Porque você deve parar de dizer “Faço tudo pelo meu filho”

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Espera! Segure sua pedra e leia o post até o fim. Eu tenho filhos. Já até perdi uma filha. Então eu não estou querendo entrar no mérito de se doar pelos filhos. A questão que vou abordar hoje são aquelas pequenas coisas que fazemos no dia a dia num ato de amor – ou pressa -, e que mais atrapalham do que auxiliam no desenvolvimento das crianças.

Quando um bebê nasce, nos dedicamos quase que integralmente a ele – principalmente as mães, por uma questão biológica. Um serzinho que depende totalmente de seus cuidadores. Precisa de proteção, alimento, higiene, afeto e estímulos que só os cuidadores podem proporcionar. Um bebê não é capaz de realizar nenhuma atividade racionalmente. Reage apenas a estímulos básicos como frio, fome, incômodo, com choro. Ao passar das semanas, o bebê vai se desenvolvendo e aprendendo a controlar movimentos e emoções. Mas é só perto de 1 ano que a criança passa a ter um controle psicomotor um pouco mais apurado e passa a se entender como indivíduo, e não parte da mãe.

E é aí, nesse ponto, que precisamos para de fazer tudo pelos nossos filhos!

Seu filho não será para sempre um bebê

Quem é que não gosta de dar colinho para um bebê, mimá-lo, niná-lo, ouvi-lo falar palavras erradas daquele jeitinho fofo? Geralmente as mulheres se sentem muito poderosas e amadas, justamente por poderem ofertar tudo o que aquele ser humano necessita, por conhecer cada trejeito, cada manha. E a grande dificuldade está aí: em nos libertarmos desse papel de supermãe e deixarmos nosso filho crescer e deixar de ser aquele bebê fofo.

Conforme o bebê cresce e se desenvolve, a mãe também precisa se transformar. E a gente sabe o quanto isso é difícil! É preciso que todos os cuidadores saiam da sua zona de conforto e aprendam a lidar com as características daquela pessoa em transformação. Um processo em que todo mundo aprende.

Mas para aprender, a gente precisa se desconstruir. Eu até já fiz uma analogia da maternidade com o Lego. É preciso um pouco de caos, antes de darmos o próximo passo.

Quando a gente fala em autonomia, envolvemos dois aspectos: o emocional e o físico. A criança com autonomia emocional se sente segura, capaz, confiante para realizar seus feitos e se arriscar nos aprendizados. A criança com autonomia física sabe realizar atividades do dia a dia que condizem com sua faixa etária. E, obviamente, um aspecto depende do outro.

Sem tempo, irmão!

Na correria do dia a dia, não dá tempo de pararmos para ensinar o filho a dar laço no tênis, não dá para arriscar deixar a criança por os pratos na mesa e quebrar suas louças, não queremos sujar a casa deixando a criança comer sozinha. Mas lembram-se daquele lance de desconstruir que falei há dois parágrafos? Então!

Quando a gente ensina e supervisiona a criança a tomar banho sozinha, a pentear o próprio cabelo, a guardar seus pertences, a gente ensina muito mais do que uma tarefa de casa, mas estando munindo esta criança de segurança e autoestima. Estamos desenvolvendo habilidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais.

Não é só pelo saber colocar o próprio sapato!

Quando a criança está no processo de aprender a fazer uma tarefa diária sozinha, ela aprende a lidar com fracassos e frustrações. Se ela não conseguiu esticar a colcha da cama hoje, amanhã ela tenta de novo. A gente oferece a ajuda hoje e, aos poucos, a coisa sai.

Nesse aprendizado, vão se acumulando ferramentas essenciais para o aprendizado na escola também. Uma criança que sabe guardar o material na mochila, vai para a escola mais confiante e segura. Essa segurança se reflete nas atividades, porque guardar o material envolve uma série de habilidades psicomotoras.

E quando a criança consegue realizar algo, a gente vibra junto – ou pelo menos deveria vibrar. Celebra! Como na época do xixi no penico. É o mesmíssimo processo. A diferença é que com o passar dos anos a gente vai achando que a criança aprende no tempo dela, que a escola ensina, que agora não dá, que vai sujar, que estou com pressa.

Por onde eu começo?

Então pare agora o que estiver fazendo, e pense numa atividade simples do dia a dia que você fazia com a idade de seu filho e que ele ainda não sabe fazer. Foque nela. Só uma.

Eu tenho aqui no blog uma lista das atividades por idade, uma lista de coisas para as crianças fazerem na cozinha e um quadro de incentivo para você imprimir.

Lembre-se do processo de desconstruir: porque não será fácil (eu já contei minha primeira experiência com a autonomia) e seu filho também vai torcer o nariz para um novo aprendizado. Mas seja firme como na época do desfralde. Pode demorar muito, mas pode ser tudo muito rápido. Vibre com cada conquista. Não brigue se não rolar. Apenas encoraje-o a tentar de novo, afinal, você acredita nele!

E isso serve para tudo: do comer sozinho a mandar uma mensagem no whats quando ele chegar na casa do amigo. Por isso, pare de dizer “Faço tudo pelo meu filho” e deixe-o fazer as coisas por ele. Assim teremos adultos mais seguros e bem resolvidos.

Que tal passar a usar agora “Eu estou disponível para meu filho sempre que ele precisar”?

One comment

  1. Daniela Forte Martins Cordeiro

    Adorei! Eles sempre são capazes de fazer mais do que imaginamos. Nós é que às vezes não queremos enxergar isso, porque ficamos assustados com a independência dos filhos.

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