Porque não deixo meu filho ter conta em rede social

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Há tempos meu filho largou meu colo, deu seus passos, aprendeu a correr, a ler, escrever e ver vídeos no YouTube (com minha supervisão, por uma série de motivos sérios que já contei neste post sobre vídeos impróprios). Como a grande maioria das crianças da sua idade, por volta de 8 anos, ele passou a me pedir para entrar no Facebook ou no Instagram. Desde então, a minha resposta tem sido a mesma, simples e categórica: Não.

Há quem diga que estou criando meus filhos numa bolha, numa redoma de vidro binário. Mas gostaria que você seguisse adiante nesse meu ponto de vista. Aliás, se você já chegou até esse ponto do texto é porque você se interessa e zela pela vida digital de seu filho. Então continue sua leitura e depois deixe sua posição nos comentários para que possamos seguir discutindo sobre esse assunto tão importante.

Idade mínima das redes sociais

Primeiramente, o que me levou a não deixar meu filho ter rede social foram as idades mínimas de cada rede. Cada rede social adota políticas de privacidade e segurança e limitam uma idade mínima adequada para o uso. O Youtube, por exemplo, tem o limite de 13 anos para visualização, mas as postagens de vídeos só podem ser feitas por maiores de 18 anos.

Apesar da idade limite, é indispensável que cada pai saiba a noção de responsabilidade de cada filho e faça os ajustes necessários. É como liberar a chave da casa: dizem que aos 14 é uma boa idade, mas dependendo da maturidade e da necessidade da criança, aos 12 ela já pode ter sua cópia.

Meu filho por exemplo, apesar de não ter 16 anos, foi autorizado a utilizar o Whatsapp, com alguns amigos e familiares, com todas as conversas monitoradas e debatidas. Ele perdeu o contato físico com alguns colegas que se mudaram de cidade, e o Whatsapp foi uma maneira prática de manterem o contato.


Toxicidade das redes sociais

Entretanto, o que me motiva a não liberar as redes sociais para meu filho é outra questão: o problema é a vulnerabilidade social a que as redes expõem as pessoas. Não vou nem entrar aqui no mérito da segurança digital e da proteção de dados para não transformar o post numa obra de 1500 páginas, mas te ater apenas a coisas mais práticas e ordinárias. Além da questão da criança expor e postar imagens e frases que podem colocá-la numa situação vexatória ou de risco num futuro, ela também fica exposta a imagens que podem prejudicar seu desenvolvimento.

Você pode até alegar que ela só vai seguir amigos confiáveis e parentes próximos, e que todo o conteúdo será monitorado. Pode garantir que ela não poderá postar nada, apenas ver as postagens dos outros. Parece inofensivo, não é mesmo. Mas agora quero te fazer uma pergunta: quantas vezes você se sentiu mal porque seus amigos estavam fazendo viagens incríveis, enquanto você emendou o feriado trabalhando? Quantas vezes você se sentiu um lixo, porque sua prima posta foto todos os dias da corrida matinal dela, enquanto você mal consegue fazer um café de manhã?

Então reflita comigo: se essas imagens mexem muito com um adulto, cuja personalidade já está formada, quais os efeitos que elas podem ter sobre uma criança ainda em formação?

Não estaríamos colocando a auto-estima e a auto-afirmação de nossos filhos em risco por puro status social – dos pais e da criança?

Pode parecer paranoia minha, um exagero, mas ainda assim prefiro que meus filhos fiquem longe o máximo que possível dessas redes. Elas me trouxeram amigos de verdade, gente que conheci pela internet e que trouxe para dentro de casa e do coração. Gente que me inspira e que me traz informação. Mas também pessoas que entraram na roleta do unfollow por me deixarem mal ou simplesmente não acrescentarem em nada em minha vida. A diferença que tudo isso aconteceu com uma certa maturidade minha para saber diferenciar quem é quem. E, mesmo assim, ainda pago uma terapeuta para lidar com minhas crises de ansiedade e megalomania (em querer fazer tudo, mais do que posso de fato), que, certamente, têm alguns gatilhos nas redes sociais.

Sigo proibindo, até perceber a maturidade de meu filho para lidar com algumas questões. Até lá, seguimos conversando sobre o assunto. E se ele quiser ver algo nas redes que está sendo comentado por aí, é com a minha conta – das redes que eu ainda não apaguei.

7 comments

  1. Mi, to contigo e não abro! Sou assim com as meninas também e pelos mesmos motivos (e segurança e etc). Ótimo texto, como sempre. Bjos!!!

  2. Talita Ferreira Moll Volponi

    Super concordo!!!
    Não tinha pensado sob essa perspectiva dos efeitos sobre a auto-estima e auto-afirmação… mas concordo plenamente! Criança precisa ser criança, e a socialização precisa ser pessoal, não virtual (com raríssimas exceções)… Tô contigo!!!

  3. Mi, amei a sua visão! Aliás, nunca tinha pensado nesse aspecto psicológico que realmente as redes sociais trazem. Estou pensando em abandonar as redes tbm e aproveitar a incrível vida real! Beijos

  4. Gostei muito dos seus conselhos, eu tenho um filho de 9 anos e outro com quasi 16. o de 16 quasi já não vive sem o instagram. realmente podemos fazer as coisas menos posesivas num mundo tao virtual.
    obrigada foi benção
    uxia Lopez

  5. Bom dia!
    Estava eu aqui buscando coisas para o aniversário de 6 anos do Lipe em Julho, e vi esse post. Caiu como uma luva para o que estou vivendo no momento. Meus filhos ficam com a avó, Lipe se vira sozinho no quesito computador, e passa as tardes entre PC, tablet e videogame. Todos eles conectados a minha conta de email, para que eu possa, mesmo de longe controlar o que ele assiste e joga. Não acho que essa é a forma ideal de entretenimento, porém eu e meu esposo precisamos trabalhar e a minha sogra ainda tem o pequeno de 8 meses para cuidar, então…
    Ano passado, veja bem, com quatro anos, ele já havia pedido um Facebook! Eu disse que ele ainda não sabia ler e fui enrolando. Foi aí que meu celular parou de carregar e tive que comprar um novo, o velho virou o “fixo” do Lipe, deletei tudo, deixei só o whatsapp, não tem nem chip! Ele manda audio para os tios, tias, avós, primos, etc… e joga alguns joguinhos.
    Então ele aprendeu a ler algumas palavras sozinhos… e eu já estou prevendo problemas!
    Achei os pontos que tu enunciou, sobre a influência, do status, me fizeram pensar ainda mais, sobre liberar ou não o Face pro Lipe… Ele está um avião! Descobriu o Google, pesquisa sobre tudo que ele conseguir escrever, e em alguns casos usa o microfone, pra dizer o que procura!!! Recentemente me mostrou o Mercado Livre, com: ” coisas diferentes que não se vê em lojas”… O Lipe puxou a mim, é muito curioso e falante, então eu sei que mais cedo do que eu gostaria, ele vai fazer uma conta no Facebook, se ele conseguir por mérito próprio, eu não vou castigar ou proibir, mas vou manter um dialogo aberto e refletivo sobre o que são as redes sociais, sua função e principalmente suas influências! Eu e meu esposo somos muitos abertos sobre todos os assunto com o Lipe, e sempre discutimos e pensamos juntos sobre todas as coisas que ele se interessa. Possuímos redes socias e usamos com muita sensatez, tentaremos passar isso para ele, e mostrar que é possível fazer um uso responsável, afinal é o teu nome que vai ali!

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