Ser mãe e mulher: como LEGO pode te ajudar nesse desafio

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Você espera o momento certo de ter filhos, você se informa, você acha que sabe tudo e que está pronta para ser mãe.

Daí seu filho nasce e você percebe que o “estar pronta” é muito relativo.

O estar pronta não é um estar completa ou arrematada, mas um estar disposta, estar preparada para o que der e vier. E vem! Que é para mostrar que você pode sempre dar um passo à frente.

É visceral essa nossa preparação: dos hormônios da gestação à vontade de arrumar tudo.

Vontade.

Esta aí algo que a maternidade transforma: sua vontade.

Temos a vontade de ser perfeitas, fazer tudo certinho, educar nossos filhos para serem as pessoas mais incríveis do planeta. Mas nossa vontade mingua logo ali onde mora a nossa limitação.

A vontade de equilibrar os 8 pratinhos da vida é imensa, mas só temos 2 braços – um segurando a bolsa e o outro tentando desviar dos filhos que tentam puxar tudo. Somos perseverantes na arte de equilibrar pratinhos, mas, como todo equilibrista, deixamos nossos pratinhos despencarem vez ou outra. A gente tenta, mas nem sempre dá conta de tudo.

Ser mãe e mulher é isso: o lado mãe quer fazer tudo, dar conta de tudo, ser perfeita, cuidar, amar, fazer rir, nutrir, suprir. O lado mulher é mais autocentrado e é onde mora o limite, a culpa, mas é o lado que te torna você como pessoa, e não apenas como serva dos seus filhos.

Muitas mulheres conseguem reencontrar com facilidade sua porção mulher então resguardada pela maternidade. Voltam à vida social, profissional, aos relacionamentos conjugais sem a menor dificuldade. Outras demoram um pouco mais para se reenxergarem como indivíduos de vontade e limitações próprias, sem tempo para serem elas mesmas.

Faço parte do segundo grupo. Este mês comemoro 9 anos como mãe. Há 9 anos venho tentando ser uma pessoa melhor a cada dia, tento acertar. Há 9 anos deito minha cabeça no travesseiro todas as noites pensando em como posso fazer para ser amorosa sem perder o pulso, em como fazer comida saudável que meus filhos sintam prazer em comer, em como limpar a casa e ter tempo para brincar, como ser eu mesma sem deixar meus filhos de lado.

Tenho a sensação de que há pouquíssimo tempo passei a me enxergar de uma outra maneira. Continuo me dedicando bastante à família, mas venho percebendo que EU preciso ser cuidada.

E não falo só de cuidados vindos de outrém. Mas de mim mesma. 

Como a teoria das máscaras de pressurização no avião: antes de mais nada é preciso colocar sua máscara antes de tentar ajudar os outros, mesmo que o outro seja seu filho.

Há 9 anos venho tentando exercer o papel de mãe dedicada ao de mulher com personalidade.

Não tem sido fácil. 

 

Mulher e mãe: o que Lego pode te ensinar

Lego é brinquedo favorito aqui de casa (apesar dos sustos). E vou usá-lo para explicar como tenho me sentido.

Eu era um daqueles bonecos feitos de milhares de peças de Lego, que eu jurava estar pronto. Faltava só aquela pecinha chamada filho (e outra chamada livro e outra chamada árvore, não é?). A peça “filho” é aquela que quando você encaixa, a pressão faz desmoronar todas as outras. Depois de “filho”, suas peças se espalham. Uma para cada canto. Embaixo do armário, em cima da mesa. Há peças que sumiram, e sentiremos falta. Há peças que sumiram, mas a gente nem deu falta. Por que quando todas as peças caíram, elas se misturaram às outras que estavam soltas. 

Você chora, não sabe por onde começa, se pergunta onde estava com a cabeça na hora de ter colocado a peça “filho”. Mas respira e percebe que é preciso começar de novo. Juntando as peças. Colocando peças novas no lugar das que sumiram.

E assim que me sinto agora: remontando a mulher de Lego, juntando os bloquinhos que o exercício da maternidade espalhou pela vida. E por mais que eu tente, jamais serei a mesma mulher de antes. Tem peça sobrando de um lado, peça faltando de outro. É preciso estar preparada para montar essa nova mulher com as peças que a maternidade deu.

É trabalhoso, mas a vantagem, como no Lego, é aprender a lidar com situações-problema, exercer a criatividade e o raciocínio lógico, estimulando habilidades vitais.

E o grande barato do Lego é justamente esse: montar, brincar, desmontar, reorganizar, montar outra coisa.

Legal mesmo é se divertir com as peças que a vida te dá!

 

3 comments

  1. Adorei!

  2. Uau Milene! !!! Que lindo texto ! Me enxerguei do início ao final, inclusive porque meu mais velho também faz nove anos este mês, na verdade amanhã!Excelente artigo! Parabéns!

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