Se for fresquinho, feito pela mamãe, é não na hora!

Almoços e jantares se resumem a arroz, farofa e uma carne ou macarrão na manteiga. Se o arroz muda de cor por causa de um legume que cozinhou junto, lá vem o nariz torto.

Fiz bisnaguinha, cookies, bolo, muffin, tudo para agradá-lo, e nada. O negócio dele é se entupir de conservante, acidulante, espessante, engomante, embromante, chatiante.

Outro dia, coloquei secretamente uma papinha deliciosa dentro do vidrinho da famosa insossa que ele tinha mandado ver na noite anterior. Recebi um sonoro “não gosto dessa”.

Conclusão: eu cozinho mal pra caramba! E nessas o ponteiro da balança há um ano emperrou 14kg e de lá não sai.

O negócio então é eu assumir essa identidade bruxa e fazer jus aos meus dotes, cozinhando patas de aranha, suflê de catota, ensopado de chifre de besouro e musse de casquinha de ferida de sobremesa!