Ser criança é o melhor que podemos fazer pelos nossos filhos

ser criança é o melhor que podemos fazerNão é porque viramos adultos que não podemos mais ser criança.

Esse post poderia ser mais um daqueles que falam de como ter filhos me tornou uma pessoa melhor, para recortar e copiar no Facebook ao lado de uma foto minha quando criança. De fato é… Mas eu andei aqui pensando sobre últimos sete anos da minha vida e me vi numa máquina do tempo.

Até ter filhos, eu achava que tinha tido uma infância sem grandes histórias: nunca fui muito de aprontar, até porque nunca fui muito de arriscar. Era tímida, meio medrosa. Não era o tipo da criança que subia em árvore e brincava na rua. Esfolei o joelho poucas vezes e quebrei poucos ossos. Até ter filhos, eu achava que as cicatrizes guardavam as histórias. Hoje sei que não é bem assim. As memórias de ser criança são mais intensas do que apenas marcas. Elas marcam nosso jeito de ser, de enxergar a vida.

Eu também não era o tipo da criança ligada em esportes, não era chegada a uma competição. Preferia as brincadeiras com bonecas, os jogos de tabuleiro. Tampouco fui o tipo da criança popular, espontânea. Era resguardada, daquelas quem sentavam na primeira fila para ficar perto da professora, e só me aventurava em brincadeiras com crianças conhecidas.

Vendo assim, minha infância não foi nada espetacular ou memorável.

Mas depois que meus filhos nasceram, eu passei a enxergar as coisas de outra forma. Memórias que estavam esquecidas voltam à tona. Detalhes, cheiros, pessoas… Um flashback em que a gente enxerga de fora o nosso ser criança.

Do desenho do azulejo da casa da vó ao cheiro da arruda de casa que exalava quando a bola batia nela – e a mãe soltava um berro!

Eles pedem para ver fotos da minha infância. E eu retorno com poucas imagens – em comparação à quantidade de fotos que tiramos hoje –  e um monte de enredos para cada uma delas. Coisas que eu nem me lembrava mais. (Veja: 10 fotos de seu filho que não deveriam estar na internet)

Um papo com alguém da família,  e mais uma porção de feitos enchem meu coração de recordações.

Ser criança não depende da idade: infância é um estado de espírito.

As descidas pela horta com o vô atrás de um urso imaginário – história que perpetuo com meus filhos.

As comidas que eu fazia no forninho de brincadeira – que ficam péssimas, mas garantiam a diversão. Ao contrário de hoje, quando a comida fica boa, mas o clima de tensão nas refeições reina. (Veja: Atividades que seu filho pode fazer na cozinha de acordo com a idade)

A camona com os primos no chão da sala, vendo o pêndulo do cuco bater e o quadro favorito do vô – quadro que hoje está na parede de casa.

As tardes jogando com minha mãe ou irmã que estão aqui guardadas, na lembrança e no armário com muitos dos jogos daquela época.

Meus filhos não precisam de aventuras cinematográficas – qualquer causo simples da minha infância vira uma epopeia na imaginação deles. Eles não precisam de brinquedos, de livros, de passeios… (Confira essas 10 dicas para ter filhos felizes)

Meus filhos precisam das minhas memórias.

Um dia, eles vão resgatar todas essas histórias com meus netos. e, assim, ir construindo a história da nossa família.

Ter filhos não me tornou apenas uma pessoa melhor – ter filhos me tornou uma criança mais feliz!

E tudo o que posso fazer no alto dos meus 37 anos é me tornar criança por alguns minutos do dia e fazer brotar histórias na vida dos meus filhos.

E eu termino este texto pensando o que seria das minhas recordações senão fossem meus filhos fazendo essas memórias florescerem com tanta intensidade. Ser criança independe da idade. Ser criança é um estado de espírito.

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4 comments

  1. Que lindo texto, Mi! Cheio de amor e boas lembranças. Impossível impedir meu próprio cérebro de recordar das minhas lembranças de infância também. Obrigada por isso!

  2. Uau Milene! Que texto lindo e perfeito! Parabéns!
    Vim ler correndo achando que teriam várias ideias de brincadeiras que você faz hoje com seus filhos…. e me deparei com essa volta ao passado tão cheia de sentimentos e ternura… não tem como não se emocionar!
    um beijo,
    Raquel

  3. Parabéns Milene! Lindo texto…me surpreendi lendo e chorando de tanta emoção ao me recordar da minha infância!
    Amei…amei…amei!!

    Um beijão,
    Mérie.

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