Barriga pós-parto: Meu filho nasceu mas a barriga não sumiu

Birth Marks – fb.com/birthmarks

Meu filho já tinha nascido, mas a barriga era de como ele ainda estivesse ali dentro.

O símbolo de maior afeto durante a gestação é a mãe acariciar a barriga. É naquele alisar o ventre que surge o vínculo, uma ligação simbiótica, que nos enche de prazer e orgulho. É um carinho que fazemos no bebê, mas estamos fazendo em nós mesmas. A palavra para isso deve ser conexão.

Lembro-me bem – e não quero esquecer – de como era um movimento quase que involuntário. Alisar a barriga parecia acalmar toda aquela ansiedade e preocupação da gravidez. A barriga é a ligação do bebê com o mundo, e a ponte é nosso corpo. Não é de se estranhar que ela passa a ser meio que pública, todo mundo quer passar a mão, sentir a vida se formando ali.

É um dos momentos que mais deixa saudades. Tanto é que, mesmo depois que o bebê nasce, a gente continua acariciando a barriga. Pode ser que o movimento tenha apenas tornado hábito, mas eu acredito que seja uma maneira inconsciente de dizer “muito obrigada” ao nosso próprio corpo por ter formado o maior amor da minha vida.

Mesmo depois que meu bebê nasceu, eu continuei acariciando minha barriga.

Mas uma coisa me deixou muito intrigada com o primeiro filho. O bebê nasceu, passamos 3 dias na maternidade recebendo nossos cuidados. Estava me trocando para receber a alta para casa quando me dei conta: meu filho estava em meus braços, mas a barriga ainda estava ali.  E nem era uma coisa que me preocupava, afinal o primeiro filho gera tanto frisson que não temos cabeça para mais nada, a não ser amar, amamentar, babar, cuidar…

Até que uma visita fez, brincando, a fatídica pergunta: “ficou outro aí dentro?”. Abriu-se ali um precipício no chão e eu joguei a visita ali dentro, afinal, não se brinca com os sentimentos de uma puérpera. Não! Foi só a vontade que senti, mas a pessoa tinha toda razão: a barriga leva meses para voltar para o lugar. A minha, no caso, nunca mais voltou.

Aquela barriga pós-parto chapada não existe em lugar nenhum. Seus órgãos saíram do lugar, um bebê, uma placenta e muita água saiu dali depois de meses. A pele não se regenera rapidamente. Os órgãos não se realinham rapidamente. Os músculos demoram a voltar à posição original.

Eu não sabia que a barriga não voltava rápido ou que pelo menos não ficava tão saliente mesmo depois da saída do bebê. Ninguém me alertou. E não estava preparada para aquela piadinha que mexeu tanto com minha auto-estima. Senti que aquela barriga era desleixo ou falta de cuidado meu. Mas não. A barriga pós-parto existe, é real e muito normal.

Ficou outro aí dentro?

Mais 3 gestações se passaram. A situação e a piadinha se repetiram. Até que com o último filho, eu resolvi dizer sim para aquela barriga pós-parto. Antes de tecerem comentários, eu mesma já dizia quem não sairia da maternidade pois estava esperando o outro filho nascer. Não que eu iria aceitar aquela barriga flácida o resto da vida, mas naquele momento não havia mais nada o que eu poderia fazer para reverter aquela situação a não ser me divertir com ela.

Se eu soubesse disso logo na primeira gestação, teria me divertido mais e me culpado menos por ter engordado tanto. “Mas aquela famosa saiu linda da maternidade!”. Saiu sim! E com uma equipe de stylist, maquiador, cabeleireiro e mais um arsenal para desviar o foco daquele volume abdominal. Sem filtro, no pelo, como eu e você, aquela famosa deve ter se questionado se havia outro filho ali, se é normal, se vai sumir, se vai demorar.

Enquanto o tempo de botar a barriga no lugar não vem, faça como a famosa: tire o foco da sua barriga pós-parto e deixe seus olhos brilhantes de amor pelo seu bebê ser a parte mais linda do seu corpo. E acredite, seu corpo jamais será o mesmo – e isso não é algo necessariamente ruim.