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Não tem cabimento

Não tem cabimento

menina1

365 noites mal dormidas

1500 fraldas trocadas

1800 mamadas

360 papinhas

4 dentes

8,5 quilos

74 centímetros

420 banhos

Nenhuma chupeta

8 apelidos

40 semanas te gerando.

277 dias te aguardando, num misto de medo, alegria, realização e tensão.

Enfim, você chegou. Tão frágil, tão delicada.

E por um instante eu pisquei, só para molhar meus olhos. E você já estava dando seus passinhos pela casa.

Outro dia, só eu te bastava. E eu queria aprisionar nosso momento de amamentar numa garrafa, e fechar e deixar lá para eu contemplar quando eu quisesse.

Agora o mundo é o tapete do seu lar.

A mim, só cabe educá-la, servir de exemplo, te dar a mão, te dar o colo.

A mim só cabe te deixar voar.

A mim só cabe apreciar a beleza da vida te transformando.

A mim só cabe buscar palavras para exprimir o amor sem tamanho que não cabe em mim, nem em canto nenhum.

E a você, só cabe viver!

 

Post especial para minha menina, que completa hoje seu primeiro aninho de vida.

 

 

Mimetismo na hora da faxina

Mimetismo na hora da faxina

clarice-lispector

E eu vivia muito bem sem ajudante. Mesmo antes da PEC das domésticas.

Até que não estava mais dando conta de vidros, azulejos e duas crianças (e roupas, e comida, e marido, e blog, e quintal, e ir ao banheiro). Tive que dar o braço a torcer e aceitar a diarista da sogra de quinze em quinze dias só para fazer o “serviço mais pesado”.

Na primeira vez, ela demorou bastante, como toda primeira faxina. Normal mamãe passou açúcar em mim.

Na segunda vez, ela demorou mais ainda. Chegou a me deixar irritada, de tanta lerdeza. Entretanto, ela ia fazendo o serviço direitinho (chegou a limpar a escada com buchinha! E eu, me achando a madrasta da Cinderela, pedi p ela só passar um pano).

Já estava decidida a dispensar a moça, até que comecei a reparar mais nela: ela quase não fala, e quando fala, mal se entende. Ao comer, tive a impressão de que ela tinha 20 dedos em cada mão, tamanha dificuldade ao se utilizar os talheres.

Se essa moça não conseguir um emprego como diarista, ela não terá chance nenhuma! Creio que nem como gari, já que é preciso passar em concurso. E longe de mim um discurso escravagista ou de disputa de classes! A questão na verdade é filosófico-social.

Então, lembrei-me de Macabéa, de A hora da estrela. Aquela nordestina imigrante, que trabalhava à exaustão, que não tinha consciência de sua existência, mas queria ser estrela de cinema. Ignorante e alienada, de informação e de emoções.

Juro que me vi nas páginas de Clarice Lispector: um pouco como o patrão que despede Macabéa, um pouco como a própria.

Aquela que busca se realizar, mas que não tem noção do que é ser, de onde está, aonde quer chegar. Simplesmente é.

Se tivesse a tolice de se perguntar “quem sou eu” cairia estatelada no chão (…) Só uma vez se fez uma trágica pergunta: quem sou eu. Assustou-se tanto que parou completamente de pensar. (…) “Essa moça não sabia que ela era o que era, assim como um cachorro não sabe que é cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não, sabia para quê, não se indagava. (…) Sua vida era uma longa meditação sobre o nada. Só que precisava dos outros para crer em si mesma, senão se perderia nos sucessivos e redondos vácuos que havia nela. (…) Encontrar-se consigo própria era um bem que até então ela não conhecia.(…)

 

O filme é antigo e não chega aos pés da riqueza da leitura original, mas quebra um galho pro enredo

 

Se você só leu Clarice Lispector nas frases do Facebook, recomendo a leitura.

Moral da história: como Seu Raimundo, não dispensei a moça por dó. Como Rodrigo S. M., vou narrando na minha onipresença. Como Macabéa, espero não realizar meu sonho apenas na hora em que morrer.

E divaguei faxinando… Quem nunca?

 

O que estou aprendendo com meu filho

O que estou aprendendo com meu filho

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Quando estava grávida, achava que tinha que ler de tudo para poder entender um pouquinho a vida deste novo serzinho a caminho. Ledo engano! Por mais que eu lesse o equivalente a todo o legado do Mindlin, ainda assim, não estaria preparada para esta aventura que é ser mãe.

Descobri que cada momento é uma descoberta, cada dia gera um novo aprendizado. Os livros ajudaram, e ajudam bastante, assim como os conselhos da mãe, da sogra, da irmã, das amigas. A internet também ajuda, mas por vezes acaba por confundir mais a cabeça atolada de uma mãe de primeira viagem.

Todos os dias descubro que meu limite de paciência pode sempre ser estendido. Que uma risada ou um beijo paga qualquer arte malcriada. E que um beijo ou soprinho de mãe cura muitos dodóis.

Agora entendo melhor meus pais. E sei que um abraço sem razão é gostoso demais. E compreendi que minha sogra deve ser minha melhor amiga.

Com meu filho, agora dou mais valor ao meu tempo e procuro administrá-lo da melhor maneira. Além disso, como mais frutas, legumes e verduras. Não só para dar o exemplo, mas porque preciso de mais energia para aguentar o tranco que é cuidar de uma criança.

Aprendi que meu marido é meu melhor companheiro e amigo. Mas ele não está nem perto de entender as agruras e as doçuras de ser mãe.

Aprendi que todo dia posso ensinar algo a meu filho. Aprendi que aprendo mais com ele , do que ele comigo!

Texto publicado originalmente em 27/4/2010, quando o blog ainda se chamava Cafofo da Mimi

Amar é imperativo

Amar é imperativo

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Acorda, filho. Anda, vai logo que já estamos atrasados. Já fez xixi? Tem que fazer xixi. Vai fazer xixi. Vem fazer xixi agora! Desce para tomar café. Toma o leite todo. Come com a boca na mesa e toma o leite. Não grita que sua irmã ainda está dormindo. Vai lá fora brincar de bicicleta. Entra que está chovendo. Não corre. Cuidado. Não mexe aí. Não pula. Já falei para não mexer aí. Se eu falar de novo… Não fica em cima da sua irmã. Para. Vem cá me dar um abraço. Vem comer. Para de brincar com a comida. Corre, vem ver. Não fala assim com seu pai. Não faz isso. Vai devagar. Vem tomar banho. Levanta. Abaixa. Vira. Não foge. Agora não. Depois. Mais tarde. Outro dia. Não. Porque sim. Desce daí. Vem. Agora. A-go-ra! Sobe. Não sobe na sua irmã. Não mexe na sua irmã. Brinca com sua irmã. Dá o brinquedo para ela. Não chora. Vem cá. Deixa eu te dar um beijo. Me dá um beijo. Assim não. Chega. Vamos trocar de roupa. Essa não. Vem por o pijama. Vem deitar. Não faz barulho. Vem me dar um beijo de boa noite. Vem deitar. Deita aqui no colo. Dorme.

 

Imperativo é para se dar ordens, exibir sua vontade. A vontade de quem fala, de quem pede, não de quem ouve.

Pego-me pensando em quantas ordens dou durante o dia. Em como quero ter o controle de tudo – mesmo não tendo.

Pode ser autoritarismo da minha parte. Pode ser apenas uma forma de implantar a rotina, a educação e os limites.

Mas pode ser algo maior, e muito menos notável.

O vínculo entre eu e meu filho ainda é muito forte, muito instintivo, muito passional -  e assim o quero para sempre. Coisa de bicho. Mas sei que o desenvolvimento dele depende da sua aquisição de liberdade e autonomia. É preciso soltar aos poucos as amarras, conforme ele aprende seus limites.

Mas enquanto eu sentir que somos ainda uma coisa só, como se ele ainda fosse uma parte de mim, vou querer que meu imperativo prevaleça. E só quando ele for capaz de se libertar das garras que é um colo de mãe, vou deixá-lo caminhar por si, lançar seus imperativos, sem que eu interfira em suas vontades, ainda que eu não seja quem irá realizar seus desejos.

imagem: weheartit

Porque meus filhos não usaram andador

Porque meus filhos não usaram andador

andandor

Os primeiros passos do bebê: algo emocionante. É a conquista da independência. Motivo de orgulho para a família. E, sei lá porque, bebê-modelo é bebê que faz tudo adiantado. “Meu filho engatinhou com 6 meses!”, “Meu bebê falou com essa idade”, “Quando meu filho era desse tamanho, ele já andava”. Temos pressa.

E a vontade de ver o bebê crescendo cega as pessoas a um ponto em que elas se esquecem que existem etapas de aprendizado. Colocar a criança no andador achando que isso estimulará a marcha é a mesma coisa que colocar uma criança de 2 anos para aprender a ler e escrever: a criança pode até aprender algo, mas vai deixar para trás estágios de desenvolvimento cruciais para sua maturação.

Há quem utilize o andador para estimular (?) o bebê a andar, há quem o use apenas para entreter a criança enquanto se dá conta da vida e há quem o utilize para a criança gastar suas energias, o que a torna mais calma (ou cansada?).

Na minha opinião, e na de muitos especialistas em desenvolvimento infantil, é que nenhuma das razões acima justifica o potencial risco de uma lesão, visto que o “brinquedinho” é o equipamento para bebês que mais causa acidentes, podendo ser queda, choque contra um móvel derrubando algo sobre si, ou algo mais grave, como cair de escadas ou numa piscina.

Além do risco de queda, o andador parece atrasar o desenvolvimento das crianças depois que elas aprendem a andar, até mesmo atrasando seu desenvolvimento mental, já que essa jornada rumo à marcha trabalha habilidades perceptuais e cognitivas.

O que as pessoas deveriam saber é que os andandores na realidade podem atrasar, eu disse ATRASAR, o desenvolvimento motor dos bebês, o que, consequentemente, pode atrasar o desenvolvimento mental deles.

Isso acontece porque o equipamento permite uma mobilidade ao bebê maior do que sua capacidade natural. Ao engatinhar, a criança aprende sobre desníveis, limites e dimensões de objetos. Ficando muito tempo no andador, ela não assimila bem essas noções: é o aparato que toca os objetos, e não o corpo da criança em si; o andandor atinge uma velocidade que naturalmente a criança não conseguiria atingir.

Depois dos 6 meses de idade, os bebês sentem a necessidade de se locomover pelo chão. Por isso mexem pernas e braços vigorosamente, rolam, rastejam, e se enchem de alegria quando conseguem alcançar um brinquedo que estava longe. O próximo passo, então, passa a ser conseguir se manter em pé. Bebês que fazem uso do andador pulam toda essa jornada. Os pés podem adquirir um posicionamento não natural, já que andam pelo chão antes mesmo da criança ser capaz de suportar seu peso sobre as pernas.

Antes de estar pronto para andar, o bebê precisa fortalecer seus músculos, desenvolver a lateralidade, melhorar coordenação motora, desenvolver sua percepção espaço-visual, diminuir a sensibilidade tátil, entre outros aspectos. Pular qualquer uma dessas etapas pode ocasionar dificuldades escolares, já que a aquisição da leitura e da escrita dependem desses fatores.

Numa aula de Aspectos do desenvolvimento neuromotor infantil, um neuropediatra e professor da Faculdade de Medicina do ABC, respondeu sobre a idade ideal para se utilizar o andador: “Lá pelos quinze anos!”. Mais apropriado impossível.

Hoje em dia os andadores são (falsamente) mais seguros, mas ainda não promovem nenhum benefício ao bebê. Vale mais a pena investir numa mesa ou tapete de atividade para entreter a criança: aprendizado mais significativo e sem riscos. Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria inicia esta semana uma campanha contra o uso do andador. E terá meu completo e integral apoio!

Meus filhos rolaram pelo chão, se sujaram sim, se arrastaram, aliás, tem um ser rastejante aqui do lado. Nem em pensamento cogito a possibilidade de um andandor: se preciso fazer minhas coisas, um tapete no chão com brinquedos basta; se preciso estimular a criança, brinco com ela; se quero acalmá-la, uma massagem, banho e colo são ideiais.

Taí um treco que merece ir para a lista de invenções que nunca deveriam ter sido inventadas.

Um brinde às donas de casa – com o avental sujo?

Um brinde às donas de casa – com o avental sujo?

dona

 

Hoje é nosso dia!

Há três anos e tralalá, decidi, por iniciativa própria, que abandonaria minha recém carreira de psicopedagoga para cuidar da minha família. Contei isso aqui, uma vez.

Jamais imaginei que a vida de uma mãe em tempo integral seria tão puxada,mas também em nenhum momento desejei ter vida de dondoca que é bancada pelo marido.

Já pararam para pensar que “nunca antes na história desse país”, mulheres que optaram por ficar em casa sofreram tamanho preconceito da sociedade.

Tem muita gente achando ainda que ser dona de casa é permancer descabelada, com avental sujo, de bobs no cabelo e unhas mal feitas. Outro tanto acredita que ser dona de casa hoje em dia é ser fútil, torradora de dinheiro do marido, que passa os dias entre shopping e academia.

Quem dera…

Elas queimaram os sutiãs e foram pedir direitos iguais.

Iguais uma ova! Somos mulheres e queremos o direito de permanecer em casa cuidando da família, bem old-style, bem retrô, se isso for do nosso agrado.

Cuidar da família não significa emburrecer. Pelo contrário, temos mais tempo de nos dedicar, nos aperfeiçoar e nos informar sobre. Digo que sou uma mãe profissionalizada.

Cuidar da casa não significa estar feia. Enquanto o feijão fica pronto, colocamos uma máscara no rosto e fazemos as unhas. Somos multifuncionais também.

A diferença é que as mulheres que trabalham ou se sobrecarregam ou dependem de uma empregada. Ah! Vai me dizer que é miragem aqueles traseiros gordos cheios de celulites nos escritórios da vida, as unhas descascadas, as caras emburradas desejando estar em casa com os filhotes?

Nem tanto a bruaca, nem tanto a diva, nem tanto a periguete.

Assim como mães que trabalham nem sempre são aquelas secretárias de corpão bonito, antenadas, que falam 5647 idiomas, as donas de casa não são aquelas mocreias sedentárias!

E há quem diga que é um retrocesso a mulher ficar em casa, cuidando dos filhos. Dizem até que isso motivo para traição e separação. Oi? Acredito mesmo é que é preciso muita determinação para tomar esta decisão de ficar em casa. E se eu posso escolher entre trabalhar e cuidar da família é porque atingi um certo grau de maturidade.

O mote é: faça sua escolha e seja feliz com ela!

Eu fiz a minha e digo: Feliz dia da dona de casa a todas as colegas!

E não deixem de ler a matéria no Uol Mulher sobre dona de casa e preconceito (estou por lá, com minha gatinha e meu pequeno Wolverine).

Brincar de quê?

Brincar de quê?

cardboard

Antigamente se brincava na rua de terra, de subir em árvore, de correr, de pular, de costurar, de inventar brinquedo.

Depois se brincava na rua de asfalto, com os amigos, com os brinquedos que se ganhava no Natal ou no aniversário.

Daí passou-se a brincar nos condomínios, com uma infinidade de brinquedos, campeonatos de vídeo-game, coleções de bonecas, chamadas então de fashion dolls.

Hoje têm-se mais brinquedos do que tempo para brincar. Dá pra se distrair sozinho ou online com o vizinho. O que era instrumento de trabalho virou brinquedo.

Há quem critique essa digitalização do brincar.

Acontece que o brincar reflete a sociedade. A criança brinca para treinar ser adulto.

Não existe tanta necessidade de habilidades físicas hoje em dia. O adulto precisa ser competente digitalmente nos tempos atuais.

Darwin estava certo. Sempre esteve.

O que não está certo, nem nunca esteve, é privar a criança do convívio social com outras crianças. Privá-la do imaginar, do fazer-de-conta.

A banalização do brinquedo faz isso: castra a criatividade, massifica o faz-de-conta.

Precisa de um carro, toma. Precisa de um foguete, toma. Precisa de uma panela, toma. Precisa de um castelo, aqui está.

Na loja é possível encontrar quase tudo de brinquedo. Até as fantasia já estão lá, prontas para serem vestidas.

Mas não há caixas de imaginação.

Nossos filhos não sabem criar, travam a brincadeira se não encontram a varinha de condão que transforma uma caixa em prédio, um paninho em vestido de gala, uma meia em bola.

Se lhes falta o quintal, o aplicativo lhes traz uma hortinha feliz com infinitos alqueires.

Mas falta espaço para viajar, espaço para o livre brincar.

É tanta preocupação em ter uma brincadeira pedagógica, uma atividade dirigida o tempo todo, que as crianças não sentem necessidade de criar, de improvisar.

E, se Darwin estiver certo, não viraremos robôs, mas nos tornaremos tão frios quanto.

Brincando de Médico

Brincando de Médico

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Sentada aqui, na espera do pronto-socorro pediátrico, fico refletindo se o pediatra que acompanha meus filhos é o cara mais bacana. Se os médicos aqui do ambulatório vão examinar com propriedade as crianças que aqui estão. Se os pais vão acatar cada diagnóstico dado.

Por um lado, é difícil encontrar um pediatra parceiro, daqueles em que confiamos, daqueles que confiam na gente a ponto de dividir um número de celular para as horas punk. Principalmente se utilizamos nosso plano de saúde. Nas primeiras consultas, tudo é muito legal. Depois, elas ficam rápidas, e as perguntas são respondidas a seco. Fico com a sensação de estar levando corpinhos para um exame, não crianças para um acompanhamento.

Por outro, acho que os pais estão cada vez mais exigentes e mais informados. Ficam questionando toda e qualquer fala do pediatra, como se o Google desse conta de toda uma carreira em medicina. Os pais não conseguem mais dizer “o pediatra orientou”. Os conhecidos, o fóruns de discussão, a vizinha têm mais credibilidade. Vai de acordo com a conveniência daquilo que os pais querem ouvir – mesmo que não seja o diagnóstico mais acertado.

Pois não é que eu achei uma solução? A cortina se levanta e começa um projeção holográfica, porque data-show tá ultrapassado!

 A Convenção Pediátrica das Mães

Cada hospital deveria ter um grupo de meia dúzia de mães, um computador e pronto. Chegam os pais com a criança e um problema. A convenção analisa todos os sintomas, dá um Google e se reúne numa rápida discussão. Como num tribunal, dá veredito final: É virose, é gripe, é manha.

Para os casos de divergência ou os que requerem dados mais clínicos, aí, sim, o pediatra plantonista é solicitado.

Muito mais credibilidade e conveniência. Mães felizes e realizadas dando pitacos e palpites como profissão. Pediatras menos sobrecarregados. Pais contentes e satisfeitos com o tratamento.

Não ia ser o máximo? Tirando que além do diagnóstico, as crianças iriam utilizar muito menos antibióticos, e bem mais chazinhos e mandingas. As avós iriam recuperar seu valor!

 

Brincadeiras à parte, acredito que o que falta é um pouco mais de atenção, de ambas as partes: os médicos precisam ouvir mais as queixas dos pais, escutar o que as crianças têm a dizer, discutir com os pais numa conversa, num bate-papo. Os pais também precisam refletir, questionar, mas sem querer testar os conhecimentos do médico, ou não aceitar um diagnóstico porque não é exatamente aquilo que se espera ouvir.

O ideal seriam consultórios sem aquela mesa/muralha que divide o espaço pais-pediatra. Os médicos não estão na sala de cirurgia, estão no consultório: lugar onde paciente busca informação, opinião mais experiente. Não um diagnóstico fechado e pronto, como receita de bolo.

E, a propósito, nunca encontrei um pediatra que me desse o número do seu celular, e acredito que esse não seja algo relevante. As gerações anteriores criaram filhos sem esse advento, e nem por isso o número de mortalidade infantil se alterou.

Dica: O pessoal do Mamatraca está com uma discussão ótima sobre o assunto. Passem lá!

Aliciamento de menores

Aliciamento de menores

 

childtv

O assunto hoje é publicidade infantil.

Tem gente que discorda, que esse tipo de propaganda deveria ser sumariamente abolida e substituída por algo voltado aos pais. Menos extremistas já alegam que um acordo ou regulamentação sustentada pela ética já basta.

O caso mais antigo de abuso nesta modalidade que me recordo foi esse aqui:

Você se lembra disso?

Na minha opinião, banir a publicidade infantil não vai ajudar muito a diminuir o consumismo das crianças. Acho que não é a TV que infuencia, mas a educação que se recebe.

Se a criança ganha algo que ela viu na TV, fica o reforço positivo gravado em sua mente. Culpa da TV? Não. A TV não deu o produto a ela.

Se abolirmos a publicidade infantil, campanhas como esta a seguir jamais teriam sido criadas e premiadas.

Tomou?

 

Por que propaganda fofinha de produto essencial como leite pode, mas propaganda de fast-food com personagem da moda não vale?

É para se pensar!

Concordo que as crianças não conseguem diferenciar o desenho da propaganda. Para elas é tudo uma coisa só. Mas não acredito que banir a publicidade infantil seja a melhor saída, ainda que considere impossível explicar a uma criança de 3 anos porque não se pode ter tudo o que é anunciado na TV.

Na dúvida, continuo com a opinião de sempre: Educação é o que se aprende em casa.

Pois se a bala, o biscoito, o brinquedo entraram em casa, não foi porque a publicidade realizou um teletransporte – foi porque um adulto responsável, capaz de discernir entre o normal e o abusivo, fez uma escolha.

Amanhã de manhã…

Amanhã de manhã…

cafe

Nosso dia a dia cheio de afazeres deixa nossa rotina corrida. A gente se tornou refém de nossos próprios compromissos, e as atividades que antes eram sociais e prazerosas viraram eventos automáticos e frios.

Refiro-me às refeições: antes as famílias sentavam-se à mesa, sem interferência alguma, não só para alimentar o corpo, mas também para nutrir a alma de quem participava daqueles eventos. Hora de comer era a hora de por o papo em dia, saber como foi o dia do outro. Comer era um ato social.

Com o passar do tempo, fomos perdendo a mão.

Cada um come numa hora, num canto da casa. Quando se consegue juntar dois ou três membros da família, lá estão eles acompanhados de uma telinha qualquer. A mesa deixou de ser parte do coração da casa para ser peça de decoração da sala de jantar, e agora ela mais parece uma escrivaninha.

Hoje percebo um certo resgate do ato de se alimentar: as famílias buscam almoçar e/ou jantar juntas, ainda que com a TV ligada. Amigos se reúnem em restaurantes e se comprometem a deixar os celulares intactos sobre a mesa.

Entretanto, o café da manhã ainda é o patinho feio da história. No afã do “só mais cinco minutinhos”, cada um levanta no seu horário e engole uma bolacha acompanhada de um café instantâneo. Tudo para não perder a hora que o trânsito com certeza irá lhe roubar. Mas acho que é nesse desjejum que poderíamos conversar sobre nossas expectativas e, sinceramente, desejar bom dia ao outro.

A falta de tempo a gente dribla deixando a mesa posta na noite anterior, preparando um ou outro quitute de antemão. Abrir mão de meia horinha de sono pode garantir um dia mais gostoso, mais bem aproveitado, uma vez que despertaríamos e encheríamos nosso organismo de energia para enfrentar o dia a dia.

Café da manhã de comercial de margarina não é coisa para todos os dias, assim como almoços e jantares de comercial de óleo de soja não o são.

Proponho a você fazer essa experiência em casa: oferecer café da manhã para a família como uma refeição durante uma semana.

Eu começo o projeto hoje. Vem comigo?

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