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Construir ciúmes entre irmãos é fácil: basta dizer que o mais velho vai perder o seu lugar com a chegada do irmãozinho

Quando anunciamos a primeira gestação, o top number 1 conselho que mais ouvimos é o tal do aproveita para dormir. Mãe, sogra, tia, amiga, vizinha, até os desconhecidos que trombam com você pela rua sugerem que se descanse bastante durante os 9 meses, porque depois você não vai dormir nunca mais.

Tal conselho é dado como se dormir grávida fosse a coisa mais fácil do mundo: sentimos sono o dia todo, mas, quando vamos dormir, vem a azia, a ansiedade, a insônia, os sonhos estranhos, a falta de posição, a falta de ar, o bebê que se mexe…

20 conselhos que toda mãe deveria saber

E tal conselho é dado como se NUNCA mais na sua vida você fosse dormir. Sabemos que os primeiros dias são estafantes; nos primeiros meses você assume sua identidade zumbi, mas depois você meio que se acostuma e, quando vê, se satisfaz com 4 horas de sono ininterrupto. Depois de uns anos, você acaba dormindo normalmente – o que atrapalha o sono são as preocupações do dia a dia.

Depois que se tem um filho e se anuncia a nova gravidez, os coitados dos pequenos acabam entrando na onda dos conselhos não solicitados.

“Aproveita o colo da mãe que ele vai acabar!”

Quer coisa mais amedrontadora do que perder o colo da mãe? Seja para uma criança, seja para um adulto? É o início da construção de ciúmes do irmão.

Colo não é só lugar para descansar. É lugar de afeto, de carinho, de proteção, de aconchego, de apego e vínculo. Tirar isso de uma criança é fazê-la perder o chão.

Nunca tinha me atentado a isso, até que um dia meu filho ouviu tal conselho, e percebi seus olhinhos me fitando, num misto de medo e desconfiança. E seu olhar parou na minha barriga, como quem dissesse “quem é você aí que vai fazer eu perder a minha mãe?”.

Em vez de criar um ambiente de acolhimento para aquela criança que está tão ansiosa quanto os pais (ela só não consegue expressar isso), o clima é de desconfiança.

Na mesma hora emendei: “Ninguém aqui vai perder colo nenhum!” E perguntei a ele se quando a irmã nasceu eu deixei de dar colo e carinho a ele. O sorrisão se abriu, e o laço de confiança foi reatado.

No mesmo dia, mostrei que a gente nunca perde o colo, nem quando vira adulto, sentando-me no colo de minha mãe e de meu pai.

Parece uma coisa sem importância, mas tenho reforçado muito isso com meus pequenos. Sempre os pego no colo, faço carinho, chamego e digo que aquilo nunca vai acabar. Sei que ciúmes entre irmãos é algo difícil de lidar e algo inevitável, mas me esforço para ser algo saudável (veja dicas de como contornar esse problema)

É verdade que a ficha só cai quando o novo bebê chega, e a mãe acaba tendo que dividir seu tempo entre os filhos, o marido, a casa e ela mesma. Mas até lá, quero uma atmosfera de acolhimento para o bebê. Um lar em que todos são queridos. Não um clima de tensão e desconfiança, em que um rouba o lugar do outro, onde ciúmes entre irmãos seja algo saudável, e não perigoso. Afinal, o ditado popular tem toda razão: no coração de mãe sempre cabe mais um!