Recomeço

Apagou o último incenso.
Se houvera uma explicação, não poderia fazer sentido.
Não havia chão no mundo que pudesse servir de base.
Seu arco-íris era uma escala de cinza.
Um blefe contra si mesma.
Consumiram o que havia de mais profundo e simples.
Haveria uma saída?
Escreveu cartas para anônimos.
Limpou seu armário.
Rasgou as fotos.
Cantou e dançou.
Pensou num refúgio.
Desembrulhou seu chocolate, mas não comeu.
Ouviu uma canção no rádio.
Separou seus livros como se fossem malas.
Não avisou para onde ia.
Desistiu de tudo.
Não encontrou ninguém.
Procurou por todos.
Não quis a ajuda de nada.
Optou por isso mesmo.
Sabia que o que é cinza não poderia voltar a ser.
Sabia que o que queima se desintegra, se desfaz.
Sabia que sentir o calor era algo bom.
Ateou fogo na própria casa.


Esta crônica foi escrita do fim para o começo.

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