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diiirce sai da sala

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Falta-nos tempo. É sempre a mesma reclamação, independentemente de idade, classe social…

Antes eu trabalhava, estudava, não tinha empregada, saía de balada. Dava tempo de fazer muitas coisas, e eu já reclamava da falta dele.

Depois veio a formatura, o primeiro filho, a faxineUra, e o tempo? Sempre escapando pelos dedos.

Mais uns anos, mais um filho, mais se escapa.

E a velocidade dos segundos parece ter aumentado à medida que meus filhos ganham centímetros em altura.

Onde foi parar o tempo? Aquele de se sentar e ler um livro, na rede? Aquele de ver o sol se por? Aquele que me transformou?

Está aí uma verdade: a gente se desdobra para checar as redes sociais, para blogar, mas a gente não encontra tempo para contemplar o céu debaixo de uma árvore.

Prioridades? Comodismo?

Faça o teste: 30 minutos na frente do computador e 30 minutos num parque, totalmente desconectado. Em qual das duas oportunidades o tempo passou mais depressa?

É como aquela história de o que pesa mais: um quilo de pena ou um quilo de pedra. O quilo é o mesmo, o que muda é a forma como recebemos o peso.

 

E vai que você se inspira e resolve copiar a jornalista que passou 30 dias desconectada, ou essa família que ficou off-line num final de semana ou pelo menos 24 horas, como esse grupo de universitários. Eu vou tentar uma das opções e depois conto como foi. Quem topa?

Era para ser uma crônica

Era para ser uma crônica

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“Amanhã eu fui na casa da vovó.”

“Mamãe, ontem você me leva no parquinho?”

De banho tomado, pijama e pronto para dormir: “A gente já vai almoçar?”

 

Meu filhote já tem noção do tempo. Meio em formação, mas já é capaz de sequenciar fatos logicamente. Ainda falta aprender a utilizar os adjuntos adverbiais de maneira adequada e mecânica, sem que nenhum Bechara, Napoleão ou Pasquale tenha que se pronunciar.

Com três anos ele já sabe que a chupeta só pode ser usada quando escurece, que o sol desaparece quando a lua chega, que as manhãs e tardes são claras. Faz contagens regressivas riscando dias no calendário e espera ansioso por festas e dias especiais:

“Só falta mais um!”

Já tinham me alertado da velocidade com que esse senhor tão jovem – o tempo – passa na nossa vida e na dos nossos filhos. O difícil mesmo é encontrar uma lógica na incognoscibilidade das horas.

Três anos que passaram num piscar de olhos. Uma semana de caxumba que demora para sarar. A rapidez com que um tablete de chocolate derrete na boca e a morosidade do gosto amargo do remédio que não sai.

39 semanas que transitaram entre diferentes velocidades: um primeiro trimestre de sono e enjoo que foi bem vagaroso. Seguido de mais dois trimestres que deslancharam com uma brevidade aceitável.

Cinco dias que demorarão um século até o dia de meu rebento mais novo chegar ao mundo. O peso do relógio arrastando os ponteiros para a frente e puxando seus passos para trás. A eternidade que se insere entre o fim daquela pressão no abdômen e o início de um choro.

E a gente ainda acredita que relógios e fotografias podem aprisionar os períodos… Aprisionamos a contagem, as imagens, mas o momento, aquele período que não podemos enxergar, aquele só sentimos passar, esse a gente não segura.

Mestre tempo. Tão determinado, tão relativo.

Tão lógico e métrico, quanto incoerente e anacrônico.

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