meia

Ser mãe e ser amiga são coisas que não combinam.

Calma! Eu explico.

Meu marido sempre disse que quer ser amigo dos filhos. Quer ir para a balada quando o filho for adolescente, aprontar junto – achando que o filho vai querer a companhia dele. Ã-hã! Eu já penso o contrário: para ser mãe/pai, não dá para ser amigo. Amigo causa, nunca nega, apronta junto. Mãe/pai ensina, põe limite, fala não.

Se você for muito amigo do seu filho, com certeza, ele não vai respeitar sua figura como educador. Amigo que tenta educar é banido da rodinha #fato.

Por isso, aqui em casa eu disciplino. Tem hora para tudo – a rotina faz meu filho dormir e acordar na hora, a ser mais calmo. Se ele apronta, o espírito da Jo-jo baixa: fico à altura dele, e dou um aviso. Na segunda, babau, cantinho da disciplina: senta e pensa. Se levanta, eu volto ele pro lugar, sem contato visual, sem conversa. Dá certo!

O piso aqui de casa é frio. Então meia é o básico. Atualmente, a atividade mais atrativa pro filho é por e tirar o sapato: tira e põe outro; tira e põe o meu; tira e põe o dele ao contrário. Então tem que ficar de meia. Acabou.

– Filho cadê a meia? Vai por já! Senão você vai pensar.

Estava eu me arrumando para sair. Ajeitando a bolsa, pegando meus 1001 pertences:

– Mamãi, cadê a sua menha?

– Já vou por, filho.

– Põi, zá!

– Tô indo, amor.

Filho segura minha mão, me levando para perto da parede:

– Sentati. Tá de sastido!

Sentei e aproveitei para por a meia. Não falei que funciona!