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Quanto tempo vc gasta na faxina?

Quanto tempo vc gasta na faxina?

fax

Uma pesquisa divulgada num evento da Unilever, aponta que a mulher gasta cerca de 10 anos nos cuidados com a casa. Fazendo uma conta por cima, no auge dos meus 33 anos, com 12 anos de casada, devo ter gastado apenas 2 deles.

* pausa para o coquetel de rivotril, fluoxetina e sertralina *

Respira, volta para si, que há mais 8 anos de limpeza pela frente!

Afinal de contas, se você é uma mulher brasileira, que cuida da casa, você deve ter consciência dos problemas de sujeira no seu lar, e uma certa obsessão por limpeza. Ainda mais quem não conta com a ajuda da faxineura, e faz tudo sozinha, já que cuidar da casa é um trabalho ingrato contínuo.

E não basta estar tudo limpo: é preciso deixar a casa brilhante, desinfetada e perfumada. Existe sensação melhor do que tomar um banho e se jogar no sofá só para sentir o cheirinho e admirar a casa arrumada? Tá, existe, mas esse é um dos pequenos prazeres da vida doméstica.

Além disso, dividimos a limpeza em dois tipos: os cuidados diários e a faxina pesada. Para tal, criamos coquetéis de produtos. Apesar de ser extremamente perigoso misturar produtos de limpeza (principalmente os à base de cloro), a dona de casa faz isso buscando potencializar os resultados. Não contem para ninguém, mas eu mesma sou fã da mistura álcool, água e amaciante, tanto para passar roupas, como para tirar o pó do chão.

Tanto as misturas quanto utensílios e esforço físico (para quê academia?) servem para compensar a falta de eficácia de alguns produtos. É difícil encontrar no mercado um produto que remova a sujeira facilmente, desinfete, deixe perfumado, não acabe com as mãos e que caiba no bolso. E se pararmos para pensar na questão da sustentabilidade, aí é que a vaca vai para o brejo de vez, já que o consumidor brasileiro comum não parece associar sustentabilidade à limpeza.

Assim, vamos gastando nossa renda com a água sanitária, o desinfetante, o detergente e o limpador multiuso, nesta ordem, seguido pelos demais produtos de limpeza, como aponta a pesquisa da Unilever.

piaEmbora achamos que o banheiro é o lugar mais sujo da casa, infelizmente, é a cozinha que lidera o ranking dos focos de bactérias, mais precisamente a pia. Aliás, existem objetos do nosso dia-a-dia bem mais sujos que o vaso sanitário, como o teclado do seu computador!

Mas se pensamos que dentro de casa estamos protegidos dos vírus e bactérias, tamanha é nossa surpresa ao saber que é dentro de nosso próprio lar que moram os grandes perigos da intoxicação alimentar. Ninguém come comida sabendo que está estragada, mas nossas mancadas estão em deixar comida mais de 2 horas sem refrigeração, deixar ovos na porta da geladeira, consumir alimentos vencidos e achar normal a presença de formigas na cozinha (barata é nojento, mas experimenta deixar uma barata morta no chão da cozinha. Quem come a cucaracha, hein?). É importante lembrar que as bactérias que geram doenças não alteram as características do alimento, não mudam sua aparência, seu cheiro, seu sabor. E as bactérias que “estragam” comida não causam doenças, pois queijos, iogurtes, salame, pão, nada mais são do que alimentos estragados por bactérias!

E quem não se identifica com nada do que eu disse, que atire o primeiro pano de chão, a vassoura, o balde, o rodo! E depois junta tudo, porque eu sou uma só para arrumar essa bagunça!!!

 

Mudando de assunto, hoje é o último dia para se inscrever no sorteio da Arte Surpresa. Corre que ainda dá tempo!

Mimetismo na hora da faxina

Mimetismo na hora da faxina

clarice-lispector

E eu vivia muito bem sem ajudante. Mesmo antes da PEC das domésticas.

Até que não estava mais dando conta de vidros, azulejos e duas crianças (e roupas, e comida, e marido, e blog, e quintal, e ir ao banheiro). Tive que dar o braço a torcer e aceitar a diarista da sogra de quinze em quinze dias só para fazer o “serviço mais pesado”.

Na primeira vez, ela demorou bastante, como toda primeira faxina. Normal mamãe passou açúcar em mim.

Na segunda vez, ela demorou mais ainda. Chegou a me deixar irritada, de tanta lerdeza. Entretanto, ela ia fazendo o serviço direitinho (chegou a limpar a escada com buchinha! E eu, me achando a madrasta da Cinderela, pedi p ela só passar um pano).

Já estava decidida a dispensar a moça, até que comecei a reparar mais nela: ela quase não fala, e quando fala, mal se entende. Ao comer, tive a impressão de que ela tinha 20 dedos em cada mão, tamanha dificuldade ao se utilizar os talheres.

Se essa moça não conseguir um emprego como diarista, ela não terá chance nenhuma! Creio que nem como gari, já que é preciso passar em concurso. E longe de mim um discurso escravagista ou de disputa de classes! A questão na verdade é filosófico-social.

Então, lembrei-me de Macabéa, de A hora da estrela. Aquela nordestina imigrante, que trabalhava à exaustão, que não tinha consciência de sua existência, mas queria ser estrela de cinema. Ignorante e alienada, de informação e de emoções.

Juro que me vi nas páginas de Clarice Lispector: um pouco como o patrão que despede Macabéa, um pouco como a própria.

Aquela que busca se realizar, mas que não tem noção do que é ser, de onde está, aonde quer chegar. Simplesmente é.

Se tivesse a tolice de se perguntar “quem sou eu” cairia estatelada no chão (…) Só uma vez se fez uma trágica pergunta: quem sou eu. Assustou-se tanto que parou completamente de pensar. (…) “Essa moça não sabia que ela era o que era, assim como um cachorro não sabe que é cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não, sabia para quê, não se indagava. (…) Sua vida era uma longa meditação sobre o nada. Só que precisava dos outros para crer em si mesma, senão se perderia nos sucessivos e redondos vácuos que havia nela. (…) Encontrar-se consigo própria era um bem que até então ela não conhecia.(…)

 

O filme é antigo e não chega aos pés da riqueza da leitura original, mas quebra um galho pro enredo

 

Se você só leu Clarice Lispector nas frases do Facebook, recomendo a leitura.

Moral da história: como Seu Raimundo, não dispensei a moça por dó. Como Rodrigo S. M., vou narrando na minha onipresença. Como Macabéa, espero não realizar meu sonho apenas na hora em que morrer.

E divaguei faxinando… Quem nunca?

 

Um balde de esperança – vida de empreguete

Um balde de esperança – vida de empreguete

nald

A revolução feminista já era. Voltamos ao batente doméstico.

As empregadas domésticas estão em extinção, assim como diversas outras profissões servis.

A mulher que batalhou por direitos iguais, pelo mercado de trabalho, pela emancipação feminina, hoje encontra no próprio gênero uma dificuldade para seguir com seus planos. Para se tornar uma profissional de sucesso, uma mãe inteiramente dedicada aos filhos, era preciso poder contar com os serviços de uma outra mulher, geralmente menos favorecida financeira e intelectualmente.

Só que essa outra mulher que se submetia aos serviços de faxina, trabalhando como empregada doméstica ou diarista, também buscou seu lugar ao sol.

Talvez a culpa seja de uma novela do Plim-Plim, talvez seja apenas reflexo da evolução da sociedade. A questão agora é que as faxineiras preferiram se tornar atendentes de telemarketing, recepcionistas, assistentes administrativos, ainda que ganhem metade do que ganhariam com o trabalho de faxineira.

O ego das pessoas fala mais alto do que o dinheiro: é preferível ganhar menos e ter carteira assinada e trabalhar numa firma do que limpar e cuidar da casa de um terceiro. A conotação é escravagista, é preconceituosa.

Do outro lado da corda, mulheres qe buscam alguém que as auxiliem nos serviços da casa, como um profissional qualquer. Não queremos amas, nem vassalos. Queremos prestadores de serviços.

Elas clamam por direitos, nós, por deveres.

Ora, se querem cobrar mais pela faxina, demonstrem qualificação.

Se vão fazer restrições para trabalhar, nós também temos exigências. E assim, a extinção se dá.

Mais uma vez tomei bota de faxineUra – a do cartão. Nosso relacionamento ia completar um ano, mas ela foi embora.

Outra pessoa já veio fazer um teste. Dentre outras coisas, deixou a pia da cozinha suja e com lixo. Bebeu um copo de água antes de sair e largou nessa pia.

E sigo com a saga! Onde foram parar as tias Anastácias? As Penhas?

A tendência agora é fazer como a milionária chinesa: faxinar para dar o exemplo de valor aos filhos.

Da faxina à imperfeição

Da faxina à imperfeição

maid

Imagem: Maid Perfct LLC

Quem não sonha com a auxiliar perfeita que atire o primeiro pano de chão!

A saga da faxineUra continua por aqui. Depois do episódio da moça de que me deu um preju e ainda pediu as contas, da ajuda da senhorinha das pérolas e da curta passagem da moça boa de faxina, mas lerda que só ela e que abandonou por um “rezistro”, achei que estaria no fundo do balde, minguada ao restinho de alvejante.

Eis que antes de sair do carro na garagem de casa, vejo uma moça bem apessoada deixar um papel na caixa de correio e penso: “Podia ser uma faxineira pedindo emprego…”. E era!!!

Um cartão de visita de faxineira. Moça empreendedora deve cobrar uma nota, mas vou ligar pa saber. Setenta dilmas. Tá no preço! Vem, moça!

Anoto os dados, puxo os antecedentes… tá limpa! Visualizo a casa no Google Streetview… nada estranho. Tem referências? Tem, mas eu não ligo, porque acho esse negócio de referências uma enganação. Daí que ela dá o telefone da cunhada, da prima, e eu me acho a esperta. Pulei esta parte.

Coloquei uma estranha para dentro de casa, confiei na intuição de que era boa moça. A faxina foi a meu gosto, a moça é eficiente (leia-se faz o que eu peço sem ter que repetir dez milhões de vezes) e é rápida também. Aprovei!

Mas… (todo episódio de faxineUra tem um “mas”), ninguém é perfeito. Nenhuma faxineira e nenhuma dona da casa são. As auxiliares do lar podem ter inúmeras qualidades, mas invariavelmente seus defeitos culminarão em uma ou mais imperfeições abaixo, listadas segundo eu mesma o renomadíssimo British Institute of Applied Research on Domestic Chores :

  • Não faz o que se pede
  • Faz mais do que se pede, e causa
  • Cobra caro
  • É lenta ou enrolada
  • Fala mais no celular do que limpa
  • Rouba
  • É rápida e faz o serviço pela metade
  • Tem a ficha suja ou não tem boas referências
  • Não tem dia livre
  • Ataca a despensa/geladeira
  • É vulgar ou não tem boa aparência
  • Quebra coisas
  • Falta muito

Já faz um mês que a moça (sim, moça, por que ela é quase 6 meses mais nova do que eu) tem me ajudado. Eu tenho ficado contente, exceto pelo gasto que estou tendo com SuperBonder. Minha nova ajudante é meio bastante desastrada.

É o que se tem para o momento, e, por enquanto, ela só se encaixou no penúltimo item da lista, ou seja, tô no lucro.

Pedi para ser mais cuidadosa, e vamos ver no que dá. Afinal, até os 90 primeiros dias, é período de experiência.

Porque pior do que ter faxineira desastrada só não tê-la!

 

A sogra e a purificação

A sogra e a purificação

oldlady

 

O que é faxina para você? Lavar banheiros, cozinha, tirar pó, lustrar móveis, passar pano no chão, limpar vidros, lavar quintal… É aquele borrifa, esfrega, confere e dá uma cheiradinha para ver se tá com cheirinho bom. Porque de nada adianta casa limpa, se não tem cheirinho. Parece que ficou pela metade.

E o que é uma faxina G-E-R-A-L? Para mim são todos os itens acima, “plãs” limpeza e organização de armários, doação de inutilizados, descarte de tranqueiras, limpeza de lustres, paredes, ventiladores, arrasto de movéis, a verdadeira circulação do chi.

O que é uma grávida de 7 meses para você? Uma pessoa com uma boa circunferência abdominal, sem domínio do equilíbrio, que mal consegue se abaixar para pegar coisas no chão, incha com facilidade e fica ofegante com pequenos movimentos ordinários.

Combine a grávida com a faxina geral e você terá a equação do improvável impossível. Não se você adicionar à formula uma sogra querida e prestativa como a minha.

Minha sogra veio, fez a maior faxina, enquanto eu fazia pequenos serviços ou selecionava o que ficava e o que ia embora dos armários. Foram dois dias de trabalhos ininterruptos, jornada de quase 24 horas!!!

A grande pena é que minha cara-de-pau não permite falar para a sogra vir limpar minha casa toda semana, né?

Mas que foi bom, foi! Limpeza da casa e da cabeça, terapia da faxina.

Noras de sogra-coral: Morram de inveja!

E cadê a faxineira que eu tinha arrumado? Pois arrumou emprego fixo e me abandonou. Estou à caça novamente! Não percarm os próximos capítulos de Faxineura: amor e ódio.

Em tempo: se você acha que minha sogra é uma senhorinha de dedo em riste para verificar o pó em cima dos armários, saiba que ela é um mulherão, que vai à academia (leia-se é mais magra que eu não grávida), se alimenta de salada e grãos integrais, tem tatuagens (no plural) e nem tem cara de vó. 

Faxineura: A saga sem fim

Faxineura: A saga sem fim

mary-poppins-cleaning_o_GIFSoup.com

 

Quem me conhece sabe que sou meio chata no quesito faxineira. Quando se cuida de uma casa, é impossível difícil encontrar alguém que faça melhor ou igual à você. Porque uma vez que você investe dinheiro na limpeza de sua casa, você exige que o serviço seja condizente com o investimento, certo? Errado! Se você criticar a faxineura, corre o risco de ter uma pia mal lavada, uma roupa manchada ou um bibelô quebrado. Faxineuras não aceitam críticas. Se você as faz, elas trabalham emburradas.

E faxineuras gostam de contar causos. Minha atual ou não auxiliar, além de parar o serviço para contar suas histórias, capricha nos neologismos.

“Tenho dois cachorros, a Sara e o Barruã. É de raça, sabe. O Barruã é um lavrador, e a Sara é uma boxe.” –> O que será que o Barruã cultiva? E esse boxe não é de tomar banho? De lutar?

“Meu outro patrão também trabalha com esses negócio de computador e de internética.” –> Oi, fia?

“Daiane! Já acabei… DAIANE! Ô, DAIANE!” –> Meu nome é Milene, mas se me chamar de diiirce eu atendo. Agora Daiane…

“Eu não dormi bem esta noite, não. Minha neta roncou muito, sabe. Ela tem rinite, fica fazendo barulho na garganta porque a narinja dela coça muito.” –> Que órgão é esse, meu Deus. Eu não tenho narinja! Vou morrer???

A verdade é que a tia tem 60 e poucos anos e tá me quebrando um galho, porque eu não posso ficar lavando quintal, subindo em escada, tals. Mas ela sempre tem uma desculpa para não fazer as coisas: medo de cair da escada, costas doendo, dor de estômago. Pagar 80 bufunfas para a pessoa tirar pó e passar pano não tá certo.

Daí arrumei outra pessoa que vem fazer teste. Então liguei para dispensar a faxineura nessa semana:

“Fulana, não precisa vir na quarta, porque o pedreiro e o pintor estão terminando as coisas aqui, e vai ficar difícil você limpar. Na semana que vem você vem normalmente.” (Quer dizer… Eles só estão pintando a casa por fora e arrumando um telhado, mas eu estou pensando em te dispensar de vez.)

“Tudo bem, né! Mas, ó, já te aviso que faxina com pedreiro eu cobro dobrado”.

“A gente combina isso na outra quarta, tá?”. (Oooooooooooooooi? Tô louca? Pagar dobrado para você passar pano? Ou você acha que no fim do dia eu não tenho de limpar a casa porque tenho uma criança que passa o dia brincando no chão da casa? Desce do céu, figura!)

Hoje a faxineura nova vem fazer um teste, e como eu programei o post, vamos ver se eu tomei cano, se a moça é boa… Mais detalhes pelo tuinto!

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