Um instante de afeto

Fonte: Google

Uma vez descrevi um momento que foto nenhuma no mundo poderia captar. Foi em 2006, em Niterói, depois de uns 4 dias de chuva ininterruptos. Vi uma paisagem deslumbrante que, mesmo se eu tivesse uma máquina fotográfica ali, não poderia captar tal circunstância. A magia, a vibração da cena, isso a câmera não capta. leia aqui

Estamos em uma época histórica em que cada um tem sua câmera, sempre a postos. O resultado da imagem sai na hora, sem suspense, sem erro. E ainda podemos dividir a imagem com qualquer pessoa do mundo ao colocá-la em nossas redes sociais, aguardando pela aprovação ou não dos que nos seguem.

Qualquer um com uma câmera digital de qualidade e com habilidades no Photoshop virou fotógrafo. Difícil mesmo é encontrar alguém que capture momentos, e não imagens apenas.

Mesmo assim, como descrevi naquele post, existem situações que câmera nenhuma capta.

Quando minha filha nasceu, a fotógrafa entrou no quarto para tirar fotos das lembrancinhas e deixar uma foto de recordação – aquelas que se ganha na maternidade. Pedi para que ela tirasse uma foto da Alicia com o irmão.

Sentei-o no sofá, coloquei a pequena em seu colo, como que se entregasse-lhe um presente – e de fato estava entregando. Os olhinhos dele brilhavam. E ele segurou-a tão amavelmente, de um modo tão acolhedor, que senti segurança em deixar minha recém-nascida sozinha no colo que de uma criança de 2 anos.

Com os olhos cheio d’água, posso dizer que foi a cena mais linda que já vi em minha vida. Senti o nascer do amor dos irmãos, o encantamento dele por aquela criaturazinha, a cumplicidade que brotava de um plano que não podemos compreender. Mal consigo explicar a embriaguez desse sentimento. Mal consigo descrever com detalhes o momento que presenciei. Foi intenso, singular. Um instante inexplicável de afeto, nos dois sentidos da palavra – afeto de afeição, amor; afeto de afetar, tocar, sensibilizar.

Leia: O tempo e os filhos

Depois que ela se foi, ainda voltei ao hospital para pegar as fotos de seu nascimento. Mas a foto dela no colo do irmão não estava lá. Procuraram, procuraram… Nenhum um pixel restou daquela imagem.

Restaram só a saudade do momento e a intensidade do afeto entre irmãos que só o coração de uma mãe é capaz compreender, que só os olhos da alma de quem estava presente pode captar.

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21 comments

  1. Tem emoções que só quem é mãe sente.

  2. Mi:
    Muito lindo seu post! Quando você me mandou a DM, pensei logo na sua pequenina, mas não sabia como dizer… Eu realmente sinto o que você descreve quando coloco a Nina no colo do Cauê!
    Esses momentos são exatamente como você diz, mesmo que se tenha uma câmera, ainda assim acho que não conseguem captar toda a energia do momento…
    Beijão

  3. Sei o q é isso!
    Tinha tanto receio, tanto medo…
    E qdo Gabizinho nasceu, o amor do Gi por ele me fez amar mais e mais…
    Lindo relato!
    E q bom q vc tem td isso no melhor lugar: o coração!
    Bj
    da Li

  4. Que post lindo!
    Também senti o mesmo ao apresentar à Bia o seu irmão. Senti uma emoção tão forte que não sei bem explicar…

    E sobre o registro da sua pequena, vc a tem no coração, na alma.

    Beijo

    • A gente fica querendo tirar foto de tudo, de todos os momentos… Mas tem coisas que só a memória da gente é capaz de guardar.
      Cheiros, pro exemplo, só ficam na memória!

      Jokas da Mi diiirce

  5. Mimizóide, que lindo isso. Adorei a mensagem desse texto seu! Um beijo grande, Thais

  6. Puxa amiga, que pena que não encontraram a foto dos dois… mas ficará para sempre na memória de vocês viu? Beijinhos;.

    • Dps do ocorrido, nunca mais olhei p fotos do mesmo jeito, sabe…
      Tipo, elas ficaram mais vazias. Mas ao mesmo tempo algumas ganharam mais valor.
      Entendeu? Não? Nem eu!
      Vou ali tomar meu remedinho…
      Jokas da Mi diiirce

  7. que emocionante! pensando ceticamente, dá raiva de terem perdido a foto… mas pensando com o coração, tem doçuras de imagens, singelezas… que nenhuma foto consegue captar

    um beijo!

  8. Aff! Que post lindo, tô no trabalho e chorei. Tenho uma irmã no céu, que foi aos 33 aninhos e deixou duas pequenas aqui. Quase todas as fotos que temos dela, fui eu que tirei e cada uma que olho lembro do momento e não só da pose.

  9. Sim, os momentos mais sublimes são praticamente impossíveis de serem fotografados. Na verdade, se perdermos tempo registrando não poderemos viver plenamente cada segundo do que está acontecendo. Esses, ficam apenas na memória, à nossa disposição em qualquer tempo e lugar. Viva nossa memória fotográfica! 🙂 bjs querida! Camila Va

  10. Sim, os momentos mais sublimes são praticamente impossíveis de serem fotografados. Na verdade, se perdermos tempo registrando tudo, deixamos de viver plenamente cada segundo do que está acontecendo. Esses instantes mágicos, ficam apenas na memória, à nossa disposição em qualquer tempo e lugar. Viva nossa memória fotográfica! 🙂 bjs querida! Camila Vaz

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