Sintomas do Bullying que não podemos ignorar

Sintomas do bullying que não podemos ignorar
Imagem Freepik (C)

De agressor a vítima, veja quais os sintomas do bullying

Ele era gordo, mais alto que boa parte da turma, com a pele muito branca. Sentava-se no fundo, falava pouco. Estava sempre sozinho na hora do intervalo. Sua inabilidade social não evitou que ele fosse assunto entre os outros alunos. A turma ria da sua aparência, ria e cochichava. Se ele se pronunciasse, muitas vezes bravo com a situação, era motivo para arrancar mais gargalhadas da galera. Galera… A galera nem notava quando ele faltava por vezes seguidas, perdia provas, não ia a passeios. A gente só achava ele um menino meio estranho. O gordo esquisitão. Mas ele tinha um nome: Fábio. 

Quantos de nós vivenciou histórias parecidas. A maioria de nós testemunhou bullying na escola. Alguns de nós viveu isso na pele. E uma minoria assume que fez o papel do agressor. Naquela época não tinha esse nome, e a zoação se limitava às paredes da sala de aula. A escola contatava os pais dos envolvidos, separava os dois, e tava tudo certo. Nem sempre.

Hoje me pergunto onde está o Fábio, um homem de quase 40 anos hoje em dia. Será que tem família, trabalho? Como ele se relaciona com o mundo? Será que está nas redes sociais? Como será que ela fala de bullying com seu filho?

Hoje, tendo filhos, eu me pergunto o que eu poderia ter feito pelo Fábio. Na época, eu ria das besteiras que se falavam. Adolescente vê graça até onde ela não existe. Outras vezes ria, mas não queria rir, porque percebia que era pesado. Mas não rir era abrir uma brecha para entrar na fila dos agredidos.

Tendo filhos numa época em que a zoação ultrapassa os limites da sala, em que a escola está numa transição e ainda não encontrou seu novo papel, em que os pais se veem perdidos diante de tanta informação, assim como os filhos, a gente fica se perguntando onde está nosso filho nessa cadeia do bullying.

Estar atento aos sintomas do bullying é tão importante quanto saber sobre a saúde do seu filho. Não é frescura! Não é mimimi. 

Não rir era abrir uma brecha para entrar na fila dos agredidos.

Na nossa época já era difícil o exercitar o “não dar ouvidos”. Imagine hoje em que o não dar ouvidos envolve a presença física e presença virtual nas diversas plataformas do mundo digital? (aliás, como anda a segurança digital do seu filho?) O risco é maior, nossos filhos sabem disso. E aí mora a ansiedade que os devora por dentro.

Mas para falar dos sinais do bullying, precisamos falar sobre as 3 pessoas envolvidas: a vítima, o agressor e a testemunha. Todo caso de bullying tem vítima e agressor, e a grande maioria também tem testemunha. Ou seja: a chance de nosso filho estar envolvido num caso de bullying é grande. Mas vamos aos sintomas para poder entender isso melhor.

Sintomas do Bullying que não podemos ignorar

Sintomas do Bullying: A Vítima

A ponta que mais sofre com o bullying, pode ter sequelas e traumas para o resto da vida. Quando não, tentar contra a própria vida e a de terceiros, caso seja o gatilho para transtornos mais sérios. O bullying em si não leva ninguém a matar, mas um jovem que esteja sofrendo de um outro transtorno pode ter isso agravado e levar a consequências graves.

Fique atento se o jovem:

  • evitar ir à escola, encontrando desculpas para faltar com frequência
  •  não se interessar por eventos da escola, como festas, encontros e feiras
  • apresentar sinais de tristeza, apatia e melancolia
  • mostrar-se fechado, não dividir os problemas, nem falar sobre o dia a dia
  • demonstrar crises de ansiedade ou pânico
  • mudar o apetite (comer demais ou de menos)
  • tornar-se agressivo dentro de casa
  • apresentar queda no rendimento escolar
  • ter alteração no sono

Sintomas do Bullying: O Agressor

Nunca imaginamos que nosso filho seja o agressor, mas para cada vítima, há um agressor ou mais. E ele está tão ou mais fragilizado que a vítima por alguma razão. Quando nosso filho é a vítima, enxergamos o bullying como algo sério; mas se ele assume a postura do agressor, tendemos a enxergar como uma brincadeira. Se alguém sofre com a “brincadeira”, então precisa haver um ajuste na comunicação.

Fique atento se o jovem:

  • envolve-se em brigas
  • manifesta-se de maneira grosseira nos meios digitais
  • impõe suas vontades no grupo de amigos
  • exclui amigos de seu círculo
  • aparece com objetos novos em casa
  • desafia pais e irmãos
  • apresenta um comportamento manipulador
  • faz uso de álcool ou drogas
  • desafia limites com frequência (não tem medo das consequências)

Sintomas do Bullying: A Testemunha

Acredito que a grande maioria dos jovens (assim como nós) presenciou uma cena de bullying. E acredito que é a testemunha que pode fazer a diferença no caso, já que a vítima muitas vezes tem medo de se pronunciar. É a testemunha quem pode fazer o alerta. Mas muitas vezes a testemunha passa a ser o agressor também: com medo de se tornar a vítima, acaba se associando à matilha.

Fique atento se o jovem:

  • passar a ter um novo círculo de amigos
  • fazer comentários ou fofocas sobre “antigos” amigos
  • excluir amigos de seu círculo
  • sentir-se incomodado com determinadas amizades
  • deixar de comunicar a escola quando souber de um caso de bullying
  • deixar de dialogar com a família

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A parceria família-escola é imprescindível para a construção de um ambiente em que crianças e adolescentes possam aprender e se desenvolver com segurança. Converse com a escola de seu filho sobre a posição deles em caso de bullying. Muitas instituições ainda estão despreparadas para lidar com esses problemas das famílias modernas. A Nethics oferece palestras, formação de educadores e uma plataforma de apoio a escolas e pais, como essa cartilha sobre Bullying. Converse com sua escola!
* – Fábio é um nome fictício, mas a história é verdadeira.

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