Ser mãe e professora: o último dia de aula

Prometi no ano passado (nofa, quanto tempoam!!!), mas só consegui agora postar esse texto que escrevi num pedaço de papel assim que saí da escola depois do último dia de aula. Foram 10 anos longe da sala de aula, depois de afirmar que não voltaria a dar aula por N razões e decepções. Mas a vida dá voltas, rodopios, duplo-twists-carpados e… Enfim, pega a visão!

Era o último dia. E eu entrava na sala, já com o coração apertado, pensando em como cada aluno passa pela vida da gente e, de repente, bate as asas para um galho mais alto. A gente se enche de orgulho das conquistas deles e cresce com cada desafio que as dificuldades desses alunos nos impõem.

Já era difícil há 10 anos, antes de pensar em ter filhos. Agora, de volta às salas de aula, mas com o coração amolecido pela experiência de ser mãe, eu posso afirmar com conhecimento de causa me despedir desses alunos hoje foi mais difícil. 

Ao olhar cada rostinho, vi um brilho no olhar que não sei se terei a chance de olhar novamente. O brilho da conquista do último dia de aula, de mais uma etapa da vida deles que está passando, e eles, com toda a ingenuidade da idade, não conseguem notar tamanha imensidão.

Sendo mãe, hoje compreendo o peso de ser professor. De como somos ativos na moldagem do caráter das crianças. Hoje, sei que cada cumprimento de um professor, ou cada chamada de atenção, cai toneladas sobre a vida leve das crianças.

E, sendo professora, entrei naquela sala. Era o último dia. Segurei as lágrimas, não querendo parecer boba. Aquelas figurinhas bem diante de mim, doidas para descobrir algo, e tudo o que eu tinha a oferecer naquela hora era um abraço e um empurrãozinho para eles seguirem para o próximo galho. As asinhas se abrem, e eles então se foram.

Eu me encho de orgulho e, egoistamente, meu coração fica pequeno: “Será que fiz tudo o que podia por aquele aluno? Que marcas deixei eu na vidinha dele?” 

Eu tentei dizer, mas eles são pequenos demais para entender o meu muito obrigado. Mas já são grandes o suficiente para deixar marcas profundas em mim. Como fazem os filhos com suas conquistas diárias.

E se meu coração se entristece de saudades de cada rostinho, ao mesmo tempo ele se enche por saber que ninguém saiu daquela sala do mesmo jeito que entrou.

Ninguém.

2 comments

  1. Amei! E então… vai continuar?

    Sou mãe e estudante de Letras… faço estágio! …e não tenho palavras para falar de tantos desafios…

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