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Indulgências em cinco minutos

Indulgências em cinco minutos

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Dez entre dez mães sentem, já sentiram ou ainda vão sentir algum tipo de culpa.

Sentem-se responsáveis por algum mal causado a sua cria: por fazer birra, por não comer, por não dormir, por ser tímido demais, por ser espoleta demais, por deixar na escolinha, por ser superprotetora.

Mãe sente culpa por tudo. E se o mundo acabar mesmo em 21/12/2012, vai ter muita mãe se sentindo culpada.

Essa chaga que assola a maternidade é assunto em qualquer rodinha de amigas, porta de escola, rede social. Desabafar é fácil, combater a praga é que são elas. Ainda mais porque tem aquele tal de tempo, ser em extinção.

Mas já pensou em poder aliviar essa tensão em cinco minutinhos? Coisa rápida. São dois vídeos da popó e pronto! Surge uma mãe feliz e de bateriais recarregadas.

Coloco aqui algumas ideias de como aliviar a culpa de mãe em cinco minutos – sim, porque cinco minutos é tudo o que basta para uma mãe.

E aguardo sua contribuição nos comentários.

  • Coma um chocolate escondido das crianças.
  • Escute sua música favorita com fones de ouvido.
  • Deite-se sob o sol.
  • Dê um amasso no marido, como se fosse uma adolescente.
  • Tranque a porta e vá ao banheiro sozinha, sem ser interrompida.
  • Faça uma auto-massagem nos pés com um óleo perfumado.
  • Ligue para uma amiga para bater papo.
  • Faça uma máscara facial.
  • Leia um artigo numa revista até o fim.
  • Faça um chá ou um café, e tome a xícara ainda fulmegante.
  • Aperte o botão soneca! E veja que máximo: isso vai lhe garantir nove – eu disse NOVE – minutos de alívio!!!

Crônica exaurida – ou mais do mesmo

Crônica exaurida – ou mais do mesmo

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Semana de 32º em pleno inverno. As moléculas corporais já ficam mais exaltadas.

Era dia de pediatra. Só quem tem filho sabe como dia de pediatra é emocionante: mala, carteirinhas do convênio, de vacinação, ficha de peso, pacote de bolacha (esqueci), suco (esqueci), brinquedo (tinha um esquecido na bolsa) e saco, bem grande. Porque deve ter uma matéria na faculdade de Medicina chamada Técnicas e Fundamentos de Atraso.

Meio dia perdido, pedidos de exames, recomendações e algumas pulgas atrás da orelha.

Aproveita a saída e já atualiza a carteirinha de vacinação da mais nova: uma agulhada, um grito, uma facada no bolso e um colo – para a bebê, claro!

Já é hora de mamar, a pequena vai dar escândalo no caminho. Antes de sair, amamenta, no carro, com o ar ligado.

Faz almoço, brinca, faz dormir, não dorme, faz dormir, não dorme, faz dormir, não dorme. Então brinca!

E o calor… Derreteu a fome.

A mãe brinca, chacoalha e resolve meia dúzia de coisas pelo smartphone. Sem ele, precisaria ainda ter ido ao banco e à livraria.

Banho de um, distrai a outra. Tem que ser rápido, senão a chave cai. Cheiro de queimado… Tá pegando fogo? Não? Então segue o barco.

Hoje é dia de futebol do marido. Não tenho assistente. É dia da Mulher-Maravilha-Elástica-Mística-Polvo entrar em ação. Podia ser também a Tempestade – tá precisando chover!

Um dorme no prato, a outra chora, eu choro junto. É o caos.

Pede arrego pro marido. Não atende o celular.

Mais quarenta minutos de bravura materno-doméstica, e aqui estou eu, saboreando um insosso macarrão com azeite – a fome passou por cima da gastronomia –, parando de escrever este post no meio para checar se o choro foi de algum filho, se o quarto está menos abafado…

Provavelmente dormirei babando em cima do livro: de fadiga e de fome de poder comer algo saboroso, me deleitar, aos poucos, sem ser interrompida, presença e mentalmente. Fome de um tempinho para mim.


 

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A propósito, segue minha sugestão de leitura:

Não é sopa – Nina Horta | Um livro de crônicas culinárias, acompanhado de receitas bem variadas – das mais familiares às mais requintadas. Leitura deliciosa!

Cozinha da Bruxa

Cozinha da Bruxa

Eu achava que cozinhava bem, até ter um filho.

Imaginei que ele adoraria comer panqueca, bolo de chocolate, gelatina, purê de mandioquinha, lasanha… Não tô falando de brócolis, chicória, quiabo, nem peixe ensopado. Tô falando de coisa que criança gosta: bisnaquinha com manteiga, pão com requeijão, melancia, morango com açúcar.

Vejo mil receitinhas, posts de pratos de criança, e quase entro em depressão.

Já deixei passar fome, já deixei comer o que quisesse, já comi na mesa, no quintal, no restaurante, já pedi ajuda pra cozinhar, já levei para fazer compras, já comprei livro de receitas, já fiz escultura com comida, já escondi ingrediente, já briguei, já chorei…

Acontece que meu filhote come basicamente produtos industrializados (bolacha, suco, achocolatado, papinha…). Se for fresquinho, feito pela mamãe, é não na hora!

Almoços e jantares se resumem a arroz, farofa e uma carne ou macarrão na manteiga. Se o arroz muda de cor por causa de um legume que cozinhou junto, lá vem o nariz torto.

Fiz bisnaguinha, cookies, bolo, muffin, tudo para agradá-lo, e nada. O negócio dele é se entupir de conservante, acidulante, espessante, engomante, embromante, chatiante.

Outro dia, coloquei secretamente uma papinha deliciosa dentro do vidrinho da famosa insossa que ele tinha mandado ver na noite anterior. Recebi um sonoro “não gosto dessa”.

Conclusão: eu cozinho mal pra caramba! E nessas o ponteiro da balança há um ano emperrou 14kg e de lá não sai.

O negócio então é eu assumir essa identidade bruxa e fazer jus aos meus dotes, cozinhando patas de aranha, suflê de catota, ensopado de chifre de besouro e musse de casquinha de ferida de sobremesa!

 

A culpa é de quem?

A culpa é de quem?

A culpa é da Rede Mulher e Mãe. Pronto, falei!

A culpa foi da Tati que me convidou para passar um dia em um SPA, o SPAMED Sorocaba. Em troca, eu deveria deixar a culpa de o filho passar um dia entre escola e vovó de lado, enquanto eu dava entrevista, fazia tratamentos de beleza e aproveitava um dia de diva.

Já falei sobre culpa outras vezes, mas ela sempre rende assunto na minha vida.

Não é certo deixar seu filho com alguém para você se divertir! – diriam as mais recalcadas.

Mas eu nem dei bola para essa tal culpa, mal que assola as mães desde o positivo.

Se culpa é consciência de ter cometido um ato repreensível, eu não tinha porque me sentir assim, né?

A verdade é que o SPAMED Sorocaba é o primeiro SPA médico do Brasil, voltado para quem precisa de tratamento para emagrecer, parar de beber, fumar, enfim, mudar de vida. Aliás, passar o dia lá me fez, sim, mudar um pouco meu jeito de ver a vida: a) podemos comer sem culpa; b) podemos ter um modo de vida mais saudável; c) nosso filho sobrevive sem a gente.

Foi um dia maravilhoso, num lugar de cair o queixo, na companhia de pessoas agradabilíssimas (né, Tati e Thaty?), que se ajudavam o tempo todo para não sentir culpa: culpa de estar trabalhando sem hora para voltar para casa, culpa de deixar a filha com quem nem é da família, culpa de relaxar enquanto você não sabe se seu filho está fazendo arte e dando trabalho para alguém que não tem a mínima obrigação de fazer isso…

Entre drenagens linfáticas, caminhadas, momentos relax para pensar na vida, também tivemos muitas risadas (que eu vou contar no próximo post sobre como um SPA pode ser inusitado). E a comida? As pessoas vivem sem sal, sem açúcar. E nem fica tão ruim assim. Yes, we can! Juro que depois do SPA já me arrisquei a fazer pratos sem esses inimigos da balança, e, olha, dá certo!

Na hora do lanche, deixaram a gente comer bolo com cobertura e suco. Numa sala, a portas fechadas e, confesso, naquele momento, eu senti culpa: aquele povo passando cada perrengue para estar ali, buscando qualidade de vida, e eu comendo bolo com cobertura de chocolate. Que afronta!

Torço para ficar rica e poder voltar para lá com todas as regalias – ou não – que o SPAMED Sorocaba oferece (fiquei de olho nos ofurôs e banheiras, mas como éramos convidadas, não poderíamos utilizar).

Aliás, torço para ganhar uma das promoções que eles fazem pelo Facebook.

Saldo: baterias recarregadas, reflexão sobre a vida, cansaço, filho intacto e sem sequelas no vínculo mãe-filho.

Juro que numa próxima oportunidade curtirei a vida, assim, com menos culpa.

*****

Esse papo todo de culpa rolou por causa da última #festanotwitter, promovida também pela Rede Mulher e Mãe, em que eu ganhei um kit da brigaderia para comer sem culpa.

E quem assume a culpa?

E quem assume a culpa?

CULPAEra uma vez uma mãe com um bebê de 2 meses que foi trabalhar. Mas a busca por ser a mãe perfeita não permitiu que ela deixasse seu pequeno filhote aos cuidados de um berçário ou de algum parente. Nem mesmo da sogra, vizinha de seu trabalho. Onde já se viu, uma mãe não cuidar de seu filho? E essa mãe trabalhou por 15 dias com um carrinho ali ao lado. Desistiu!

Do trabalho, sim, não do filho.

Chega de ficar atrás da terceira pessoa, porque estamos falando de mim. É hora de assumir a dificuldade que tive em cortar o cordão umbilical psicológico e dar um tempo no trabalho. Foi uma decisão não difícil, mas pesada. Afinal de contas, foram anos estudando, fazendo pós, cursos, seminários, treinamentos, congressos… Mas meu filho em primeiro lugar.

Principalmente porque, como psicopedagoga, vi muitos casos em que a dificuldade de aprender vinha da falta de dedicação dos pais. Gente que terceiriza a educação dos filhos, achando que está suprindos todas as necessidades.

Achei que se me dedicasse totalmente à maternidade estaria livre do peso de não poder acompanhar o desenvolvimento da prole 100% do tempo.

Hoje sou mãe em tempo integral, cuido da casa, faço uns biquinhos freela de vez em nunca. Mas a culpa ainda me assola. Desta vez, é o inverso: culpo-me por ter parado de trabalhar. E às vezes sinto-me frustrada por não ter seguido em frente na carreira, seja como psicopedagoga, seja como revisora/tradutora (um jeitinho de estar na área de publicidade, uma de minhas paixões). Talvez retorne às atividades algum dia. Talvez consiga uma oportunidade fixa que me permita trabalhar em casa (sonho de todas as mães). Talvez desista de vez da minha carreira. Talvez eu volte a estudar. Talvez eu escreva um livro. Talvez eu continue aqui, dividindo minhas angústias com gente conhecida e desconhecida.

Daí cheguei à conclusão de que ser mãe é sentir culpa, é estar em constante conflito. É ter a dúvida de estarmos ou não fazendo a melhor escolha, para nós e para nossos filhos. É não saber quem tem prioridade: os filhos ou nós mesmas.

Mais confuso ainda é ouvir da mãe da gente que a escolha que fizemos – a de ser mãe em tempo integral – não foi a que ela esperava. Talvez porque ela mesma colocou-me como prioridade e se arrependeu de alguma forma.

A Revista Veja da semana passada trouxe um entrevista com a filósofa Francesa Elizabeth Badinter, que fala sobre esse mito da mãe perfeita. Lendo a matéria, senti-me menos sozinha. Senti-me mais normal. {Para ler a entrevista, clique aqui, e procure a edição 2226 (com uma banana na capa). Tentei por o link direto, mas meus conhecimentos heavy user são limitados.}

Fico com o remorso de quem se sentiria culpada de qualquer modo… whatsoever.

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