Atire o primeiro mouse que nunca deixou de fazer algo porque se julgou não criativo o bastante para tal! A criatividade é uma competência que se provou extremamente eficaz no desenvolvimento infantil. Mas será que é possível desenvolver ou a gente nasce ou não nasce criativo e pronto?

Quem tem filhos em idade escolar já deve ter ouvido de habilidades e competências, seja numa apresentação da escola, numa reunião, seja em algum meio de comunicação. Esses conceitos são a base de qualquer currículo escolar (existe um padrão a ser seguido de acordo com o ano de ensino). São divididos por campo de experiência ou área de conhecimento, e nada mais são do que os conteúdos e as capacidades que cada faixa etária precisa dominar. A criatividade é apenas uma das competências socioemocionais que precisa ser desenvolvida nas crianças.

A criatividade vem do inventar, do criar. Se todos nós aprendemos inúmeras coisas ao longo da vida, é por conta da criatividade. O bebê se diverte quando “inventa” de bater um pote no outro e descobre o som. A criança se distrai por horas quando descobre que misturar tintas cria novos tons. O adolescente se perde preparando seus posts, escolhendo filtro, cor de letra, efeito… É fato, todos nós nascemos criativos!

Acontece que com a socialização, vem o julgamento, e acabamos deixando de criar por medo de nos expor. Afinal, ser criativo leva uma boa dose de comunicação e expressão. Um rabisco, um desenho, um som. Tudo tem um sentido. Com a insegurança, vamos deixando de exercitar nossa capacidade criativa, e com ela deixamos de trabalhar nossas resoluções de problemas, nossa expressão.

Mas como é que a gente exercita a criatividade nas crianças – e porque não na gente também?

A gente fala em criatividade e logo pensamos em arte. E estamos certo! Pintar, desenhar, esculpir são excelentes formas de desenvolver a criatividade. Mas não pense que imprimir um desenho e entregá-lo para seu filho pintar exercer algum poder sobre essa habilidade. Pelo contrário: limita a expressão a linhas e margens. Uma folha em branco tem muito mais valor. A variedade de materiais também um exercício: lápis, giz, canetinha, tinta, carvão, terra, café, casca de frutas, suco, gelo… Deixa fluir! Se sujar, ensine a limpar e organizar. Faz parte do processo criativo.

A base da arte também pode mudar: não se desenha só no papel, pode-se desenhar numa revista velha, no chão, no papelão, no plástico, na massa… O instrumento também pode mudar: caneta, pincel, dedo, pés, graveto, flores, nariz… A combinação é infinita!

O segredo da criatividade é variação. Sair do óbvio. E as crianças são mestras nisso. Deixa a ideia vir deles, se for muito maluca ou perigosa, conversem, adaptem. Só não vale dizer não. Porque não por fogo num papel? Pingar vela colorida na água? Os quatro elementos estão presentes na nossa vida e precisam ser dominados: água, fogo, terra e ar.

Nem só de arte vive a criatividade! Desenvolver engenhocas também auxilia. Busque criar brinquedos com materiais recicláveis, busque soluções para o dia a dia (como podemos guardar esse resto de comida, separar esses brinquedos?

Brinquedos estruturados, prontos, como carrinhos, bonecos, casinhas, etc, não ajudam na criatividade, por mais apelo que as marcas façam sobre isso. Busque brinquedos como blocos de montar, formas de madeira ou até elementos naturais, como pedras, terra, areia, tijolos. Tanto é que as crianças parecem se encantar muitas vezes mais pela caixa de papelão pelo brinquedo em si: o brinquedo é aquilo e pronto. A caixa pode ser um foguete, um carrinho de bonecas, uma mesa de operação ou o forno de um restaurante. A caixa é o que a criança quiser.

A criatividade é um músculo que exercitamos muito quando pequenos, mas que se atrofia a partir da adolescência. Entretanto, a gente sabe que as pessoas criativas conseguem se desenrolar melhor na vida – lidam melhor com desafios, sabem buscar soluções, refletem sobre os processos.

Aproveite e exercite o seu músculo da criatividade. Além de ser terapêutico, vai te ajudar no dia a dia.

Dicas:

  • Varie elementos
  • Ofereça novos instrumentos
  • Possibilite experiências em espaços diferentes
  • Questione
  • Participe
  • Aproveite os elementos naturais
  • Não diga “não”, busque supervisionar em vez de limitar
  • Não precisa dizer que o resultado ficou lindo (a criança sabe que você não está sendo real). Valorize os esforço, os passos que a criança percorreu até chegar no resultado final.
  • Divirta-se