pirateNinguém me falou que desfraldar filho era tão difícil. Não estava em livro nenhum, e ninguém me contou esse segredo. Mas achei injusto não abrir essa dificuldade para outras mães.

Sempre tive receio da fase anal (que não tem nada a ver com o episódio da Sandy), pois sei que um desfralde mal concretizado, um cocô que desceu descarga abaixo sem tchau, uma bronca, um “argh” são o suficiente para Freud deixar suas marcas num indivíduo. Já falei sobre isso aqui.

Daí que eu superei a fase cuecas no varal e a fase saindo de casa com o redutor do assento. Hoje meu filho é um quase homem, que só precisa de um banquinho para fazer seu xixi em pé, como todo machão o faz. É de fazer inveja a qualquer donzela que tenha que limpar a tampa, equilibrar-se no agachamento sem se encostar na tampa, com a bolsa enfiada no pescoço, sem um mísero papel para se enxugar.

Mas eu vim aqui falar de outra coisa: Cocô!

Ah, esse ser que insiste em sair nas cuecas…

E eu já sei o horário de funcionamento do intestino, e levo o filhote pro banheiro. Lá tocamos bateria sentados no penico, brincamos de fazer força e caretas no vaso, cantamos.

– Não quero fazer cocô!

– Tudo bem. A gente tenta outra hora! – diz a mãe, tentando conter o ar de decepção.

Veste, faz carinho. E o pequeno corre para o cantinho dos brinquedos, se concentra e… Pronto! Simples. Sem farra, sem palhaçada.

– Num vem aqui, mamãe!

– O cocô escapou, filho? – já com vontade de bater minha própria cabeça na parede, mas demonstrando total controle e sobriedade.

– Nãããããããão!

– Vamos lá limpar e levar o cocô para encontrar a família dele no rio…

– Nããããão! – como se eu estivesse prestes a decepar-lhe um dos braços.

Mais uma roupa para lavar, mais um texto psicanalítico para ler, mais uma dica da Super Nanny para se aplicar. E nada!

Meu último trunfo são os piratas: fizemos a cama de barco, colocamos jacarés em volta, amarramos panos na cabeça, arrumamos uma luneta de papel-alumínio, fizemos um tesouro de chocolates, imprimi um quadro de incentivo do tema.

– Agora temos que levar o pirata ao barco para ele ganhar o tesouro que a gente fez! Vamos ajudar o pirata?

– Vamos!

Expliquei a dinâmica para ele. Até agora, o resultado foi uma birra por querer o tesouro e uma recusa em se sentar no penico. Daí eu pedi a ajuda dos universitários das Twitmães, e recebi alguns conselhos, ouvi algumas verdades, encorajei e desencorajei outras navegadoras desse mar.

Capitão-Gancho, Barba Negra, Jack Sparrow, vamos dar uma força, aí, vai!