Tag Archives: desabafos

Ela é top, capa de revista: mãe blogueira

Ela é top, capa de revista: mãe blogueira

top

 

Já não bastam as noites mal dormidas por filho que te acorda querendo mamar, ou ser ninado. Já não bastam os estresses comuns à maternidade. Agora as mães precisam ter blog.

E é esse tipo de blogagem que tem deixado o fardo da maternidade cada dia mais pesado.

Já não basta apenas ser mãe.

É preciso entrar em trabalho de parto, parir em casa, amamentar exclusivamente até o sexto mês, entrar com papinhas orgânicas, recusar qualquer inserção de adoçante, corante, conservante, qualquer ante que vá modificar o alimento da criança. É preciso amamentar até o dia do vestibular.

Não pode chupeta, não pode mamadeira, não pode compartilhar cama, não pode mandar para a casa da vó, não pode creche.

A mãe precisa trabalhar de casa (e ganhar um bom dinheiro com isso para ser independente), precisa deixar a casa um brinco, com seu detergente e seus produtos de limpeza feitos em casa, biodegradáveis, naturais. Não pode ter empregada, tem que dar conta de tudo. E não pode reclamar.

É preciso ter paciência com as crianças, brincar com brinquedos feitos com sucatas, estimulá-las com bolas, fios e giz-de-cera caseiros. Nada de brinquedinho da moda, nada de TV, nada de aplicativos.

Mãe boa não manda criança para a creche ou para a casa da vó. É preciso estudar em casa. Ser bilíngue, ser musicalizado, socializado, disciplinado. Não pode fazer birra, não pode ser agressivo, e tem que ter senso crítico e de estética aos 3 anos de idade.

Para ser exemplar, a mãe precisa tirar fotos profissionais de suas crianças, no seu quintal todo arborizado, enquanto elas plantam as sementes de chicória que comerão disciplinadamente na hora do almoço em família. E não bastam fotos tratadas dignas de capa de revista. Tem que compartilhar nas redes sociais. Tem que receber 1429 coraçõezinhos.

É preciso exibir sua barriga chapada e seu corpo delgado 15 dias depois do parto. É preciso compartilhar seu prato de salada, seguido de um chocolate belga caríssimo.Tem que ser linda, de cabelo feito, maquiada às 6 da manhã, bem vestida. E as unhas nunca descascadas, pois o esmalte é gringo. Assim como seus demais produtos de beleza.

Não basta ser mãe, não basta ter filhos, não basta ter blog, não basta exibir sua vida perfeita de comercial de margarina. É preciso saber programar, ter noções de SEO, ter views, seguidores, fãs. Uns dois mil no mínimo. Tem que publicar lista de enxoval, guia de desfralde, dicas de amamentação. É preciso profissionalizar o blog, ganhar amostras, ir a eventos, sair em fotos.´

É preciso compartilhar uma vida magistral, sem máculas.

Afinal de contas, quem é que gosta de expor seus defeitos?

E não estou falando pelos outros. Basta ler meu blog para ver isso tudo refletido aqui mesmo.

Convenhamos.

A beleza da maternidade está na imperfeição.

Na falta de saco para amamentar, na falta de tempo para brincar, na pia cheia de louça, na pilha de roupa que você não vai passar, na falta de grana, no esporro que você deu porque seu filho derrubou o suco no chão limpinho. Na falta de vontade de cozinhar e o almoço vai ser fast-food mesmo, com direito a brinquedinho, para você se sentir menos culpada. E vai ter suco de caixinha!

Ninguém publica isso. Ninguém tira foto do filho brincando no tablet. Ninguém compartilha sua foto de pijama, com cabelo desgrenhado, desabafando pelo blog, enquanto tem filho chorando pedindo colo.

A maternidade é assim: imperfeita, inacabada. Ainda que bela e divina, exatamente por isso.

Não postamos sobre nossas falhas, mas buscamos no Google a fórmula mágica para lidar com elas.

Talvez se fôssemos mais verdadeiras, mais sinceras em nossos blogs, não teríamos tantos sorteios, tantos anunciantes. Mas levaríamos a vida mais leve, teríamos mais disposição para aquela dedicação maternal. Teríamos mais amigas, em vez de fãs. Teríamos mais companheiras, em vez de seguidoras.

 

Um balde de esperança – vida de empreguete

Um balde de esperança – vida de empreguete

nald

A revolução feminista já era. Voltamos ao batente doméstico.

As empregadas domésticas estão em extinção, assim como diversas outras profissões servis.

A mulher que batalhou por direitos iguais, pelo mercado de trabalho, pela emancipação feminina, hoje encontra no próprio gênero uma dificuldade para seguir com seus planos. Para se tornar uma profissional de sucesso, uma mãe inteiramente dedicada aos filhos, era preciso poder contar com os serviços de uma outra mulher, geralmente menos favorecida financeira e intelectualmente.

Só que essa outra mulher que se submetia aos serviços de faxina, trabalhando como empregada doméstica ou diarista, também buscou seu lugar ao sol.

Talvez a culpa seja de uma novela do Plim-Plim, talvez seja apenas reflexo da evolução da sociedade. A questão agora é que as faxineiras preferiram se tornar atendentes de telemarketing, recepcionistas, assistentes administrativos, ainda que ganhem metade do que ganhariam com o trabalho de faxineira.

O ego das pessoas fala mais alto do que o dinheiro: é preferível ganhar menos e ter carteira assinada e trabalhar numa firma do que limpar e cuidar da casa de um terceiro. A conotação é escravagista, é preconceituosa.

Do outro lado da corda, mulheres qe buscam alguém que as auxiliem nos serviços da casa, como um profissional qualquer. Não queremos amas, nem vassalos. Queremos prestadores de serviços.

Elas clamam por direitos, nós, por deveres.

Ora, se querem cobrar mais pela faxina, demonstrem qualificação.

Se vão fazer restrições para trabalhar, nós também temos exigências. E assim, a extinção se dá.

Mais uma vez tomei bota de faxineUra – a do cartão. Nosso relacionamento ia completar um ano, mas ela foi embora.

Outra pessoa já veio fazer um teste. Dentre outras coisas, deixou a pia da cozinha suja e com lixo. Bebeu um copo de água antes de sair e largou nessa pia.

E sigo com a saga! Onde foram parar as tias Anastácias? As Penhas?

A tendência agora é fazer como a milionária chinesa: faxinar para dar o exemplo de valor aos filhos.

O que estou aprendendo com meu filho

O que estou aprendendo com meu filho

hand

Quando estava grávida, achava que tinha que ler de tudo para poder entender um pouquinho a vida deste novo serzinho a caminho. Ledo engano! Por mais que eu lesse o equivalente a todo o legado do Mindlin, ainda assim, não estaria preparada para esta aventura que é ser mãe.

Descobri que cada momento é uma descoberta, cada dia gera um novo aprendizado. Os livros ajudaram, e ajudam bastante, assim como os conselhos da mãe, da sogra, da irmã, das amigas. A internet também ajuda, mas por vezes acaba por confundir mais a cabeça atolada de uma mãe de primeira viagem.

Todos os dias descubro que meu limite de paciência pode sempre ser estendido. Que uma risada ou um beijo paga qualquer arte malcriada. E que um beijo ou soprinho de mãe cura muitos dodóis.

Agora entendo melhor meus pais. E sei que um abraço sem razão é gostoso demais. E compreendi que minha sogra deve ser minha melhor amiga.

Com meu filho, agora dou mais valor ao meu tempo e procuro administrá-lo da melhor maneira. Além disso, como mais frutas, legumes e verduras. Não só para dar o exemplo, mas porque preciso de mais energia para aguentar o tranco que é cuidar de uma criança.

Aprendi que meu marido é meu melhor companheiro e amigo. Mas ele não está nem perto de entender as agruras e as doçuras de ser mãe.

Aprendi que todo dia posso ensinar algo a meu filho. Aprendi que aprendo mais com ele , do que ele comigo!

Texto publicado originalmente em 27/4/2010, quando o blog ainda se chamava Cafofo da Mimi

Fazendo a dancinha

Fazendo a dancinha

Popeye-spinach

 

Sabe aquele momento em que vc pensa “Todo esforço valeu a pena”? Então…

Há anos eu sofria para fazer um marmanjo, chamado marido, comer melhor. Então passei a sofrer com o menino. Picky-eaters de renome, os homens da casa me deixavam – e ainda deixam – bastante frustada por eu não poder cozinhar tudo o que gostaria.

E filho quando rejeita comida de mãe canceriana, aaaaaaah, é o fim!

Conversa aqui, conversa ali, uma ideia

Passei até na nutricionista. E lá meu amado menino, aquele calmo e doce garoto, se transformou num pequeno e adorável diabo da tasmânia. Possuído pelo espírito do mini-exu-destranca-travessuras, ele não me deixou conversar com a especialista.

Até que a menina mais nova, dona de roliças perninhas e de uma barriguinha faminta, adentrou no mundo além-leite. Frutas, sucos, e agora legumes, verduras e carninhas.

Alguém viu o quanto mamãe ficava feliz com aquela boquinha boa. Alguém experimentou queijo sem ser o minas e o parmesão ralado. Alguém comeu tostex com o queijo. Alguém comeu macarrão com espinafre. Alguém comeu carne moída com cenoura e tomate!

Alguém comeu num churrasco de família. Alguém escolheu suco em vez de refri. Alguém pediu para comer maçã. Alguém comeu bife de fígado!

Percebem a complexidade dessa conjuntura?

É muita alegria, Brasil! ~Solta aquele Brasil, sil, sil, sil que toca depois do gol~

Bom, cabe aqui eu agradecer:

  • A mim mesma, pela perseverança na causa
  • Aos amigos, por tantas vezes ouvir um “meu filho não come isso!”
  • Às meninas do Comer para Crescer, que tantas vezes ouviram meus desabafos e puxaram minha orelha
  • À Sam Shirashi, que deu a dica de usar o espinafre como uma salsinha
  • Ao Hulk, por ser verde
  • Ao Homem de Ferro, por ser vermelho
  • Ao Popeye, por ser magrelo como meu filho
  • À namoradinha do meu pequeno

“Filho, a sua amiguinha tal a-do-ra cenoura!”

“Eu também, mãe! Coloca mais que eu quero mais cenoura!”

 

Mas nada de cantar o Aleluia antes da vitória, nada de fazer a dancinha antes da hora.

Estou apenas comemorando um passo!

Como diria o ex-presidente nos tempos em que eu nem pensava em ter filhos:

“A luta continua, companheiro!”

Rumo ao quiabo!!!

 

* – Enquanto eu escrevia este post, minha menina devorava uma deliciosa revista! hummmmmm #porradiiirce

Indulgências em cinco minutos

Indulgências em cinco minutos

ponit

 

Dez entre dez mães sentem, já sentiram ou ainda vão sentir algum tipo de culpa.

Sentem-se responsáveis por algum mal causado a sua cria: por fazer birra, por não comer, por não dormir, por ser tímido demais, por ser espoleta demais, por deixar na escolinha, por ser superprotetora.

Mãe sente culpa por tudo. E se o mundo acabar mesmo em 21/12/2012, vai ter muita mãe se sentindo culpada.

Essa chaga que assola a maternidade é assunto em qualquer rodinha de amigas, porta de escola, rede social. Desabafar é fácil, combater a praga é que são elas. Ainda mais porque tem aquele tal de tempo, ser em extinção.

Mas já pensou em poder aliviar essa tensão em cinco minutinhos? Coisa rápida. São dois vídeos da popó e pronto! Surge uma mãe feliz e de bateriais recarregadas.

Coloco aqui algumas ideias de como aliviar a culpa de mãe em cinco minutos – sim, porque cinco minutos é tudo o que basta para uma mãe.

E aguardo sua contribuição nos comentários.

  • Coma um chocolate escondido das crianças.
  • Escute sua música favorita com fones de ouvido.
  • Deite-se sob o sol.
  • Dê um amasso no marido, como se fosse uma adolescente.
  • Tranque a porta e vá ao banheiro sozinha, sem ser interrompida.
  • Faça uma auto-massagem nos pés com um óleo perfumado.
  • Ligue para uma amiga para bater papo.
  • Faça uma máscara facial.
  • Leia um artigo numa revista até o fim.
  • Faça um chá ou um café, e tome a xícara ainda fulmegante.
  • Aperte o botão soneca! E veja que máximo: isso vai lhe garantir nove – eu disse NOVE – minutos de alívio!!!

Um brinde às donas de casa – com o avental sujo?

Um brinde às donas de casa – com o avental sujo?

dona

 

Hoje é nosso dia!

Há três anos e tralalá, decidi, por iniciativa própria, que abandonaria minha recém carreira de psicopedagoga para cuidar da minha família. Contei isso aqui, uma vez.

Jamais imaginei que a vida de uma mãe em tempo integral seria tão puxada,mas também em nenhum momento desejei ter vida de dondoca que é bancada pelo marido.

Já pararam para pensar que “nunca antes na história desse país”, mulheres que optaram por ficar em casa sofreram tamanho preconceito da sociedade.

Tem muita gente achando ainda que ser dona de casa é permancer descabelada, com avental sujo, de bobs no cabelo e unhas mal feitas. Outro tanto acredita que ser dona de casa hoje em dia é ser fútil, torradora de dinheiro do marido, que passa os dias entre shopping e academia.

Quem dera…

Elas queimaram os sutiãs e foram pedir direitos iguais.

Iguais uma ova! Somos mulheres e queremos o direito de permanecer em casa cuidando da família, bem old-style, bem retrô, se isso for do nosso agrado.

Cuidar da família não significa emburrecer. Pelo contrário, temos mais tempo de nos dedicar, nos aperfeiçoar e nos informar sobre. Digo que sou uma mãe profissionalizada.

Cuidar da casa não significa estar feia. Enquanto o feijão fica pronto, colocamos uma máscara no rosto e fazemos as unhas. Somos multifuncionais também.

A diferença é que as mulheres que trabalham ou se sobrecarregam ou dependem de uma empregada. Ah! Vai me dizer que é miragem aqueles traseiros gordos cheios de celulites nos escritórios da vida, as unhas descascadas, as caras emburradas desejando estar em casa com os filhotes?

Nem tanto a bruaca, nem tanto a diva, nem tanto a periguete.

Assim como mães que trabalham nem sempre são aquelas secretárias de corpão bonito, antenadas, que falam 5647 idiomas, as donas de casa não são aquelas mocreias sedentárias!

E há quem diga que é um retrocesso a mulher ficar em casa, cuidando dos filhos. Dizem até que isso motivo para traição e separação. Oi? Acredito mesmo é que é preciso muita determinação para tomar esta decisão de ficar em casa. E se eu posso escolher entre trabalhar e cuidar da família é porque atingi um certo grau de maturidade.

O mote é: faça sua escolha e seja feliz com ela!

Eu fiz a minha e digo: Feliz dia da dona de casa a todas as colegas!

E não deixem de ler a matéria no Uol Mulher sobre dona de casa e preconceito (estou por lá, com minha gatinha e meu pequeno Wolverine).

diiirce sai da sala

diiirce sai da sala

closed

 

Falta-nos tempo. É sempre a mesma reclamação, independentemente de idade, classe social…

Antes eu trabalhava, estudava, não tinha empregada, saía de balada. Dava tempo de fazer muitas coisas, e eu já reclamava da falta dele.

Depois veio a formatura, o primeiro filho, a faxineUra, e o tempo? Sempre escapando pelos dedos.

Mais uns anos, mais um filho, mais se escapa.

E a velocidade dos segundos parece ter aumentado à medida que meus filhos ganham centímetros em altura.

Onde foi parar o tempo? Aquele de se sentar e ler um livro, na rede? Aquele de ver o sol se por? Aquele que me transformou?

Está aí uma verdade: a gente se desdobra para checar as redes sociais, para blogar, mas a gente não encontra tempo para contemplar o céu debaixo de uma árvore.

Prioridades? Comodismo?

Faça o teste: 30 minutos na frente do computador e 30 minutos num parque, totalmente desconectado. Em qual das duas oportunidades o tempo passou mais depressa?

É como aquela história de o que pesa mais: um quilo de pena ou um quilo de pedra. O quilo é o mesmo, o que muda é a forma como recebemos o peso.

 

E vai que você se inspira e resolve copiar a jornalista que passou 30 dias desconectada, ou essa família que ficou off-line num final de semana ou pelo menos 24 horas, como esse grupo de universitários. Eu vou tentar uma das opções e depois conto como foi. Quem topa?

Crônica exaurida – ou mais do mesmo

Crônica exaurida – ou mais do mesmo

book

Semana de 32º em pleno inverno. As moléculas corporais já ficam mais exaltadas.

Era dia de pediatra. Só quem tem filho sabe como dia de pediatra é emocionante: mala, carteirinhas do convênio, de vacinação, ficha de peso, pacote de bolacha (esqueci), suco (esqueci), brinquedo (tinha um esquecido na bolsa) e saco, bem grande. Porque deve ter uma matéria na faculdade de Medicina chamada Técnicas e Fundamentos de Atraso.

Meio dia perdido, pedidos de exames, recomendações e algumas pulgas atrás da orelha.

Aproveita a saída e já atualiza a carteirinha de vacinação da mais nova: uma agulhada, um grito, uma facada no bolso e um colo – para a bebê, claro!

Já é hora de mamar, a pequena vai dar escândalo no caminho. Antes de sair, amamenta, no carro, com o ar ligado.

Faz almoço, brinca, faz dormir, não dorme, faz dormir, não dorme, faz dormir, não dorme. Então brinca!

E o calor… Derreteu a fome.

A mãe brinca, chacoalha e resolve meia dúzia de coisas pelo smartphone. Sem ele, precisaria ainda ter ido ao banco e à livraria.

Banho de um, distrai a outra. Tem que ser rápido, senão a chave cai. Cheiro de queimado… Tá pegando fogo? Não? Então segue o barco.

Hoje é dia de futebol do marido. Não tenho assistente. É dia da Mulher-Maravilha-Elástica-Mística-Polvo entrar em ação. Podia ser também a Tempestade – tá precisando chover!

Um dorme no prato, a outra chora, eu choro junto. É o caos.

Pede arrego pro marido. Não atende o celular.

Mais quarenta minutos de bravura materno-doméstica, e aqui estou eu, saboreando um insosso macarrão com azeite – a fome passou por cima da gastronomia –, parando de escrever este post no meio para checar se o choro foi de algum filho, se o quarto está menos abafado…

Provavelmente dormirei babando em cima do livro: de fadiga e de fome de poder comer algo saboroso, me deleitar, aos poucos, sem ser interrompida, presença e mentalmente. Fome de um tempinho para mim.


 

10588_g

A propósito, segue minha sugestão de leitura:

Não é sopa – Nina Horta | Um livro de crônicas culinárias, acompanhado de receitas bem variadas – das mais familiares às mais requintadas. Leitura deliciosa!

Cozinha da Bruxa

Cozinha da Bruxa

Eu achava que cozinhava bem, até ter um filho.

Imaginei que ele adoraria comer panqueca, bolo de chocolate, gelatina, purê de mandioquinha, lasanha… Não tô falando de brócolis, chicória, quiabo, nem peixe ensopado. Tô falando de coisa que criança gosta: bisnaquinha com manteiga, pão com requeijão, melancia, morango com açúcar.

Vejo mil receitinhas, posts de pratos de criança, e quase entro em depressão.

Já deixei passar fome, já deixei comer o que quisesse, já comi na mesa, no quintal, no restaurante, já pedi ajuda pra cozinhar, já levei para fazer compras, já comprei livro de receitas, já fiz escultura com comida, já escondi ingrediente, já briguei, já chorei…

Acontece que meu filhote come basicamente produtos industrializados (bolacha, suco, achocolatado, papinha…). Se for fresquinho, feito pela mamãe, é não na hora!

Almoços e jantares se resumem a arroz, farofa e uma carne ou macarrão na manteiga. Se o arroz muda de cor por causa de um legume que cozinhou junto, lá vem o nariz torto.

Fiz bisnaguinha, cookies, bolo, muffin, tudo para agradá-lo, e nada. O negócio dele é se entupir de conservante, acidulante, espessante, engomante, embromante, chatiante.

Outro dia, coloquei secretamente uma papinha deliciosa dentro do vidrinho da famosa insossa que ele tinha mandado ver na noite anterior. Recebi um sonoro “não gosto dessa”.

Conclusão: eu cozinho mal pra caramba! E nessas o ponteiro da balança há um ano emperrou 14kg e de lá não sai.

O negócio então é eu assumir essa identidade bruxa e fazer jus aos meus dotes, cozinhando patas de aranha, suflê de catota, ensopado de chifre de besouro e musse de casquinha de ferida de sobremesa!

 

Cucas encanadas

Cucas encanadas

wwoman

 

Essa obsessão pelo perfeccionismo maternal é uma coisa de outro mundo.

Nós, mães, buscamos sempre ser as melhores, dar conta de tudo, fazer tudo ao mesmo tempo, mesmo sem ter superpoderes. E, ainda assim, sabemos que não vai sair perfeito. Porque somos humanas, e não máquinas. Mas bem que queríamos que tudo fosse redondinho: filho colocando o uniforme sozinho na hora certa, sentando-se para comer civilizadamente sem precisar chamá-lo para voltar à Terra e mandar ver o arroz com feijão, bife, salada e legume, todos orgânicos, que você cuidadosamente preparou enquanto ele pintava um desenho – no papel, e não nas paredes. Filho dormindo sozinho no berço, sem que você tenha que niná-lo por horas e só conseguir fazê-lo ficar no lugar dele lá pela quarta tentativa. Não existe filho perfeito, por isso as mães não podem ser perfeitas, e vice-versa.

Nessas, procuramos o pelo no ovo.

Porque mãe que é mãe, além de saber que não há perfeição, ainda procura algo errado, invarialvelmente, sempre.

- O que essa criança tem??? Ela NÃO dorme! É o dia inteiro mamando, ninando… Põe no berço, desperta. No carrinho, desperta. Dia e noite, noite e dia. Tem alguma coisa errada. É cólica, é frio, é fome?

Dias depois, a mesma mãe (no caso eu a irmã da prima da filha do vizinho do padrinho da minha amiga) se questiona, ensandecidamente:

- O que essa criança tem??? Ela SÓ dorme! Tem que acordar para mamar, acordar para trocar. Tem alguma coisa errada. É cólica, é frio, é fome?

Para as mães, nunca está bom! Se faz birra, é porque faz birra. Se não faz birra, é porque deve ter algo errado.

É esse estresse na busca incessante por um potencial problema que faz da gente um ser com olheiras.

E aí de você se não impingir um conflito aqui, outro ali. Ganhas o atestado de mãe negligente do ano na mesma hora.

Qual vai ser a encanação do dia?

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...