O dinheiro que nos consome – “Mentirosa é a mãe!”

moneu child

Vivemos num mundo em que os bens materiais são fugazes: pela durabilidade, pelo modismo, pelo consumismo.

O simples ter já não garante mais aquele status: é preciso ter, ter muitos e ter sempre o modelo mais novo. Isso vale para roupas, eletrodomésticos, aparelhos eletrônicos, carros, amenidades em geral e, por que não, brinquedos.

Nossos filhos aprendem logo o valor de um publicitário, e saem por aí pedindo tudo, naquele quase mantra de eu quero, eu quero, eu quero.

Alguns – poucos – pais se dedicam a torcer cedo pepino, ensinando o valor das coisas, das pessoas e dos momentos em suas devidas importâncias. Uns discutem Marx e Engels com suas crianças, outros desligam a TV e cortam qualquer tipo de influência consumista veiculada em seus meios. Outros, no entanto, sucumbem aos apelos infantis e compram o bolinho do herói do momento, tapando a boca – e os olhos – da criança. E existem os que ficam no meio disso tudo.

Na bolha ou na massa, a verdade é que precisamos de dinheiro para sobreviver, independentemente da moeda: crédito, débito, escambo ou sal. Mesmo quem escolheu viver da forma mais natural possível, há de plantar umas batatas a mais para garantir a penca de bananas que vai trocar com o vizinho.

E mesmo quem vive dessa forma, um dia há de ver seu filho se tacando no chão implorando por um bolo de aveia e mel igual ao que seu coleguinha levou à escola comunitária. Vivemos em sociedade e, assim, queremos sempre pertencer ao grupo. Ainda que seu filho não veja TV e não frequente escola – e isso não é uma crítica –, ele ainda assim vai te pedir coisas. O nhe-nhe-nhém do eu quero ainda vai ecoar no seu lar.

Imagine então o que é que uma criança seduzida pelos apelos midiáticos não é capaz de fazer, meus senhores!

Ainda sem o discernimento para entender quando acaba o desenho e começa a propaganda, nossos pequenos vão absorvendo todas as mensagens, assim como você sorveu a mensagem de determinado tipo de limpador, aquela marca de xampu, e prefere certa marca de alimentos. Somos todas presas fáceis. E eu sou uma publicitária frustrada.

Uma simples ida ao mercadinho da vila te remete estar entrando numa loja de brinquedos, tamanha apelação de personagens nos mais diferentes produtos, da bolacha ao limpador sanitário. E eles querem. Eles precisam. Eles exigem. Eles nos constrangem. Acreditam que o leitinho vai ter o gosto do leitinho da princesa, que o macarrão vai dar poderes como do herói, que o xampu vai deixar o cabelinho como daquela boneca mostruosamente linda, que vai existir um brinquedo mágico dentro do ovinho, que o herói vai deixar a casa mais limpa e mamãe vai poder brincar, que o patinho vai alegrar seu banheiro… Veja bem, se nós acreditamos no poder daquele creme antirrugas e nas propriedades calmantes de um chocolate, por que diabos o bonequinho não vai deixar o suco mais gostoso?

Enfim, você encara uma ida ao shopping para se distrair. E é lá que acontece aquele espetáculo das efemeridades. Você quer, mas se contém. Você quase estoura o limite do cartão em mais um par de sapatos. Logo em seguida, seu filho, depois de se divertir em alguma ação de personagens da moda ali instalada, desanda a pedir o que vê pela frente. Você, de início, fala sobre o tanto de brinquedos que ele tem, que só o Papai Noel pode trazer essas coisas, fala um pouco sobre Henry Ford, Marketing e falsas necessidades, mas nada tira da cabeça de seu pequeno que ele PRE-CI-SA daquele carrinho.

Das duas uma: ou você se entrega ao inimigo ou se  junta a ele. Ao ceder, você faz a vontade de seu filho, e ele fica feliz, até a próxima ida ao shopping. Comprova-se o valor fugaz dos bens em nossa sociedade de consumo e segue o barco. Ao se juntar ao oponente – o apelo publicitário –, você tem que lutar com as mesmas armas: A mentira!

“Não, filho, hoje não dá que o dinheiro do papai acabou!”

Então você se dirige ao caixa, paga o estacionamento e vai embora, na maior falsidade, na maior naturalidade, como fazem os melhores estrategistas de marketing.

Leia os outros posts da série clicando na imagem.

Mentirosa é a mãe

 

6 comments

  1. Perfeito! Seus post são ótimos!

  2. Perfeitamente verdadeiro ! Seus posts são incríveis !

  3. Ótimo escrito, Deeercy!

  4. eu já passei por mentirosa também

  5. quem é pai duas vezes , UMA, tr~es vezes , vale apena visitar esse site conhecer as dicas para criar fº

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