O que meus filhos me ensinaram sobre o tempo

tempo

Depois de ter filhos, aprendi a contar o tempo de uma outra maneira

Já pequeninos, começamos a questionar esse sábio senhor – quando é amanhã? ontem a gente vai? – , já que o tempo é coisa difícil de se explicar, de se entender. Ainda que há mais de 500 anos ele tenha passado a ser medido da forma como é. Dias, semanas, meses e anos.

Quando crianças, o tempo nos dá a sensação de ser mais comprido e lento. Demora tanto para chegar um aniversário, o Natal. Um fim de semana na casa da vó parecem férias. Um ano escolar dura quase uma pequena eternidade infantil.

Conforme crescemos e ganhamos responsabilidades, o tempo vai sorvendo nossa capacidade de apreciar as horas. E temos a sensação de que tudo está passando mais rápido, que o amanhã já é anteontem. Não dá tempo de nada, falta tempo para tudo. Semana de provas, dia do pagamento, mês de férias, hora-extra, dia útil, ano letivo, em cima da hora.

Daí aquele calendário gregoriano que custamos um bocado a aprender quando pequenos, prece agora abocanhar nosso ócio. Um mistério que mais vira um monstro.

Então nos tornamos pais, e o tempo parece ganhar outra dimensão. A forma de contar o tempo ganha outra cara, como se estivéssemos nos aprontando para um eclipse ou algo do tipo. Durante a gestação, já não contamos as datas em dias, mas passamos a chamá-las por semanas. Dividimos as etapas em trimestres. E a gestação, que você pensava durar 9 meses, passa agora a ter 40 semanas. 40 semanas e uma eternidade até o nascimento de um filho, eu diria.

É o tempo dando as caras, te confundindo, para que mais uma vida venha a ter vida. Para que o peso dos dias do dia a dia não caia sobre os ombros de quem precisa dedicar amor incondicional e atenção a um ser totalmente dependente de você.

Você se confunde: outro dia mesmo descobriu que estava grávida, passou voando. E agora essa eternidade entre a saída do bebê e o primeiro choro.

Vacila entre o tempo que se arrasta enquanto seu filho não pega no sono na madrugada, e a velocidade com que as primeiras roupinhas deixam de caber num corpo tão pequenino.

Então o tempo tenta assumir seu lugar: de recém-nascido, você conta a idade do bebê em dias. Depois comemora cada mês de vida, para então celebrar o aniversário. Como se não festejasse cada conquista: consegue rolar, sentar, ficar de pé, andar, correr, pular, dar cambalhota, ler, escrever, perdeu o dentinho, andou de bicicleta, dormiu na casa do amigo…

E apesar de tentar, o tempo não consegue deixar se correr sozinho. Tentamos aprisioná-lo em nomes – dias, meses, anos. Tentamos aprisioná-lo nas fotos. Mas ele flui como vapor, e escapa até de nossas mentes.

O tempo.

Esse que nunca tenho. Que, às vezes exausta, digo ser consumido pelos meus filhos. Esse mesmo que na verdade é investido em cada passo da vida deles. Esse que não vai voltar. O milésimo de segundo do sorriso que não poderá ser revivido. Cada instante que deve ser experimentado intensamente.

O tempo. Que dura anos… De anos que passam mais rápido que os próprios segundos.

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7 comments

  1. Milene,
    Você está inspirada hein! Que texto lindíssimo!
    Parabéns!
    bj
    Raquel

  2. Lindo texto que define com mta delicadeza e verdade o tempo na maternidade. Quantas vezes eu não quis congelar o tempo naquele momento exato de uma gargalhada deliciosa, ou dos primeiros passinhos que logo viraram em corridas pela casa?! Ai o tempo, quando me tornei mãe desejei tanto que ele congelasse só para a Sarah caber um pouquinho mais no meu colo!!!!

  3. Lindo texto! o meu mais precioso tempo que tenho livre é para curtir e aproveitar o meu bem mais precioso, sem dúvida, porque o tempo não volta então temos que aproveitar!!!!!!!

  4. Caroline Luize Moura, Ana Paula Batista Magalhães, Liliane Rodrigues Magalhaes Gonçalves, Juliana Rodrigues Cardoso, Juliana Do France, Gabriela Lopes Fresneda, achei interessante para as futuras, novas e experientes mamães! Lindo texto…

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