Tag Archives: brincar

Guarde seu ciúme num pote!

Guarde seu ciúme num pote!

A chegada de um irmão sempre gera um estresse nas crianças. Eu sempre soube. Mas achava que uma vez passada a fase, era passado pretérito perfeito.

Ledo engano.

Então escuto de amigas com filhos mais velhos, que o tal do ciúme – falando baixinho, que é para o menino não escutar –, vai e volta a vida toda, passa de um irmão para o outro, e a mãe que se vire para lidar com isso.

Vejo meu marido e minha cunhada de mimimi um com o outro, minhas sobrinhas também. Mas eu e minha irmã, não! Ela deve ter tido muito ciúme, porque eu sou a filha mais nova, a caçula mimada. Minha mãe e ela são mais apegadas, mas é para ela não ficar triste que eu sou a filha preferida, sabe. Mas ciúmes, mesmo, a gente não sente uma da outra. Ãhã, senta lá!

Voltando à vaca fria, eis que chega um presente de uma empresa. Peço para meu filho abrir, e ele fica felizão. Quem nunca deu presente para a cria se acalmar que atire a primeira fralda de pano de algodão orgânico tecida pelos índios Taraucás!

Criança adora presente, mas eles logo vão para fundo da caixa se não vêm acompanhados de presença. E é exatamente isso que gera a abominável crise de ciúmes da montanha.

fc2

 

 

- O que vamos fazer com todos esses lápis?

- Uma pista!

A mãe encarna o Mister Maker e põe criança para ajudar na confecção.

 

 

fc1

 

 

 

Não precisa gastar dilmas e dilmas em pistas da marca famosa, você pode fazer outra quando ela enjoar do trajeto, ela ajuda a confeccionar e bota a imaginação para funcionar.

Fica a dica para as mães de crias que amam carrinhos: uma cartolina ou papel cartão e lápis de cor. Esses que ganhei são bem legais: são mais grossos, ergonômicos e têm espaço para escrever o nome. Não precisa colar etiqueta ou descascar a outra ponta.

 

 

 

 

 

 

Então, estávamos tão empolgados na nossa cidade, nos parques, na praia, na churrasqueira, nos lagos…

- Mãe, hahahahahahaha… Olha onde a Bubli (sim, meus filhos atendem por diversos nomes estranhos que eu dou a eles) se enfiou!

fc3

Corre, pega a máquina, tira uma foto, dá risada e quase tem um infarto quando volta em si e vê que a menina poderia ter caído.

Mais uma vez, a pequena rouba a cena, ofício inato a todos os irmãos caçulas.

 

Sou mãe do Calvin!

Sou mãe do Calvin!

Men-In-Black

 

Está nos autos de alguma entidade secreta internacional: meu filho está nomeado para ser um MIB – homens de preto –, aqueles que lutam contra uma invasão inseto-alienígena.

Primeiro foi com uma coleção de insetos numa caixinha de fósforos. Ele passou alguns dias observando os insetos sob o olhar de sua lupa (item indispensável na caixa de brinquedos – recomendo). Tinha uns 4 pernilongos, uma mosquinha e uma abelha… Mortos.

Macabro? Vc não viu nada:

- Filho, cadê seus insetos?

- Tão nadando.

- Como assim?

- Eles “tavo” com sede, então eu coloquei eles na piscina. – Avistei um balde com água, a caixinha de fósforos esgualepada e uns bichinhos boiando. Não bastava estarem mortos, tinha q matar a sede deles bebendo água na piscina.

 

Depois foi o episódio em que minha sogra pegou-o com uma pequena casa de vespa nas mãos, futucando as larvas-bebês. Sorte ele não ter levado nenhuma picada. Dele e da sogra. Onde já se viu deixar uma casa de vespas dando sopa por aí?

 

Em seguida, foi a das formigas:

- Corre, mãe! O banheiro está formigando!

Minha imaginação deu vários loopings nessa hora, mas tudo não passava de uma fila de formigas procurando um novo lar.

 

Agora foi essa. Estava o pequeno de mochila correndo pelo quintal:

- Mãããe, achei uma joaninha!

- Isso se chama besourinho.

- Pode matar, então? – pois ensinei que não se pode matar todos os insetos. Se deixar, baixa o D.D. Drin no moleque.

- Não, filho. Esse bichinho não faz nada.

Saí. Dois minutos depois, voltei. A mochila no chão, ele no canto, com aquela cara de “pode me deixar de castigo sete dias e sete noites” e o inseto esmagado no chão:

- Filho, vc matou o besourinho?

Rapidamente ele emendou:

- Matei! Ele queria pegar minha mochila.

 

Definitivamente, ele tem um apagador de memória escondido em algum lugar do quarto dele. 

 

PS: Não sabe o que Calvin ter a ver com a história? Veja aqui, aqui ou aqui.

 

Brincar de quê?

Brincar de quê?

cardboard

Antigamente se brincava na rua de terra, de subir em árvore, de correr, de pular, de costurar, de inventar brinquedo.

Depois se brincava na rua de asfalto, com os amigos, com os brinquedos que se ganhava no Natal ou no aniversário.

Daí passou-se a brincar nos condomínios, com uma infinidade de brinquedos, campeonatos de vídeo-game, coleções de bonecas, chamadas então de fashion dolls.

Hoje têm-se mais brinquedos do que tempo para brincar. Dá pra se distrair sozinho ou online com o vizinho. O que era instrumento de trabalho virou brinquedo.

Há quem critique essa digitalização do brincar.

Acontece que o brincar reflete a sociedade. A criança brinca para treinar ser adulto.

Não existe tanta necessidade de habilidades físicas hoje em dia. O adulto precisa ser competente digitalmente nos tempos atuais.

Darwin estava certo. Sempre esteve.

O que não está certo, nem nunca esteve, é privar a criança do convívio social com outras crianças. Privá-la do imaginar, do fazer-de-conta.

A banalização do brinquedo faz isso: castra a criatividade, massifica o faz-de-conta.

Precisa de um carro, toma. Precisa de um foguete, toma. Precisa de uma panela, toma. Precisa de um castelo, aqui está.

Na loja é possível encontrar quase tudo de brinquedo. Até as fantasia já estão lá, prontas para serem vestidas.

Mas não há caixas de imaginação.

Nossos filhos não sabem criar, travam a brincadeira se não encontram a varinha de condão que transforma uma caixa em prédio, um paninho em vestido de gala, uma meia em bola.

Se lhes falta o quintal, o aplicativo lhes traz uma hortinha feliz com infinitos alqueires.

Mas falta espaço para viajar, espaço para o livre brincar.

É tanta preocupação em ter uma brincadeira pedagógica, uma atividade dirigida o tempo todo, que as crianças não sentem necessidade de criar, de improvisar.

E, se Darwin estiver certo, não viraremos robôs, mas nos tornaremos tão frios quanto.

Lixos e fantasias

Lixos e fantasias

lixeiro

 

Eu achei que era a única desse mundo a ter um filho que i-d-o-l-a-t-r-a o lixeiro. Coisa mais maluca um guri de menos de 3 anos se encantar tanto por algo que consideramos as mais nojentas das profissões.

Não é nada fácil para uma mãe assumir perante a sociedade que seu filho ama o lixeiro, enquanto outras mães se vangloriam de filhos apaixonados por heróis, por bichinhos animados e por profissionais que despertam a fantasia, como policiais e bombeiros. Mas foi num evento (muito bacana e do qual vou falar num outro post) que Chris Nicklas contou da antiga obsessão de seu filho e da comoção familiar em torno desta fantasia: o filho dela também era encantado pelo lixeiro.

Paradigma quebrado! E eu me assumi pública e virtualmente como mãe de fã de lixeiro.

Vocês não têm noooooçããããããõooo do que é esperar pelo caminhão na janela e dar tchau para a trupe toda que corre atrás de um caminhão cheio de sons e luzes. Eis que um dia, o lixeiro viu o pequeno na janela e soltou um “Tchau, neném!”. Nunca vi olhos tão brilhantes de filho como aquele dia. E comemorou: “O lixeiro é meu amigo!”.

No Natal, Papai Noel se desdobrou pelas cidades atrás de um caminhão de lixeiro. E encontrou 2 modelos. Concluí que há outras famílias na mesma vibe.

O mais legal foi quando estávamos saindo de casa e reparei que o caminhão estava descendo a rua. Enrolei até o caminhão passar do ladinho do menino, e ele ficar encantado com tudo aquilo bem pertinho dele. E não é que o lixeiro foi uma simpatia de pessoa: tirou sua luva e deu um aperto de mão no filho. E o pequeno lá, estático, extasiado… Parecia que estava vendo o Mickey na parada da Disney com show pirotécnico. Só que não! Era só o lixeiro.

E a família toda se mobiliza: quando passa o lixeiro na casa das avós, correm todos para a janela para dar tchau.

O ápice foi com a tia. Para onde as tias levam sobrinhos para passear? No parque, no zoo, no cinema? Só se for a sua tia, porque aqui rolou passeio pro aterro sanitário, ver a fila de caminhões descarregando o lixo. Exagero? Eu achei o maior barato. E alimento muito as fantasias tão importantes no desenvolvimento do meu menino.

Sempre achei lixeiros profissionais que merecem meu respeito: por fazerem o que fazem, com tanto vigor, disposição e alegria (nunca vi um lixeiro que não faça bagunça ou cantarole na hora de trabalhar!). Mas depois de ver a atitude deles com as crianças, passei a ter ainda mais consideração.

Que fique aqui registrado meu apreço por esses macunaímas que tanto alimentam a imaginação do meu filho, que, sem saber, ajudam até na hora de comer!

“Come, filho, come para ficar forte e correr como o lixeiro!”.

 

Um bolo e uma lição

Um bolo e uma lição

carrosMeu nome é Milene, tenho 32 anos e não estou limpa. Comprei um tênis para corrida ontem e hoje vou comprar presente para o chá-de-bebê de uma amiga, e sei que não serei forte o suficiente para não voltar com um mimo para o meu filho.

Sou consumista. Vício assumido. Mas não sou impulsiva, daquelas que se arrepende da compra. Vou arquitetando meus pequenos desejos em listas e, na primeira oportunidade – de momento ou financeira -, vou lá e compro.

Então me deparei com a dialética do ter e do ser.

Vi a caixa de carrinhos do meu filho cheio de Rotchiuis. E ele fazendo uma imensa garagem. Quantas crianças não fazem a mesma garagem com tampinhas, feijões, pedrinhas? Por ser o brinquedo favorito dele e por ser relativamente barato, sempre acamos comprando um no meio do caminho.

Mas ter, não é ser.

Faço questão de sentar com ele e brincar de garagem, de pista, de separar os carrinhos por cor, por tipo (faos *carros*, motos, pitapis *picapes*, taminhões *ok*, coídas *carros de corrida* e fulgões *furgões*). Espalhamos carrinhos pela casa toda, fazemos túnel com caixa de sapato, montanhas de almofada…

Sei que não sou exemplar para meu filho em termos de consumo, mas procuro levar o improviso à brincadeira, busco construir a brincadeira com ele, busco fazê-lo valorizar cada carrinho. Pois quando algum carrinho quebra, vamos juntos consertar. Nem que depois eu me desfaça disfarçadamente do brinquedo por questões de segurança.

Outro dia estava na sala, olhos fixos nas conversas do Twitter.

- Mamãi, diliga isso aí!

- Já vou, filho! Deixa eu responder um negócio.

- Diliga e vem comer o boio! *bolo*

- Bolo?

O filho tinha colocado um monte de carros numa tampa redonda e feito um bolo só para mim! Desliguei na hora. “Comi” um pedaço servido amorosamente por ele.

- Que delícia, filho! Foi você que fez?

- Fooooi! Vâmo tomá suco, mamãi?

Voltei com os copos. Foi um lanche delicioso. Uma lição, de que “ter” não tem o menor valor sem o “ser”.

A Mulher e o Brincar

A Mulher e o Brincar

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, segue um post todo especial sobre o tema.

O brincar sempre me encantou. Antes, porque eu era criança, e brincar era minha única ocupação. Depois, porque nunca deixei de gostar de jogos e brinquedos e acabei os integrando à minha escolha profissional.

O brinquedo é o elo da criança com o mundo. É por meio da brincadeira que a criança aprende a ser, vamos dizer, gente. Brinca com a mãe para aprender o que é afeto. Brinca com as mãos para desenvolver a coordenação, brinca de correr e pular para desenvolver o esquema motor, brinca com cores, com formas, com números, com letras. Brincando a criança aprende a respeitar regras, a lidar …Continue lendo este post no blog APOIO SABER.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...